quarta-feira, 19 de maio de 2010

A perigosa via de mão dupla de Ribeirão do Tempo

Estreou nesta terça-feira a nova novela - e a posta - da Rede Record. Escrita pelo competente Marcílio Morais, Ribeirão do Tempo vem com o objetivo de recuperar os altos índices de audiência que a dramaturgia da emissora conquistava há alguns anos, pelo menos esta é a expectativa de toda a cúpula da Rede Record.

Esquecendo-se da infeliz - completamente infeliz - estratégia de colocar a trama às 22h00 (supostamente) e antecedendo Bela a Feia e também esquecendo-se da falta de respeito com o seu próprio telespectador - tanto o de Bela, quanto o que gostaria de assistir a nova novela, já que ela começou com um atraso de 20 minutos, certamente devido a espera pelo fim da novela da concorrência - e pensando apenas no capítulo de estréia, é possível pensar e refletir muito sobre o que se viu.

A princípio, o que se viu na tela nos pouco mais de 35 minutos de exibição, foi uma obra que não apresentava a marca registrada do autor. Marcílio Morais desde que estreou na Record é disparado o autor que mais ousa, que mais instiga o telespectador com mudanças e diferentes formas de se fazer um folhetim. Foi assim com a ótima Essas Mulheres e repetiu a dose com a não tão boa Vidas Opostas. Em Ribeirão do Tempo, o autor parece ter apostado no tradicional, no folhetinesco que quase sempre é garantia de sucesso diante do público.

Numa análise superficial, apostar no tradicional, principalmente quando há um investimento tão alto, é o ideal, mas não se engane, não é. O público da Record é bem específico. Não é o público que assiste aos folhetins tradicionais e, quase desenhados, da Globo. É um público que busca algo diferente - melhor ou pior, isso varia de opinião - porque o tradicional, ele já tem na emissora ao lado. É um risco apostar num formato assim.

O que se viu na estréia de Ribeirão do Tempo foi uma sólida apresentação de cada personagem entre os principais e também das ligações que cada um deles tem, tudo sempre seguindo o modelo folhetinesco, ou seja, apresentações quase didáticas, diálogos longos contando o passado das personagens e situando o telespectador para que ele se acostume com cada rosto, cada vida, cada envolvimento. Marcílio teve o cuidado de não se apressar, não atropelar os acontecimentos, ou seja, optou por uma apresentação solidificada ao invés de agilidade sem motivo. Fez bem.

A história apresentada parece ser bem amarrada. Roteiro bem construído, conflitos que estão prontos a explodir e personagens cheios de histórias passadas que certamente influenciarão o presente e ainda mais o futuro.  Repito, todos os elementos de um bom folhetim. O ponto baixo disso é que Marcílio apostou tanto no tradicional que exagerou na dose. Falar de uma pacata cidade, paraíso natural, sendo invadida pela modernidade desmedida e por vilões que não pensam no meio ambiente é tão batido que cansa de ver já na primeira cena. Se isso fosse o todo, estava bom, não é. Cada um dos personagens vistos são estereótipos da pior espécie e muito bem criados, porém, com clichês exagerados que incomoda o tempo todo a quem vê.

Não houve uma cena marcante que pudesse caracterizar as interpretações do elenco num primeiro momento. Não houve grandes acertos e também não houve grandes erros. Exceção feita a Bianca Rinaldi, completamente perdida no papel, sem saber de onde buscar inspiração para compôr a personagem e acabou virando uma mistura de tudo que há de pior em vilãs.

Somente os próximos capítulos revelarão a capacidade da trama. No momento, o que se pode dizer é que há uma história forte, porém batida, há núcleos interessantes, porém clichês. Ou seja, Ribeirão do Tempo tem todos os elementos necessários para o sucesso, mas que também podem levá-lo justamente ao fracasso, numa perigosa estrada de mão dupla.


4 Quebraram tudo:

Lr. Anonymous disse...

Bianca Rinaldi tava péssima, péssima atriz...

Guilherme disse...

Eu fiquei com pena da Bianca Rinaldi, mas bem feito. Ela consegue ser pior que a Paloma

Janaina disse...

Ontem aconteceu um fato curioso em casa.

Minha avó apareceu com um rascunho de e-mail que ela fez e me pediu para enviar uma reclamação para Record. O texto falava da indignação que ela sentia com o fim da novela Bela, a feia. Exatamente. Ela pensou que o último capítulo foi exibido na segunda-feira pois a nova novela estava no horário da anterior, deixando Bela, a feia tarde demais pra uma senhora de mais de 70 anos acompanhar!

Chrystian disse...

Janaina, é a pura verdade, isso é um desrespeito para com os telespectadores. Não se muda a grade tão rapidamente assim, ainda mais em uma mesma novela, que vinha sendo vitoriosa. Esse é um dos motivos pelos quais a Record não pode sonhar com uma briga pela liderança, ou mesmo com índices mais altos, que a faça ser verdadeiramente a vice-líder do país. Acompanho o blog, e vários posts do Daniel exemplificaram este grande equívoco da emissora. Não sou fã da Record, acompanho, eventualmente, alguns programas como Ídolos, Domingo Espetacular e certas novelas, como "Poder Paralelo" e "Chamas da Vida". Mas o que é feito na grade do canal é inaceitável. Organização é importantíssima, ainda mais para quem deseja um crescimento. Admito que "Bela, a Feia" tem um público, a trama leva seus méritos, mas, assim, a audiência fica receosa, e indignada como a sua avó.

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