quinta-feira, 8 de abril de 2010

Ratinho, Guilherme de Pádua e a intolerância

Desde que a produção do Programa do Ratinho divulgou que entrevistaria com exclusividade o ex-ator Guilherme de Pádua começou uma série de protestos sem fim pela internet, orquestrada principalmente pela trupe dos famosos da Rede Globo que frequentam o twitter e adoram tecer comentários sobre todos os outros programas, que não os seus.

Para quem não se lembra, Guilherme de Pádua foi condenado na década de 90 pelo assassinato da atriz Daniela Perez, filha da autora Glória Perez. O crime na época chocou o país devido aos requintes de crueldade como ele e sua esposa deram cabo com a vida da jovem e promissora atriz.

Atualmente, Pádua já cumpriu sua pena, vive em liberdade, reconstituiu sua família, casando-se novamente e vive em Belo Horizonte. O convite do Programa do Ratinho certamente foi aceito por ele após uma série de negociações que devem incluir não ser achincalhado em público.

A Campanha contra o apresentador Ratinho incluem diversos protestos que se justifica sob a alegação de "não dar voz a um assassino", como colocou Glória Perez em seu twitter, sendo apoiada por diversas celebridades. O que estas celebridades não explicaram é porque não houve tamanhos protestos quando a Rede Globo - que a maioria é funcionária - exibiu uma extensa reportagem e entrevista com Suzane von Richthofen, no Fantástico. O crime de Guilherme de Pádua é, de alguma forma, mais grave que o de Suzane por ele ter matado uma famosa?

Discutir se uma entrevista agora, anos depois do ocorrido, é importante ou não, é super válida. Mas é impossível determinar a importância da entrevista antes que ela tenha ido ao ar. Há prismas interessantes que podem ser abordados numa entrevista com uma pessoa como Guilherme de Pádua que, publicamente arrependido, tenta reconstruir sua vida diante duma sociedade que não perdoa.

O ponto da discussão não é se o que ele fez é certo ou errado. Todos sabemos que foi um crime grave, porém, ele já cumpriu sua pena diante da justiça e tem o mesmo direito que qualquer pessoa de fazer seja o que for. Pode ser duro de ouvir isso, mas é a verdade, Guilherme de Pádua não é um fugitivo da polícia, não representa perigo para a sociedade e, portanto, não há mal algum, jornalisticamente falando, em ouvi-lo.

O que temos visto nas Redes de Relacionamento é um protesto infundado e um pré-julgamento de como será a entrevista, como fez o autor Walcyr Carrasco, já decidindo que a entrevista será sensacionalista, antes mesmo dela ir ao ar. A posição de Glória Perez de não querer ver o assunto a tona novamente é perfeitamente válida, mas não justifica tamanho burburinho que vem ocorrendo por algo tão corriqueiro entre jornalistas.

Na prática, essa onda de protestos e falácias dos famosos se dá porque o crime ocorreu com uma colega deles. Não é uma posição social ser contra entrevistas com criminosos, se fosse, a trupe já teria protestado em outras ocasiões. Ou seja, puro protecionismo de classe visando o próprio umbigo.


15 Quebraram tudo:

Gabriel Borba disse...

Daniel
Acho que nem tanto ao céu nem tanto ao inferno.
Primeiramente, confesso que não agrada a ideia de entrevistar um assassino (e ele não deixou de ser por que cumpriu a pena) pois não vejo NADA de relevante que ele possa dizer.
A comparação que fazes com o caso Richthofen não cabe, pois ainda não é um caso finalizado, no sentido de que ela não cumpriu pena. Daqui a pouco estarás comparando com a entrevista dos Nardoni. São coisas incomparáveis.
Acredito que ninguém em sã consciência terá curiosidade em saber o que este cidadão está fazendo da vida.
Mas concordo que a liberdade deve ser preservada. Ninguém pode dizer quem o Ratinho pode ou não entrevistar. Isto é algo que não pode ser discutido.
Quanto à campanha de críticas, acho normal.
Basta pensares que muitos que insurgiram contra a entrevista são colegas ou da morta ou da mãe (mesmo que distante). É como se matassem um colega de trabalho teu. A reação é humana, acima de tudo.
Tua última frase foi de uma infelicidade poucas vezes vista neste blog. Desculpe a sinceridade.
Um abraço.

Dois Clicks disse...

Não acho que foi uma frase infeliz não, se hoje o SBT manifestasse o interesse em entrevistar, os Nardoni já condenados teria passado desapercebido, tentaram entrevistar o Limdenberg, e ninguém se manifestou de tal maneira, não houve campanha alguma do tipo.

A globo entrevistou diversos, ex-criminosos no decorrer dos anos e ninguém fez questão de ressaltar a revolta contra as matérias. Todo dia centenas de presos são reintegrados a sociedade, ou ela discute o assunto e os trata como reintegrados ou decreta a pena de morte logo.

A discussão só acontece porque é uma filha de famosa, se não fosse passaria desapercebida.

Caroline® disse...

Concordo com o Gabriel. Suzane e os Nardoni foram entrevistados na condição de réus, antes de serem julgados, até como uma forma de a imprensa mostrar imparcialidade, verdadeira ou não - o caso da Escola Base criou um trauma naqueles que condenaram inocentes antes do julgamento.
Guilherme de Pádua é comprovadamente um homicida, e todo interesse que se possa ter nele é inevitavelmente ligado a Daniela Perez. A mãe dela tem todo o direito de não querer vê-lo se promovendo às custas da morte da garota. E eu acho mesmo irrelevante ouvir um assassino, em um caso que já foi deveras discutido, e foi até causa de alteração legislativa. Pra quem não sabe, o homicídio qualificado se tornou crime hediondo por conta da morte de Daniela Perez, e da influência da Globo.

Dois Clicks disse...

o limdemberg era réu e foi entrevistado pelo datena e pelo Cabrini ainda na record, a repercussão não foi a mesma e nem houve qualquer manifestação do tipo. curioso não.

Juliana Pires de Sousa disse...

Eu quero muito assistir essa entrevista. O que será que ele tem a dizer?

Beijos

Nubia de Oliveira disse...

Convenhamos que ele não vai ao programa pra ser interrogado e condenado novamente, né?! Ele está querendo a todo custo mudar sua imagem, e vai usar o espaço pra isso sim. Não vai lá pra dizer que não vale nada.

Por isso sou contra esse tipo de entrevista, tanto para ele quanto para qualquer assassino desse nível, em qualquer programa de TV ou emissora.

Tolerencia devemos ter com quem realmente merece, não é o caso dele que cometeu homicidio praticado com extrema violência e com requintes de crueldade e sem nenhum senso de compaixão ou misericórdia à vítima. portanto, pra mim ele ainda não pagou o que deve à sociedade, não merece nada além do desprezo de todos.
Se a nossa justiça é falha, não significa que devemos ser também.
Psicopatas não mudam, não melhoram.

A propósito, ele ficou preso em regime fechado apenas por 4 anos. E agora quer aparecer de regenerado... haja paciencia!

Outra coisa, essa de falar que só teve repercussão porque a vitima era filha de uma famosa, não significa que o assassino agora pode se promover na mídia. E isso se aplica também ao argumento de que a Globo já fez entrevistas assim. É o mesmo que dizer que se o fulano rouba, eu tambem posso. Uma hora tem que dar um basta nessa falta de bom senso da mídia brasileira, e se for pra ser agora, que assim seja, com o Ratinho ou com a Globo, com qualquer um.

Gabriel Borba disse...

Caroline, valeu pelo apoio.
Dois clicks, acho que o interesse em réus de crimes é sempre o mesmo, ainda mais quando entrevistas são feitas "no calor" dos acontecimentos, e aí não há muito o que discutir ou "espernear". No meu entendimento tu estás comparando coisas incomparáveis, e é a mesma crítica que fiz ao Daniel.
A Caroline falou tudo ao dizer que o cara vai se promover às custas da morte da atriz.
É importante ressaltar que é ÓBVIO que em se tratando de alguém famoso a repercussão seria maior, até por que há muitos sites e blogs como este por exemplo, que dão visibilidade à "vida dos famosos". Ninguém faz campanha de repúdio à entrevistas com quem mata pessoas "normais". Infelizmente esta é a verdade.
Quem não concorda com isso só pode ser alienado.
Um abraço a todos e viva a discussão livre.

Romero Júlio disse...

Ele já pagou, o que tem ele falar? Abaixo a censura! deixe cada um usar sua consciência e decidir.

welington disse...

esse guilherme de pádua é um belo ator:
sabe enrolar as pessoas;sorte que o Ratinho não caiu nas mentiras dele.Acho que a entrevista foi fraca o assassino não respondeu quase nada que o ratinho perguntou. e o ratinho frustrado com ele disse no final:

"Se eu fosse a Glória Perez eu não te perdoaria"

xD. esculachou!!!

Maria José disse...

e no final foi puro sensacionalismo mesmo, como já era de se esperar. o assassino posando de santo e enrolando o Ratinho. não disse pq matou a Daniella Perez ( e ia dizer o quê, se nada justifica a covardia dele?). E pra finalizar, ele só cumpriu a pena pq no Brasil adoram passar a mão na cabeça de bandido e ele foi logo solto. Ele diz q se sente perseguido. Tomaram q persigam esse verme cada vez mais.

Daivison Tavares disse...

Eu não acredito que se possa dizer que Gulherme de Pádua não represente nenhum tipo de risco à sociedade, não se pode dizer isso nem de quem nunca cometeu um crime,imagine de quem já executou uma pessoa de forma tão fria.Claro que não podemos julgar e dizer que não haja arrempendimento,mas também não podemos trasnsformá-lo em um santo e o colocar em cima de um altar só porque ele já cumpriu pena.Se uma pessoa tem a capacidade de matar uma colega de trabalho com a qual contracenou momentos antes,essa pessoa é dona de uma frieza inigualável.Quem poderá nos garantir que ele está arrependido?E frio do jeito que é,quem poderá dizer que estará falando a verdade.Quanto os atores e amigos da mãe,não podemos impedir que eles não protestem,isso é do ser humano só fazer alarde quando algo toca o que é nosso.Eu concordo que a imprensa é livre,mas não posso dizer que estão errados aqueles que não querem ver o assassino de uma pessoa querida na TV e posando de vítima arrependida.É muito fácil perdoar quando não matam com crueldade aqueles que amamos.

Dois Clicks disse...

Muito politicamente correto o discursinho de vocês me desculpe, a reintegração de ex-criminosos esta presente a população carcerária do país, cresce a todo dia. O que fazer com eles após a saída? Omitir-se esperar que voltem a fazer crime?

Ah ta.

Se fosse qualquer outro assassino sendo entrevistado, talvez a matéria nem tivesse chegado a este blog, mas e o assassino de uma famosa, paciência NE.

Vivemos na sociedade na política do interesse próprio. Se não fosse da ‘ conta’ dos mesmos as manifestações seriam inexistentes, e posso citar outras centenas de casos que se tornaram ‘famosos’ assassinos de anônimos que passariam desapercebido no ratinho

Gabriel Borba disse...

Dois clicks, desculpe mas teu comentário beira a ingenuidade. É CLARO que o assunto só tomou este corpo por se tratar do assassino de uma atriz. Só para te dar um exemplo eu ontem comprei um carro novo. Sabe onde tu vais ler sobre isso? Em lugar nenhum, pois eu não sou famoso. Da mesma maneira casos de assassinatos (só para citar o caso que estamos discutindo) acontecem aos montes diariamente, e muitos com muito mais requintes de crueldade do que o da Daniela Perez. Acontece que se tratava de dois atores, que faziam par romântico em uma novela das oito (acho que naquela época ainda era as oito) da Rede Globo. Tu não quer que todos fechem os olhos para isso né?
Quanto à reintegração de criminosos, quero dizer que sou totalmente a favor, mas isso não significa que se passe uma borracha no que o cara fez. O Pádua É um assassino. Ele MATOU a moça. São fatos. O cara que matou uma moça aqui na minha cidade na semana passada (e já foi preso aliás) não será um anjinho quando sair da cadeia daqui alguns (poucos) anos. Terá cumprido sua pena. Ponto.
Não existe, infelizmente, como medir o grau de arrependimento ou de regeneração de alguém. Alguns, sim, se arrependem. Outros, no entanto, contam os minutos para sair da cadeia e voltar "à luta".
Gosto muito das tuas intervenções no blog, por ser um provocador, mas desta vez acho que pisaste na bola. Não podemos viver como cavalos de carroças. Nossa visão tem que ser mais ampla, sempre.
Um abraço.

sherlis gomes disse...

eu achei esse cara um pilatra um covarde, ja que se dis um convertido, uma pessoa com temor a deus nada mais justo que falar a verdade a milhoes de pessoas que estão proucurando entender o que leva um ser humano a tomar uma atitude drastica como essa e ele vem com esse papo de medo de ser processado, ele deveria ter medo do castigo divino,pois deus reprime os covardes, eu acho que oratinho agil certo em dizer se fosse amae da moça não perdoaria esse falço cristão.

JUNIOR ROQUEIRO disse...

ratinho aquele safado so queria era audiencia e glória perez aprenda da perdão pq jesus venho para concerta os desmantelado e ñ para o justos!

deveos é ajudar a quem precisa de ajudar massacrar quem era ñ ajuda em nada só piora inves dele brinca com emocional de gloria ele deveria era da sesta básicas pra quem tem fome esse ratinho eu pra deus todos somos iguais ñ tem pecado nem pecadão tudo desagrada a deus!

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