
Depois de muito tempo sem falar uma palavra de Viver a Vida, a novela do horário nobre da Rede Globo, decidi que o tempo oportuno. Nesse período a novela continuou em baixa na audiência e, já tendo ultrapassado 70 capítulos não conseguiu chegar ao patamar dos 40 pontos, o que é motivo de preocupação, pois certamente sua média final será muito afetada (aliás, Viver a Vida está a frente somente de Caminho das Índias em toda a década, e ainda assim com uma diferença menor que um ponto e já está a quase 2 pontos atrás de A Favorita.).
A novela não tem audiência por uma série de fatores, alguns deles inclusive externos, como a concorrência que vem crescendo. O SBT com Sobrenatural e a Record com A Fazenda tem conseguido roubar alguns pontos da novela global, mas nada de surpreendente, pois a soma das duas emissoras não dá tão mais do que em anos anteriores.
O grande problema de Viver a Vida é Viver a Vida. Foram mais de 70 capítulos e a novela não disse a que veio, aliás, disse, ela veio para ser lembrada certamente como a pior novela de Manoel Carlos conseguindo a proeza de ser ainda pior que Páginas da Vida.
Uma trama arrastada - marca registrada de Maneco nos últimos tempos - cheia de didatismos desnecessários, alguém ainda aguenta o Miguel explicando tecnicamente o que é a tetraplegia? Ele já fez isso em todos os núcleos, logo ele vai aos programas da emissora falar sobre o tema. Além disso tudo, ocorre que a trama em si inexiste, simplesmente inexiste. Qual a história da novela, alguém sabe?
A mocinha Helena já foi auto-confiante, nariz empinado, chata, mesquinha, apaixonada, sem auto-estima, chorona, amiga e com tantas facetas de personalidade a única conclusão a que se pode chegar é que ela na verdade é esquizofrênica. A protagonista anda e passeia pelos núcleos como uma barata tonta que não tem história alguma para contar.
Giovana Antonelli que desde antes da estreia era tida como a grande vilã da década e que Maneco iria surpreender o país com essa personagem, ainda não disse a que veio. Coitada, ela não passa de um objeto de enfeite para a novela sem ter história alguma. E pior, de vilã, a moça não tem nada, ao contrário, ela é muito mais mocinha que a própria protagonista.
Todos os núcleos de Viver a Vida são chatos e modorrentos. Não há uma única história capaz de prender o telespectador. A história da Luciana? Nem tanto assim, o excessivo didatismo e o dramalhão mexicano que o diretor tem feito das cenas atrapalha muito o desenrolar da história e faz com que o telespectador enjoe rápido, como já aconteceu.
A novela - assim como todas as novelas ruins - tem alguns personagens interessantes. Neste caso, o melhor deles é vivido por Barbara Paz. Renata é a única pessoa de toda a novela com uma história interessante, que realmente vale a pena acompanhar, a interpretação de Bárbara está impecável, inclusive, a melhor da novela.
Manoel Carlos e seus defensores xiitas não cansam de dizer que seu estilo é de narrar com calma os fatos do cotidiano, que ele é o autor que mais se aproxima da realidade. Isso é um engano, Viver a Vida é cheia de cenas irreais (a cena em que Helena pede perdão a Thereza é uma prova disso, eu tinha a impressão que Thalía apareceria em cena dançando Maria do Bairro) e mesmo assim, Maneco se esquece de algo, novela é teledramaturgia, dramaturgia implica drama, histórias com fundos dramáticos e Viver a Vida não tem nem nunca teve isso.
Por isso o título deste artigo é sugestivo, de fato, 70 capítulos depois, dá pra dizer que Viver a Vida acabou, porque se em 1/3 da trama a novela não engrenou e não chamou a atenção, podemos desistir e esperar a próxima, porque dali não vai sair nada. Nada mesmo.
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