terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Novela Boa na Globo = audiência avassaladora

Quando foi anunciada a sinopse da novela que substituiria a péssima Viver a Vida no horário nobre da Rede Globo eu já me empolguei e fiz aposta alta. Para mim, o mestre da teledramaturgia brasileira seria o responsável por recuperar os números de audiência perdidos nos últimos anos. Sílvio de Abreu tinha em suas mãos uma grande sinopse e, por conta disso, eu apostei que Passione poderia atingir números significativos e fechar com média alta.

Conforme o tempo foi passando isso foi se confirmando um palpite equivocado. Mesmo que a novela realmente tenha começado de forma brilhante, os baixos números obtidos por Viver a Vida atrapalharam bastante a atual telenovela no começo, porém, após excepcionais 50 capítulos, Sílvio de Abreu perdeu a mão e Passione virou uma espécie de samba do criolo doido. Mesmo que a qualidade do texto tenha sido mantida, principalmente com diálogos milhões de vezes melhores que das duas novelas anteriores, a trama já não mais chamava a atenção como antes.

Porém, nas duas últimas semanas o autor recuperou a mão e transformou a trama num thriller de fato. O ritmo de Passione se tornou tão intenso, tão cheio de acontecimentos, tão alucinante que, em alguns momentos, as últimas semanas da novela lembraram bastante o ritmo inserido em A Próxima Vítima. É bem verdade que a média da novela já está comprometida - só um milagre faz com que Passione ultrapasse Viver a Vida na média geral - porém, nesse último mês em exibição, a trama cresceu vertiginosamente com números expressivos, bem acima dos obtidos pela antecessora.

E mais do que isso, Passione conseguiu algo impressionante. Nesta segunda-feira, em que foi exibida a épica cena em que Clara é desmascarada por Totó e sua família - numa atuação impecável de todos, mas com destaque absoluto para Mariana Ximenes, a dona da novela - Passione atingiu média de 53 pontos com picos de 57, segundo a prévia.

Em números de audiência, Passione teve a maior audiência na última segunda-feira de exibição desde Páginas da Vida, números que impressionam. E impressionam mais ainda em números de telespectadores, a trama de Sílvio de Abreu em sua última segunda-feira foi vista na Grande SP por 3.180 milhões de pessoas. Veja a diferença, seguindo a média das outras novelas:

Viver a Vida: 2.340 milhões
Caminho das Índias: 2.940 milhões
A Favorita: 2.940 milhões
Duas Caras: 2.880 milhões
Paraíso Tropical: 3 milhões
Páginas da Vida: 2.640 milhões
Belíssima: 2.736 milhões
América: 2.928 milhões
Senhora do Destino:  2.880 milhões
Celebridade: 2.451 milhões
Mulheres Apaixonadas: 2.365 milhões
Esperança: 1.892 milhões
O Clone: 2.580 milhões
Porto dos Milagres: 2.310 milhões
Laços de Família: 2.436 milhões
Terra Nostra: 1.932 milhões
Suave Veneno: 1.848 milhões
Torre de Babel: 2.200 milhões
Por Amor: 2.240 milhões
A Indomada: 2.240 milhões
O Rei do Gado: 1.800 milhões
O Fim do Mundo: 2 milhões
Explode Coração: 2.200 milhões
A Próxima Vítima: 2.360 milhões

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

A Cara do Brasil no Horário Nobre

Não, eu não vou comentar Vale Tudo. Toda vez que falamos sobre o retrato do Brasil na teledramaturgia, imediatamente nos remetemos à trama escrita por Gilberto Braga, Aguinaldo Silva e Leonor Basséres. Acontece que, dois anos antes, o horário nobre plantou a semente do que foi discutido com tanta propriedade em 1988, com as histórias de Raquel (Regina Duarte), Fátima (Glória Pires) e Odete Roitman (Beatriz Segall). Em 1986, Lauro César Muniz, um dos maiores autores brasileiros, escreveu o sucesso Roda de Fogo.

Em meados dos anos 80, a Rede Globo fundou a Casa de Criação Janete Clair, com o objetivo de produzir sinopses a serem realizadas pela emissora. Infelizmente, essa foi uma iniciativa que não deu muitos resultados. Um dos únicos foi Roda de Fogo, novela que acabaria sendo escrita por Lauro César Muniz com a colaboração de Marcílio Moraes e direção geral de Dênis Carvalho.

Roda de Fogo apresentava um retrato da elite dominante brasileira, denunciando os crimes dos colarinhos brancos e tocando em temas ainda difíceis, como a tortura na época da repressão. Na novela, Renato Villar (Tarcísio Meira), presidente de um forte grupo empresarial, havia remetido dólares ilegalmente para o exterior. Um dos sócios do grupo, Celso Rezende (Paulo José), ao descobrir que estava sendo traído, envia documentos comprometedores ao juiz Marcos Labanca (Paulo Goulart), denunciando Renato e seus cúmplices. Renato manda matar Celso e faz chantagem com o juiz que, acuado, abandona o Brasil. Antes de partir, deixa os documentos nas mãos de sua ex-aluna, a incorruptível juíza Lúcia Brandão (Bruna Lombardi). Renato se envolve com Lúcia, tentando assim colocar as mãos nos documentos. Enquanto essa trama ocorre, o público conhece Pedro (Felipe Camargo), filho bastardo de Renato, que ele tivera com Maura Garcez (Eva Wilma), uma ex-guerrilheira política. Devido a traumas causados pela tortura, Maura foi obrigada a fazer um complicado tratamento psiquiátrico na Itália, abandonando o filho nas mãos da avó, Joana (Yara Cortes).

O relacionamento entre Pedro e Renato é problemático, já que o empresário não permite que Maura volte para o Brasil. Nesse panorama, pode-se perceber que Renato controla todos que estão à sua volta e faz com que tudo siga da forma que quer. Acontece que Renato é diagnosticado como portador de um angioma, uma bolha de sangue no cérebro. Caso a bolha exploda, Renato morre. Para piorar, o protagonista descobre que nenhum tipo de cirurgia pode salvá-lo. Ele tem, no máximo seis meses de vida. A partir daí, surge um novo Renato. Ele resolve aparar todas as pontas de sua vida. Deixa de dar importância aos documentos, abandona a mulher, Carolina (Renata Sorrah), e se entrega a uma verdadeira história de amor com Lúcia. Ainda traz Maura de volta da Itália e passa a tentar conquistar o amor do filho, Pedro. Seus aliados, sem saber o que está acontecendo, reagem, dando um golpe em Renato. Ele então resolve se vingar, arquitetando a morte de todos que o traíram.

Com essa história, Lauro César Muniz apresentou uma das melhores novelas da televisão brasileira. Com trama forte, bem amarrada, sem barrigas e contando com personagens contraditórios e interessantes, Roda de Fogo deu um passo à frente na forma de se fazer telenovelas no Brasil. Não que o folhetim não estivesse presente ou que os romances tivessem sido deixados de lado, eles estavam lá, mas vestidos com roupagem moderna, atualizada, se enquadrando na realidade social do país.

A história profissional de Lauro César Muniz, autor combativo de teatro e responsável por novelas emblemáticas como Escalada (1975) e O Casarão (1976), emprestou à trama da Rede Globo, características de denúncia de uma série de situações políticas e sociais que, talvez nas mãos de outro autor, a história não conseguisse desenvolver. A inclusão de uma ex-guerrilheira política, enquanto ainda vivíamos em anos de ditadura, foi de uma coragem ímpar, principalmente quando ela se reencontra com seu torturador, Jacinto (Cláudio Curi), atual mordomo e amante de Mário Liberato (Cecil Thiré), o antagonista de Renato. Mário, sabendo da antiga “profissão” de Jacinto, usa o mordomo para aterrorizar Maura e assim
atingir Renato. Aliás, Mário Liberato é um dos grandes vilões da história da teledramaturgia. Cecil Thiré, Eva Wilma, Renata Sorrah e Tarcísio Meira brilharam na novela, defendendo personagens que estão entre os mais importantes de suas carreiras. Um verdadeiro duelo de titãs.

Sem dúvida alguma, coloco Roda de Fogo no meu pedestal das telenovelas. Pode não ser a minha preferida emocionalmente, mas sem dúvida a considero a melhor que já vi. Uma novela em que tudo deu certo, e como disse no início, semente para que tais temas fossem discutidos mais amplamente em 1988, em Vale Tudo. Lembranças de uma época em que a televisão tinha boas histórias para contar.

Por Walter de Azevedo

Por que a Record não vai bem em Janeiro?

Quando acontece uma queda de audiência única na programação de determinada emissora, pode-se chamar isso de fenômeno ou coincidência, quando esta queda é diária, torna-se tendência e é preciso avaliar as causas da fuga do público, como aconteceu com o SBT ao longo dos últimos 10 anos, e também como acontece com a Rede Record pelo segundo ano consecutivo.

Em Janeiro de 2010 a discussão era a mesma. Seria o SBT capaz de retomar a vice-liderança com o investimento que vinha realizando em sua grade de programação? A resposta óbvia analisando os números de momento era: sem dúvida, o retorno a vice-liderança é questão de tempo. Fato este que, claro, não se consumou. Fim do mês de Janeiro e tudo voltou ao normal, a emissora de Sílvio Santos em crise de identidade e a Rede Record recuperando seus números que dava o segundo lugar com conforto.

Agora em 2011 o mesmo problema acontece. Nestes primeiros dias do ano já se nota claramente a aproximação nos números das duas emissoras e, algumas pessoas justificam isso pelo retorno de Daniela Beyriti ao comando do SBT. Será mesmo? De fato não foi apenas uma queda acentuada da emissora de Edir Macedo, mas houve crescimento da concorrência, será duradouro desta vez?

É impossível avaliar isso, porém, é fato que a Rede Record perde - e perde muito - de seu público no período de férias. Período este em que as crianças estão em casa e comandam o controle remoto assistindo praticamente durante o dia todo aquilo que querem. Mas o que afasta as pessoas da Record no mês de Janeiro? Essa é uma pergunta complexa, mas já passou da hora dos executivos da emissora começarem a se preocupar com o assunto e buscar respostas através de pesquisas junto a seus telespectadores.

Muitos podem pensar que isso é só uma fase e não há motivos para preocupação. Talvez, mas perda de público é sempre algo sério, principalmente levando-se em conta que uma hora ou outra, a concorrência pode se organizar e a Record não conseguir recuperar o público no restante do ano. E para você, por que será que a emissora perde tanta audiência no primeiro mês do ano?

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Quando alterar a Grade dá resultados

Na década atual, com o crescimento da internet e a massificação dos veículos de comunicação cresceu muito o número de especialistas no mercado de Televisão e, com isso, o público ficou mais próximo de coisas que, antes, não tinha qualquer acesso. É o caso de críticas a emissoras pelas suas constantes mudanças na Grade e a falta de comprometimento com o telespectador.

Sabe-se os principais motivos das constantes mudanças, geralmente a falta de faturamento ou a baixa audiência são os principais responsáveis pelas alterações de uma grade. Na atual década SBT e Rede Record sofreram duras críticas por parte da mídia e também de parte do público por alterar sua programação constantemente sem permitir com que haja fidelidade.

Mas nem sempre uma mudança, reestruturação ou adequação de grade é sinal de falta de respeito ou mesmo sinal de desespero por parte de uma emissora. Existem os casos, que sempre ou quase sempre são exceções na TV brasileira, em que é uma estratégia que surte efeitos e comprova que existem executivos que ainda entendem de televisão no Brasil.

Foi o caso da adequação da grade por parte da Rede Globo no Horário de Verão. Essa é uma estratégia que já foi utilizada algumas vezes por parte da emissora - não ocorre em todos os anos - mas que nunca funcionou tanto como em 2010/2011. Antes da mudança de horário toda a programação noturna da Vênus Platinada vinha sofrendo com baixa audiência. Malhação nunca ultrapassa os 16 pontos, Araguaia sofria muito para chegar aos 23, Tititi suava para ultrapassar os 30 pontos e Passione micava ficando abaixo dos 40. 

A mudança da Grade colocou a audiência noturna da Globo num patamar que não se vê há muito tempo. Malhação vem registrando números sempre acima dos 20 pontos (já chegou a 24), Araguaia fecha sempre acima da meta de 25, conseguiu o recorde de 29 pontos. Tititi, sucesso de público, bate recordes girando sempre em torno dos 35 pontos com picos acima dos 40 e Passione na reta final vem conseguindo média acima dos 45 e picos na casa dos 50 pontos.

A mudança alavancou a programação noturna toda (Jornal Nacional bateu seu recorde com 40 pontos de média dia desses) e mostrou que a estratégia de atrasar a grade em 30 minutos funcionou e agradou o público que voltou-se completamente para a maior emissora do país. Para se ter uma idéia, a Globo conseguiu fechar com média-dia de quase 23 pontos, números que somente são comparados durante a exibição da Copa do Mundo e conseguir este feito em pleno Horário de Verão é tarefa de herói.

A mudança não apenas beneficiou a Rede, mas afastou qualquer chance de competição que a Record poderia tentar. A Globo vem fechando com a média dia superior a da segunda colocada com o triplo da audiência, uma covardia que mostra que realmente há diferença gritante entre a Globo e o resto.

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Sansão e Dalila se desmancha na falta de história

Estreou ontem na Rede Record a milionária produção que a emissora alardeou por praticamente um semestre. A segunda minissérie com história bíblica da rede - a primeira foi A História de Ester que foi ao ar no início de 2010 - e que causava muita expectativa nos executivos e também, por que não, por parte dos telespectadores que tinham interesse em conhecer o produto.

Uma obra dramática nunca pode ser completamente analisada por um único episódio, mas baseando-se no que se viu na TV ontem, a expectativa para uma boa produção são mínimas. Os mesmos equívocos vistos na minissérie anterior aliados a uma completa falta de roteiro que desse o mínimo interesse para alguém querer continuar acompanhando deram o tom de uma estréia muito menos do que morna.

A começar pela direção que, infelizmente, manteve-se tão amadora quanto na produção anterior. Diferentemente do que faz nas telenovelas em que a direção, as vezes, se destaca até mais do que a própria história, a Rede Record parece não acertar a mão nas minisséries. Uma direção aberta que permitiu improvisos demais e, principalmente, não se preocupou com os detalhes, além de deixar passar erros inaceitáveis acabou prejudicando muito o episódio. A cena da briga dos pais de Dalila foi constrangedora e a culpa foi da direção que não fez marcação do ambiente.

O desempenho do elenco foi apenas razoável. Se os principais personagens não chegaram a decepcionar, o elenco de apoio é muito fraco e atrapalha bastante na construção narrativa da história. Um produto dramático não pode ter apenas boas interpretações no elenco principal, se o restante for muito ruim, tudo estará perdido, como parece ser o caso. O grande destaque foi mesmo Mel Lisboa, pois ela soube compor uma Dalila bem diferente de sua personagem mais marcante, Anita, que tem características parecidas com a personagem atual. Méritos da atriz.

O roteiro, contudo, se desmanchava com o vento, tão fraco era. Não apenas a "livre adaptação" irritante que a Record insiste em dar a textos bíblicas, como apresentar Dalila como uma boa moça - ela não era - mas o que constrangeu mesmo foi o texto ruim. Diálogos superficiais e irreais, seqüências completamente sem sentidos e falta de capacidade dramática marcaram o texto nesta estreia que, de bom mesmo, teve apenas a fotografia, sempre muito boa em todos os produtos da emissora.

Sansão e Dalila, o produto dramático mais caro da TV brasileira, parece ter estreado mostrando que é possível jogar dinheiro pela janela ao produzir algo ruim.

Em tempo: O capítulo registrou média de 13 pontos, segundo dados prévios, ficando muito atrás da Globo que ficou com 26 pontos. O SBT marcou 09 no horário.

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Enfim: Um Sonho realizado

Este blogueiro que vos fala é um apaixonado nato pela escrita. Permita-me utilizar este espaço que é sempre usado para o universo da televisão excepcionalmente para contar uma história. 

Com 10 anos eu fui realmente apresentado ao mundo da Literatura. Evidente que antes disso já conhecia livros e, provavelmente, já havia lido pequenas histórias infantis. Mas foi aos 10 anos que fui a biblioteca de minha escola e, por vontade própria, escolhi o meu primeiro livro para ler. A Ilha Perdida (acho que foi o primeiro livro de muita gente). A partir dali me apaixonei pelo universo literário e nunca mais abri mão ou me afastei dele. Em um período de cerca de 03 anos li todos os livros da série vaga-lume e, depois disso, comecei a colecionar estas obras, dando ênfase aos ótimos livros de Marcos Rey - o primeiro e inesquecível foi O Mistério do Cinco Estrelas.

Aos 15 anos, sonhador como só eu, decidi que queria ser escritor. Juntei-me a uma amiga e tentei produzir um livro, evidentemente não saiu nada de útil. Então, sozinho e mais concentrado, achei por bem que era o momento de voltar a escrever. Produzi um livro inteiro, na verdade um caderno, pois na época, não tinha computador em casa e o jeito era escrever "a mão". Lembro-me que enviei o livro a Editora Ática que, educadamente me explicou os motivos de não poder publicá-lo. A verdade é que o texto era muito ruim.

Enfim, depois disso continuei me aventurando ao universo da Literatura, de livros leves me enveredei pelos clássicos, pelos técnicos de minha área enquanto fazia universidade e me foquei em meus estudos. Voltei ao projeto de escritor apenas em 2008, quando surgiu uma idéia interessante em minha mente. Após pesquisa, comecei a escrever até desenvolver um livro em forma real e sem nenhuma falha. Foi um ano de transtorno e dificuldades, mas finalmente consegui produzir.

Depois disso, sofri para tentar publicar. Foi tempo de espera, expectativa e frustração tentando a aprovação. Mas finalmente tenho meu sonho realizado. Hoje, com mais de 5 mil livros lidos, alguma experiência como jornalista, algum conhecimento de crítica de TV e muitos textos escritos, tenho meu livro publicado.

Não é um livro sobre TV, não é um livro clássico e muito menos técnico de minha área. Trata-se de uma obra de ficção. Espero que meu público que me acompanha aqui há quase dois anos, possa me ajudar adquirindo uma cópia do livro, já que foi publicado por uma editora pequena e também colaborando na divulgação de minha obra. O livro "Pantopômios em Busca da Pluma Encantada" foi publicado pela editora Bookess que publica obras sob demanda, ou seja, seguindo um padrão de imprimir apenas sob encomenda. Por isso, peço que vocês, se puderem adquiram e divulguem para que ele possa se tornar conhecido no mercado literário.

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Esquenta: Mais um acerto de Regina Casé

É impressionante, mas se existe uma pessoa na televisão brasileira que pode se gabar de colecionar acertos em suas produções, trata-se de Regina Casé. Um exemplo de profissional que sabe fazer um programa de qualidade, sem apelação, transmitindo as mais variadas culturas dentro do Brasil e atingindo todas as camadas da sociedade sem ser piegas.

Regina não precisa provar mais nada para ninguém, seu nome e seu currículo já falam por si só e, por conta disso, ela não precisaria se arriscar com um programa nas tardes de domingo, principalmente num horário em que a Rede Globo costuma sofrer com as investidas da concorrência com programas apelativos e de baixa qualidade, como Domingo Legal e Tudo é Possível. Mas ainda assim, ela é movida por desafios e abraçou um projeto totalmente diferente do que já se viu na TV.

Esquenta cheia a laje (como disse um amigo). O programa tem todo o formato "carioquês" de se viver, mas nem por isso soou desinteressante para quem não mora no Rio. Ao contrário, em tempos em que zapear a TV no domingo é pedir para assistir ou baixaria ou monotonia e, pior, tudo muito parecido, só com maquiagem diferente, ter um programa em molde completamente novo, com tinta fresca, sem copiar nada nem ninguem, foi uma ótima pedida.

O programa de estreia já mostrou a que veio, com participantes totalmente interessante, música boa e histórias sensacionais e divertidas. Reunir Preta Gil, Gilberto Gil e Zeca Pagodinho num mesmo palco somente poderia terminar em gargalhadas, principalmente quando a anfitriã é alguém do talento de Regina Casé.

Talento este que foi muito bem visto na excelente entrevista que ela fez com o agora ex-presidente Lula. Foram oito anos mostrando Lula como o homem popular e respeitado no mundo todo por diversos Chefes de Estado, aí, vem Regina Casé e mostra o homem, o boêmio cheio de histórias interessantes e papo agradável.

Esquenta é o típico programa de verão que tem tudo para ser a grande sensação deste início de 2011 e começou bem. Segundo dados prévios, o programa estreou com média de 18 pontos, sete a mais do que a Globo costuma registrar no horário.

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