segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Acabou Viver a Vida


Depois de muito tempo sem falar uma palavra de Viver a Vida, a novela do horário nobre da Rede Globo, decidi que o tempo oportuno. Nesse período a novela continuou em baixa na audiência e, já tendo ultrapassado 70 capítulos não conseguiu chegar ao patamar dos 40 pontos, o que é motivo de preocupação, pois certamente sua média final será muito afetada (aliás, Viver a Vida está a frente somente de Caminho das Índias em toda a década, e ainda assim com uma diferença menor que um ponto e já está a quase 2 pontos atrás de A Favorita.).

A novela não tem audiência por uma série de fatores, alguns deles inclusive externos, como a concorrência que vem crescendo. O SBT com Sobrenatural e a Record com A Fazenda tem conseguido roubar alguns pontos da novela global, mas nada de surpreendente, pois a soma das duas emissoras não dá tão mais do que em anos anteriores.

O grande problema de Viver a Vida é Viver a Vida. Foram mais de 70 capítulos e a novela não disse a que veio, aliás, disse, ela veio para ser lembrada certamente como a pior novela de Manoel Carlos conseguindo a proeza de ser ainda pior que Páginas da Vida.

Uma trama arrastada - marca registrada de Maneco nos últimos tempos - cheia de didatismos desnecessários, alguém ainda aguenta o Miguel explicando tecnicamente o que é a tetraplegia? Ele já fez isso em todos os núcleos, logo ele vai aos programas da emissora falar sobre o tema. Além disso tudo, ocorre que a trama em si inexiste, simplesmente inexiste. Qual a história da novela, alguém sabe?

A mocinha Helena já foi auto-confiante, nariz empinado, chata, mesquinha, apaixonada, sem auto-estima, chorona, amiga e com tantas facetas de personalidade a única conclusão a que se pode chegar é que ela na verdade é esquizofrênica. A protagonista anda e passeia pelos núcleos como uma barata tonta que não tem história alguma para contar.

Giovana Antonelli que desde antes da estreia era tida como a grande vilã da década e que Maneco iria surpreender o país com essa personagem, ainda não disse a que veio. Coitada, ela não passa de um objeto de enfeite para a novela sem ter história alguma. E pior, de vilã, a moça não tem nada, ao contrário, ela é muito mais mocinha que a própria protagonista.

Todos os núcleos de Viver a Vida são chatos e modorrentos. Não há uma única história capaz de prender o telespectador. A história da Luciana? Nem tanto assim, o excessivo didatismo e o dramalhão mexicano que o diretor tem feito das cenas atrapalha muito o desenrolar da história e faz com que o telespectador enjoe rápido, como já aconteceu.

A novela - assim como todas as novelas ruins - tem alguns personagens interessantes. Neste caso, o melhor deles é vivido por Barbara Paz. Renata é a única pessoa de toda a novela com uma história interessante, que realmente vale a pena acompanhar, a interpretação de Bárbara está impecável, inclusive, a melhor da novela.

Manoel Carlos e seus defensores xiitas não cansam de dizer que seu estilo é de narrar com calma os fatos do cotidiano, que ele é o autor que mais se aproxima da realidade. Isso é um engano, Viver a Vida é cheia de cenas irreais (a cena em que Helena pede perdão a Thereza é uma prova disso, eu tinha a impressão que Thalía apareceria em cena dançando Maria do Bairro) e mesmo assim, Maneco se esquece de algo, novela é teledramaturgia, dramaturgia implica drama, histórias com fundos dramáticos e Viver a Vida não tem nem nunca teve isso.

Por isso o título deste artigo é sugestivo, de fato, 70 capítulos depois, dá pra dizer que Viver a Vida acabou, porque se em 1/3 da trama a novela não engrenou e não chamou a atenção, podemos desistir e esperar a próxima, porque dali não vai sair nada. Nada mesmo.

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sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Por toda minha a vida: um banho de produção


Não é de hoje que eu quero falar deste tema, mas creio que agora seja o melhor momento para falar deste programa que tem sido um diferencial da Televisão brasileira em 2009. Por toda a minha vida mostra a todos como se produzir um programa de qualidade.

Se formos tentar classificá-lo, já começam as dificuldades, pois não é fácil saber se ele deve ser colocado como um programa jornalístico, linha de shows, entretenimento, uma vez que absolutamente todos os elementos de cada um destes estilos de programas televisivos são vistos em Por toda a minha vida.

A começar pelo excelente trabalho de pesquisa que certamente é realizado por uma equipe séria de jornalistas compromissados com a verdade, afinal o objetivo do programa não é melhorar ou tornar mais dramática a história de vida dos astros brasileiros já mortos, mas mostrar exatamente como foi a vida deles. As histórias contadas revelam que a pesquisa é feita com muito cuidado buscando detalhes que normalmente passariam despercebidos pela maioria.

A forma encontrada para se narrar a história também é muito interessante. Não apenas porque a produção dramatiza boa parte da história, isso também é interessante, mas a grande sacada é a mescla entre dramatização, testemunhos de amigos e narração de Fernanda Lima, essa junção torna o Por toda a minha vida dinâmico e muito interessante de se assistir.

O tom dado a narrativa também é muito importante para que este seja um dos melhores produtos produzidos pela TV brasileira no ano. Como normalmente os artistas brasileiros que morreram jovens estavam sempre envoltos a polêmicas, o Por toda a minha vida poderia muito bem abordar este aspecto o que certamente seria garantia de audiência, mas a opção da direção é de não apelar, antes conseguir audiência pela qualidade técnica e pela capacidade que a história em si tem de emocionar. Mais um ponto positivo.

Fernanda Lima, só pra variar um pouco, segue impecável. Ela encontrou o tom na apresentação de um programa deste estilo e está perfeita em seu papel. Sua voz nunca ultrapassa o ponto, em determinados momentos ela está fria como deve ser e em outros imposta uma emoção perfeita para o momento.

Seria difícil decidir qual foi o melhor dos últimos Por toda a Minha vida exibidos pela Rede Globo. Mamonas Assassinas, Cazuza, Claudinho e, essa semana, Raul Seixas, todos tiveram pontos positivos e beiraram a perfeição técnica. Nós, telespectadores, podemos não conseguir escolher qual o melhor programa entre estes, mas temos a certeza ao assistir Por toda a minha vida qual o motivo da Globo ser a líder disparada de audiência no Brasil. A qualidade de sua produção é infinitamente superior.

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