quinta-feira, 15 de abril de 2010

Esticar novelas não é exclusividade da Record

Nesta semana tem sido divulgada uma enxurrada de críticas a Rede Record pelo fato de a emissora ter decidido esticar até o final de maio a novela Bela a Feia que tem apresentado resultados satisfatórios de audiência chegando a momentos de liderança no Ibope.

As críticas se dão porque muitas pessoas consideram uma estratégia errada esticar uma novela simplesmente pelo fato dela ter conquistado o público em sua reta final e melhorado muito a audiência. Segundo os críticos, é um erro que pode prejudicar a qualidade da trama e o produto apresentado ao telespectador não ser tão bom.

O raciocínio é correto. De fato, um folhetim deve seguir à risca as definições de quantidade de capítulos estabelecidas pelo autor que não tem a vida facilitada pela emissora quando recebe o pedido de esticar a trama, normalmente mudanças desnecessárias são feitas e prejudicam o andamento da história. 

Porém, criticar a Record e afirmar que isso "é coisa da emissora" mostra um método de perseguição, como a própria emissora as vezes acusa a mídia de adotar. Definitivamente esticar novelas de sucesso nunca foi e nem nunca será "coisa" da Record. A Rede Globo é profissional em tomar este tipo de postura e isso vem de muitos anos, apenas nesta década muitos folhetins foram esticados por serem sucessos retumbantes, como Alma Gêmea e Da Cor do Pecado.

Do ponto de vista dramatúrgico realmente não se pode admirar a postura de aumentar uma obra já quando as tramas estão se encaminhando para seu desfecho, pois obriga o autor a colocar barriga na história e deixar a história prejudicada. Mas do ponto de vista da busca pela audiência essa é uma postura que toda e qualquer Rede de TV toma, seja no Brasil, seja no exterior. Redes de TV americana tomam exatamente este tipo de posição quando uma série faz sucesso, ela é esticada até não poder mais.

Bela a Feia deu uma boa melhorada, como este blog já disse, e seu esticamento era algo previsível, principalmente após os espantosos números que ela vem apresentando no último mês. É a forma que a Record encontrou de manter sólida sua audiência de telenovelas. Se válida ou não, só o tempo pode dizer.


quarta-feira, 14 de abril de 2010

Equívocos e mais equívocos no SBT

Após anunciar o retorno das novelas mexicanas para a sua grade de programação e mostrar uma capacidade ímpar em retroceder, o SBT começa a dar sérias mostras de que sua cúpula anda completamente perdida, exatamente como aconteceu há alguns anos, justamente quando a emissora perdeu a vice-liderança para a Rede Record.

O anúncio da emissora confirmando que a série O Mentalista (no original: The Mentalist) entra no ar as 9 da noite no próximo dia 21 substituindo a série Arquivo Morto (no original: Cold Case) é a mais recente mostra gratuita que definitivamente a Record não há com que se preocupar, pois o SBT parece ter perdido novamente o caminho pela busca da vice-liderança.

A revolucionária idéia de colocar séries estrangeiras no horário nobre partiu da emissora de Sílvio Santos e foi muito bem sucedida principalmente durante a exibição das 4 temporadas de Sobrenatural (no original: Supernatural) que foi o carro chefe da reação visando o retorno da vice-liderança no segundo semestre de 2009. Contudo, a empolgação e a falta de experiência levou a direção a cometer uma série de equívocos que voltaram a jogar a Rede no buraco no horário nobre - o principal da TV brasileira.

Enquanto o SBT arriscou ao substituir Sobrenatural por A Garota do Blog (no original: Gossip Girl) a Record deu um verdadeiro bote ao abocanhar a vice-liderança no horário com a bem aceita série CSI. O resultado disso foi novamente o terceiro lugar, mostrando que quebra de público não é o ideal. Ao fim da 1ª temporada de A Garota do Blog a emissora a tirou do ar e colocou Smallville que também não deu resultado algum, piorando a audiência da emissora ainda mais. Já em desespero a emissora decidiu colocar no ar o mesmo estilo de séries de CSI, vice-líder no horário com altos picos e boas médias, Arquivo Morto surgiu como uma luz no fim do túnel, mas também não apresentou resultados.

Agora, ao fim da 1ª temporada, nova substituição, vem aí O Mentalista. Isso mostra um imediatismo quase doentio da cúpula da emissora que quer retomar a vice-liderança no horário na marra e assim não vai conseguir. CSI tem um público fiel, uma ótima narrativa e é difícil competir com a série. Arquivo Morto era uma solução interessante, desde que tivesse continuidade, a 2ª temporada é ainda melhor que a 1ª e as chance de melhoras na audiência eram grandes.

Substituir novamente a série é prova de que a emissora quer apenas audiência e não respeite seu público. O slogan "a TV mais feliz do Brasil" parece distante do SBT quando a direção toma esse tipo de atitude que é o mesmo que dar uma banana para seu público tão fanático e que tem grande admiração. Principalmente ao se considerar que O Mentalista só está disponível para o SBT em sua 1ª temporada, ou seja, 23 episódios, isso significa dizer que, um mês depois, novas mudanças virão e a série irá e só ela porque o respeito, este, já foi há muito tempo.


Força-Tarefa "Os Justiceiros - parte 1"

Este texto contém spoilers sobre o 2º episódio da 2ª temporada e pode ser prejudicial a quem ainda não viu, se for o seu caso, evite o post.


Se o primeiro episódio da 2ª temporada de Força-Tarefa já havia mostrado grande avanço em relação a toda a 1ª temporada e também que os roteiristas, diretores e elenco estavam dispostos a colocar a série num patamar bem acima de qualquer outra produção nacional, o 2º episódio, exibido na última terça-feira, mostrou algo mais, que Força-Tarefa é melhor, inclusive, que muita série estrangeira.

Num episódio que se iniciou de forma confusa, com a equipe do tenente Wilson (Murilo Benício) assistindo a um julgamento de um policial acusado de repassar armas para criminosos e sendo inocentados porque a única prova foi colhida por meios ilegais, a trama foi ficando cada vez mais confusa no primeiro bloco, mostrando o tenente num conflito interno impressionante, obcecado pela prisão dos "companheiros" policiais e sem saber como agir em sua vida pessoal.

Tudo começa a ficar pior para ele quando, enquanto vigiava a casa de um dos policiais corruptos inocentados, ele presencia o assassinato deste policial, entra na casa para tentar ajudar e acaba sendo visto com arma na mão pela esposa da vítima que o acusa de assassinato. Wilson é então afastado de suas atividades, mas continua obcecado, perdido e não aceita ajuda de ninguém, todos os seus colegas percebem o quão conflituosa está sua vida - e realmente está, pois além de saber que um filho que nunca quis está a caminho, isto está fazendo ele perder a mulher que ama - não adianta, ele se fecha em seu mundinho e tenta descobrir tudo sozinho.

Mesmo diante da desaprovação de todos, Wilson tenta provar sua inocência, mas cada vez se afunda mais e vê sua prisão ser decretada. Ao tentar fugir, dois policiais corruptos que ele tentou prender, mas que também foram inocentados, chegam antes e conseguem dar a ele voz de prisão. Mas a intenção não era levá-lo a cadeia, mas sim matá-lo, porém, no exato instante da execução, novamente os dois policiais são assassinados a sangue frio por alguém que foge sem deixar rastros.

Wilson sabe que sua vida está em risco e sabe também que estão armando para que ele seja acusado de matar 3 policiais, só precisa descobrir quem. E quando descobre é exatamente o ponto em que o episódio acaba.

Um episódio assim mostra muita maturidade por parte dos roteiristas e foi muito bem conduzido pelo diretor, o que comprova que a equipe de Força-Tarefa está extremamente afinada. Os episódios mais superficiais - que também eram bons - da 1ª temporada foram deixados para trás e tramas complexas estão sendo desenvolvidas nessa temporada, além de um crescimento complexo no psicológico de Wilson e de outras personagens. Murilo Benício cada vez mais está roubando a cena e convencendo muito no papel, inclusive, entre todos os atores que tiveram algum trabalho em 2010, em dois episódios, Murilo Benício já foi melhor que todos.

Um episódio assim faz de Força-Tarefa uma série muito acima de qualquer expectativa criada em torno dela, principalmente ao se analisar que trata-se de uma série brasileira, país com imensa tradição em folhetins e quase nenhuma neste tipo de formato. "Os Justiceiros - parte 1" foi, sem sombra de dúvidas, o melhor episódio que Força-Tarefa já viu e um dos melhores que a TV brasileira já produziu.

terça-feira, 13 de abril de 2010

Não há salvação para Uma Rosa com Amor


Nesta segunda-feira, 11 de abril, a novela Uma Rosa com Amor, do SBT, registrou sua maior média empatada, 07 pontos e seu maior pico desde a estréia (9 pontos - houve anteriormente um pico de 10 pontos, porém foi herdado de outro programa). Isso causou comoção entre os fãs da emissora e também junto a equipe que produz a novela, como postou em seu twitter, Renata Dias Gomes, mostrando trecho do email que ela recebeu de Tiago Santiago, autor do folhetim.

Essa melhora não significa absolutamente nada em relação a qualidade da trama. A novela é a pior no ar e a única que realmente dá constrangimento de assistir. Toda mal construída e mal elaborada, o que se vê são inúmeras cenas sem sentidos e com um dos piores textos dos últimos anos, mostrando todas as características defeituosas do autor.

Tiago Santiago sempre teve muitas falhas enquanto autor, diálogos arrastados e modorrentos, situações irreais e pífias, além das frases mais longas e didáticas da história da TV moderna marcaram sua carreira, principalmente em sua passagem pela Rede Record. Todos estes ingredientes ele levou para o SBT, porém, sem uma equipe qualificada que conseguia minimizar isso, agora os erros ficaram gritantes e evidenciam outras falhas também.

Além de tudo o elenco da novela não está bem. Exceção feita a Jussara Freire, Beth Faria e Carla Marins, todos estão perdidos na história. Desde as personagens importantes até as coadjuvantes que aparecem pouco, ninguém está bem. Uns são muito forçados e tornam suas personagens caricatas e irritantes, outros não tem o brilho necessário para segurar o papel e acaba passando discretamente pelas cenas, uma prova do erro de escalação que o autor da trama original, Vicente Sesso, havia reclamado.

O ponto mais baixo de Uma Rosa com Amor, no entanto, não é o elenco e nem o autor, mas a direção que está completamente equivocada. Poucas vezes se viu na Televisão Brasileira um diretor errar tanto como vem acontecendo em URCA. Em praticamente todas as cenas é possível encontrar o dedo do diretor mostrando os caminhos para os atores, e mostrando caminhos errados, sempre, sem exceção e prejudicando o ritmo, a história e uma novela que já é fraca por natureza, apesar de ter uma história interessante, muito melosa, mas interessante.

Eu sei que Tiago Santiago tem méritos e o principal deles é, mesmo sendo um autor limitado e com pouco potencial no quesito qualidade e profundidade do texto, ele conhece o caminho das pedras quando a conversa é audiência. Ele sabe como fazer uma novela melhorar seus índices e provavelmente vai recuperar os números de Uma Rosa com Amor, mas neste caso, não importará muito, pois em qualidade, não há mais salvação.


segunda-feira, 12 de abril de 2010

Simpática a estréia de Escrito nas Estrelas

Deixando de lado as crenças religiosas porque elas não importam aqui, fazer uma análise de uma novela com tema espírita nunca é fácil, uma vez que é um tema batido e, se o responsável pelo roteiro não souber conduzir a história e conduzir as personagens, fica tudo muito clichê e negativamente. Era exatamente isso que eu esperava de Escrito nas Estrelas, a nova novela das 6 da Rede Globo.

Após a exibição do primeiro capítulo em que evidentemente não se pode fazer uma análise profunda sobre a trama e o folhetim, o que se pode afirmar é que há simpatia na história. Personagens interessantes, tramas que a primeira vista parecem chamar a atenção e serem bem amarradas, dando uma possibilidade grande de haver uma boa história.

Simpatizei com o primeiro capítulo de Escrito nas Estrelas e o que mais me surpreendeu nesta estréia não foi a história e muito menos os personagens. Fiquei gratamente surpreso com o ritmo imposto pela autora Elizabeth Jhin para os acontecimentos. Sem enrolação, sem encheção de linguiça e sem apresentação monótona de personagens. Para o público conhecer as personagens não é necessário uma missa, basta ter uma boa história e Jhin parece ter.

Falando um pouco do elenco, o grande destaque - na verdade o único - foi Humberto Martins roubando a cena. Mesmo numa estréia ele parece já ter o domínio completo de sua personagem e saber exatamente todos os caminhos que nortearão sua história, o que é raro. Em compensação a dupla de protagonistas ficou devendo. Natália Dill começou muito bem, firme e deixando para trás seu último trabalho (a Santinha em Paraíso), mas se perdeu quando as cenas exigiram pulso e voz firme. Cada vez que precisava subir o tom de voz, Natália falava de um jeito que era muito difícil entender, o que prejudicou muito seu desempenho.

Jayme Matarazzo foi o destaque negativo deste capítulo de abertura. Inseguro, não compondo com correção sua personagem, em todas as suas aparições o ator estava abaixo do que a cena pedia e sua empostação vocal soou falso em todas as suas falas. Se apoiando no texto, Jayme sujou completamente as falas repetindo vastamente as palavras, como "pai" quando estava em cena com Humberto Martins. Ficou claro que o ator não está pronto para encarar um protagonista tão complexo.

Outro ponto baixo dessa noite foi a abertura toda equivocada. Jhin demonstrou que vai ter uma novela ágil e sem rodeios, então, um folhetim assim não pode ter uma abertura arrastada. A música tema, apesar de linda, também foi equivocada, já que coloca a novela como se tivesse um ritmo lento, o que não aparenta ser verdade.

De qualquer forma, pontos baixos todas as novelas e todas as estréias têm. Mesmo assim, Escrito nas Estrelas deixou uma boa impressão. O único senão na história foi a reação premonitória da empregada quando Daniel (Jayme Matarazzo) sofreu o acidente. Este é o tipo de clichê que uma novela espírita não precisa. E a cena final foi muito boa, surpreendente, bem dirigida e muito bem conduzida. Vamos ver se teremos mais uma boa novela, certamente não será um marco na teledramaturgia, mas por enquanto, parece que será muito simpática.


domingo, 11 de abril de 2010

Luto pelo fim de Cama de Gato


Não sabia o que escrever após o fim de Cama de Gato. Tudo que havia para ser dito sobre a novela já foi e não queria me tornar repetitivo, portanto não quero fazer novamente uma análise da novela, de suas inovações e da capacidade das autoras Duca Rachid e Thelma Guedes em redesenhar a estrutura de uma trama do horário das 6. Tudo isso que eu penso vocês já sabem de cor e salteado.

Quero aproveitar o fim da novela para registrar meu momento de luto. Como um "novelamaníaco", chego a um momento tenebroso de minha vida. Assistindo com afinco nenhuma novela, acho que é a primeira vez que acontece isso desde que comecei a acompanhar este tipo de dramaturgia. Com o fim da excepcional Cama de Gato, não pretendo acompanhar fielmente Escrito nas Estrelas, apesar de dar uma chance a ela nos primeiros capítulos, já que o tema tornou-se batido e o folhetim parece ter todos os clichês de uma história assim. Tempos Modernos eu já desisti como forma de protesto pelo que fizeram com a novela. Viver a Vida, bem, deixa pra lá, ne?

Nas outras emissoras, apesar de Bela, a Feia ter se tornado muito interessante, é num horário ruim para mim e impossível de assistir todos os dias, acompanho esporadicamente e Uma Rosa com Amor continua não me chamando a atenção em absolutamente momento algum.

Portanto, o título deste texto refere-se ao luto pelo fim da melhor novela das 6 da década e também pelo momento triste e sem novelas para um fã deste modelo de dramaturgia. Enquanto isso, aproveito o espaço para falar de algo difícil, os dois destaques (masculino e feminino) de Cama de Gato.

O destaque masculino da trama não é novidade e nem difícil. Marcos Palmeira em seu melhor trabalho desde Renascer. Após algumas novelas apagadas em que foi alvo de críticas do grande público e teve seu talento algumas vezes questionado pela mídia, Palmeira volta aos holofotes com um trabalho dificílimo e impecável. Interpretar uma personagem como Gustavo Brandão não é fácil, eram muitas as nuances que a personagem pedia, além de ser altamente complexo, cheio de emoções conflituosas e que poderiam ficar confusas se não fossem bem interpretadas. O ator soube dosar muito bem e criou um Gustavo Brandão como se necessitava, intragável a primeiro instante, mas com lembranças de uma vida boa, e, depois, lutando para retomar os eixos de sua vida e se tornar um homem melhor.

Já destacar uma atriz é tarefa árdua. Camila Pitanga e Paola Oliveira interpretaram com maestria suas personagens e é muito difícil destacar apenas uma. Porém, por ser mais jovem, Paola Oliveira conseguiu segurar bem o papel da vilã Verônica Tardivo. Pérfida, sem limites e com emoções todas fora de lugar, ela foi uma personagem incomum, uma vilã cheia de altos e baixos e muito difícil de se compor. O final surpreendente, com a regeneração da personagem, tornou Verônica alguém ainda mais difícil de se interpretar, mas em nenhum momento Paola Oliveira errou o tom e soube conduzir sua personagem por cada caminho criado pelas autoras, por isso merece o destaque.

Destacar duas pessoas do elenco não significa desmerecer o restante. Em Cama de Gato ninguém roubou a cena ou tomou a novela para si. Boa parte do elenco esteve bem e afinada o tempo todo, o que tornou o folhetim ainda melhor. Por tantas qualidades é que ficamos de luto.

Este texto também estará disponível no site Famosidades, do grupo MSN Entretenimentos.


Legendários: um amontoado de profissionais perdidos

A mais esperada estréia da Rede Record nos últimos tempos causou uma sensação muito estranha para o telespectador. Uma divulgação tamanho família de um programa que aliaria humor com informação e entretenimento com profissionais gabaritados, oriundos em sua maioria da MTV, criou uma expectativa gigante em torno da estréia de Legendários.

O primeiro problema constatado foi logo no início quando Marcos Mion se apresentou ao público e ao telespectador. O excesso de didatismo fez com que ele parecesse muito mais um professor em aula monótona de filosofia do que um apresentador de TV. As contates mudança de câmera enquanto falava, e sempre no meio da frase, prejudicavam o entendimento do telespectador que certamente se irritou com isso que é desnecessário e prejudica o ritmo.

Todos os participantes estiveram presentes da na estréia, a maioria numa bancada que ficava na lateral do palco. Todos esperamos que eles estejam lá apenas na estréia, porque serviram somente como adereços no programa, sem necessidade desse artifício. A presença de João Gordo comentando os quadros diretamente de sua casa foi bem mais interessante, apesar dele não ter conseguido fugir do senso comum.

Esses problemas técnicos, facilmente resolvidos, mas que aparecem maior por ser numa emissora estruturada como a Rede Record, poderiam manchar a estréia de Legendários. Mas eles acabaram passando despercebidos diante do programa em si. Um programa que se proponha a entreter com humor e informação, mas que todos os seus quadros causam constrangimento, vergonha alheia mesmo. Esta é a melhor definição para o que se viu na noite de sábado na tela da emissora.

Uma sucessão de quadros absolutamente copiados de outras emissora (alguém lembrou do CQC no quadro do João Gordo? Alguém lembrou do quadro Repórter Inexperiente durante o Whatever? E até Os Intocáveis, programa da internet, teve momentos copiados) marcaram o tom desta estréia.

Cópia não é necessariamente ruim, principalmente quando feita com criatividade, porém nada ali funcionou. João Gordo não serve para reportagem, ao menos foi o que mostrou neste primeiro programa. A entrevista do quadro Whatever foi muito ruim e mal produzida, dando compaixão dos entrevistas (a dupla Chitãozinho e Xororó) e a seqüência de quadros foi ficando cada vez pior.

Marcos Mion fez questão de falar na estréia que a proposta do programa é entreter com qualidade, fugindo do humor pastelão e humilhante, segundo ele, Legendários não iria rir de ninguém, mas rir com todos. Todos quem? Legendários não teve um único momento de provocar gargalhada em seu telespectador.

Muito mais do que simplesmente isso, o que se viu em Legendários, foi um amontoado de profissionais perdidos e sem saber exatamente qual o rumo tomar para direcionar o programa. A cara de programa de MTV, barato, sem custos, feito às pressas, estava todo ali. Mas agora, Marcos Mion, você está na TV aberta, na segunda maior emissora do país, e todos esperavam muito, muito mais do fraco Legendários.


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