quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

Top 15: As melhores cenas de 2012

Todo ano este blog faz as melhores cenas que foram ao ar no respectivo ano na teledramaturgia nacional. Normalmente é um top 10, mas em 2012, por conta da quantidade absurda de boas cenas, tornar-se-ia uma tarefa hercúlea e injusta escolher apenas dez. Então, seguindo a sugestão de uma amiga, resolvi fazer um top 15, ainda que apareça as 10 melhores, vale frisar que o top 15 foi feito para que todas possam figurar na lista. Eis as melhores cenas de 2012:

15ª - Revelação de que Dorotéia já foi Quenga - Gabriela


Gabriela pode não ter tido o mesmo destaque e a qualidade ímpar de sua antecessora, porém, é preciso salientar que houve bons momentos. A personagem Dorotéia ( Laura Cardoso) facilmente entra pro hall dos melhores trabalhos de sua intérprete. A revelação de que a personagem já foi quenga e que, portanto, sua vida de beata que julga tudo e todos e que preza pelos bons valores não passava de hipocrisia foi uma das mais marcantes de toda a novela de Walcyr Carrasco.

14ª Morte de Verbena - Amor Eterno Amor


Elizabeth Jhin não foi tão feliz em sua segunda telenovela retratando o tema espírita. Muito didática, a obra acabou cansando o público e em alguns momentos apresentava núcleos confusos e que diziam muito mais respeito a quem professava a fé espírita do que ao público em geral. Ainda assim, a cena em que Verbena (Ana Lúcia Torre) morre é de uma leveza que impressionou. Direção muito bem feita e atuação impecável do elenco em cena.

13ª Casamento de Rita e Batata - Avenida Brasil


A novela que parou o Brasil como a muito não se via já dava sinais de que seria uma obra-prima da teledramaturgia nacional em seus primeiros capítulos. A forma como João Emanuel Carneiro construiu a história de amor entre Rita (Mel Maia) e Batata (Bernardo Simões) num lixão foi toda inspiradora, lembrando contos de fadas que emocionavam. O casamento das duas crianças foi um dos momentos mais lindos da TV em 2012.

12ª  Em julgamento, Coronel Jesuíno confessa amar Sinházinha - Gabriela


Além de Laura Cardoso, outro nome que certamente agradece a Deus por ter trabalhado em Gabriela é José Wilker. No papel do machista e lascivo coronel Jesuíno, o ator teve dos melhores momentos da TV brasileira no ano. Além de cenas realmente divertidas, ele protagonizou cenas fortes e que exigiam muita dramaticidade. Foi o caso do momento em que ele reconhece amar Sinházinha (Maitê Proença) e explica que, mesmo a amando, teve de matá-la. Emocionante.

11ª Morena descobre que foi enganada e agride Wanda - Salve Jorge


A nova novela de Glória Perez ainda não pegou. Enfrentando todos os problemas externos que um folhetim poderia, a trama está longe de cair no gosto popular e sofre com críticas - algumas justas e outras nem tanto. Mas é impossível negar que a sequência em que a protagonista Morena (Nanda Costa) descobre que foi enganada e caiu em uma armadilha sendo traficada para prostituir-se na Turquia e, por isso, agride violentamente Wanda (Totia Meirelles) seja das melhores coisas que a TV brasileira viu em 2012.

10ª Após afundar o barco, Carminha chora por Max - Avenida Brasil


A melhor novela do ano. A melhor personagem do ano. Carminha (Adriana Esteves) em um de seus muitos atos insanos decide se livrar de seu comparsa Max (Marcelo Novaes) para se safar mais uma vez. Após afundar o barco do vilão, a personagem relembra que eles formavam uma dupla e tanto, mostrando que provavelmente ele foi a única pessoa que Carminha amou de fato, a vilã chora o que ela acreditava ser a morte de seu companheiro de anos. Um dos muitos momentos incríveis dessa novela.

9ª Cida se demite e se transforma em Empreguete - Cheias de Charme


Cheias de Charme veio para mostrar que é possível fazer uma trama leve, bem humorada e com qualidade, sem precisar apelar para o filão do humor fácil e bobo. A novela se transformou em febre e, não fosse o fenômeno de Avenida Brasil, certamente seria o folhetim do ano. Nesta cena, Cida (Isabelle Drummond) finalmente se livra da tirania dos Sarmentos, se demite e se transfigura em empreguete, com o apoio das duas amigas. Cena muito marcante.

8ª Nina faz tortura psicológica com Carminha - Avenida Brasil


Um dos momentos mais sensacionais da trama de João Emanuel Carneiro foi a semana da virada em que, Nina (Débora Falabella) se transfigura numa espécie de vilã e despeja todo o seu ódio e rancor contra a mulher que havia destruído sua vida, Carminha (Adriana Esteves). Foi uma semana inteira com cenas fortes e cheia de ótimos momentos. Um desses, é quando a protagonista exige que a vilã lhe sirva, mostrando que virou o jogo e que é ela quem manda.

7ª Clipe Vida de Empreguete - Cheias de Charme


Além de toda a qualidade que a trama apresentou, Cheias de Charme inovou ao juntar de forma real pela primeira vez o mundo da TV com o mundo da internet. Ao criar um viral dentro da narrativa da novela em que as 03 protagonistas gravam um clipe que cai na internet e, lança-lo primeiro na internet de fato, e não na TV, a novela ousou e mostrou funcionar. Vida de Empreguete se transformou num dos vídeos mais acessados do ano e rapidamente virou hit por todo o Brasil. E o clipe é de uma qualidade ímpar.

6ª Sequência da Morte de Max - Avenida Brasil


A morte de Max (Marcelo Novaes) nem foi dos momentos mais importantes da novela. No fim das contas, ela serviu apenas para explicar o passado das personagens do lixão. Ainda assim, toda a sequência da morte e a cena que explica como se deu o assassinato do vilão foi espetacular, mostrando uma sintonia rara entre texto, direção e elenco. O jogo de terror imposto por João Emanuel Carneiro somente foi possível graças a primorosa e ousada direção que também extraiu o máximo que pôde do elenco envolvido.

5ª Lygia fica entre a vida e a morte - Cheias de Charme


Uma novela de humor não significa que não pode ter cenas dramáticas, ao contrário. E Cheias de Charme também mostrou competência quando precisou caminhar pelo melodrama. Ao escolher a única boa das patroas, Lygia (Malu Galli), para enfrentar uma doença com momentos de certeza de que a personagem morreria, os autores mostraram coragem. A sequência em que Penha (Taís Araújo) teme perder a amiga e a família sofre no hospital é impossível de conter as lágrimas.

4ª Nina e Carminha se perdoam - Avenida Brasil



"Não é vingança, Tufão, é justiça". Foi assim que Nina (Débora Falabella) definiu sua história de vida para Tufão (Murilo Benício) em dado momento. Após conseguir praticar o que ela acreditava ser justiça, quase destruído a própria vida e feito Carminha (Adriana Esteves) pagar e enxergar seus próprios erros, o último capítulo mostrou as personagens se compreendendo e deixando para trás a história amarga que as marcou tanto. Não foi exatamente uma reconciliação, foi um acerto de contas do bem. Linda cena.

3ª Monólogo de Carminha - Avenida Brasil


Que Carminha (Adriana Esteves) é das melhores personagens da história da TV ninguém duvida. Ela protagonizou dos melhores momentos que a teledramaturgia nacional já teve notícias e um desses momentos de rara felicidade foi o monólogo da personagem, bêbada e desiludida após descobrir que havia sido enganada por Nina (Débora Falabella) e Max (Marcelo Novaes). Cuspindo frases fortes de alguém com muita mágoa no coração, inclusive contra Deus, a personagem teve um de seus melhores momentos em toda a telenovela.

2ª Ana e Manuela brigam - A Vida da Gente


A Vida da Gente não fez propriamente sucesso nos números de audiência. Ainda assim, a extrema qualidade do folhetim que soube como poucas vezes fazer uma leitura correta da alma humana e provocava diariamente reflexões importantes sobre o relacionamento de cada um de nós, foi o ponto forte e a ótima surpresa. Um dos momentos mais aguardados da novela foi o embate entre Manuela (Marjorie Estiano) e sua irmã Ana (Fernanda Vasconcellos). Na sequência, as duas cuspiram uma contra a outra todas as mágoas guardadas por tempos e o público foi brindado com uma das melhores cenas do ano.

1ª Carminha enterra Nina viva - Avenida Brasil


Impossível fazer um top com as melhores cenas de 2012 e não colocar esta no topo. Até porque, certamente esta sequência aparecerá em qualquer top de melhores cenas da história da teledramaturgia. A ousadia com que João Emanuel Carneiro escreveu e a direção soube fazer a leitura correta da sequência foi impressionante. Lembrando dos melhores filmes de terror psicológico, a cena mostrou que a teledramaturgia nacional pode ousar e fugir do lugar-comum. Um dos momentos mais aterrorizantes que a TV teve notícias e com direito a show de Adriana Esteves e, neste caso, principalmente de Débora Falabella que entregou seu corpo, alma e espírito na sequência. De longe, a melhor cena não só de 2012, mas em anos.

Curioso para comparar? Então vamos la: Clique aqui e veja as melhores cenas de 2011

quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Os Perigos da Licença Poética

Muito mais do que crítico, sou um apaixonado pelas telenovelas. Quem acompanha este espaço sabe que sou um dos fãs do formato e tenta acompanhar o maior número possível dessas produções - ainda que muitas de qualidade duvidosa - é o que eu chamo de prazer em reconhecer os meandros e detalhamento que somente as novelas permitem.

Um dos elementos técnicos de um folhetim é a licença-poética. Muito utilizada pelos autores, ela é delicada e sempre insurge em discussões polêmicas entre os próprios dramaturgos, a crítica e, por vezes, os telespectadores mais atentos e críticos. Licença-poética é a o fato de Nina (Avenida Brasil) sacar um milhão de reais do Banco e sair com uma sacola de dinheiro; licença-poética é todo personagem que cai de escada morrer (Fina Estampa); licença-poética é personagens de outros países falarem em português, como é o caso das últimas novelas de Glória Perez e aqui inclui-se Salve Jorge. Uma observação é importante: não confundir licença-poética de uma obra que se propõe em ser realista com uma trama que trata de realismo fantástico. Açucena ressuscitar com um beijo de seu amor Jesuíno, em Cordel Encantado, não é licença-poética, é realismo fantástico.

Diante disso, é preciso saber utilizar a licença-poética de forma que ela não perca a coerência ao longo de todo um folhetim. Quando o autor lança mão desta técnica, ele precisa ampliar seu campo de visão e compreender que, para fazer sentido, o elemento precisa ser utilizado de forma que o telespectador compreenda que se trata de uma saída dramatúrgica sem que se comprometa toda a estrutura narrativa de sua produção.

No capítulo natalino (!) de Salve Jorge ocorreu um desses deslizes imperdoáveis por conta da tal licença-poética. Desde que a novela estreou a autora Glória Perez usou o artifício de que todas as personagens turcas falem a Língua Portuguesa. O recurso é obviamente aceitável, pois num veículo de comunicação de massas, no horário de maior visibilidade da TV brasileiro, não se pode exigir que o telespectador raso acompanhe toda uma história com legendas. Porém, para que a licença-poética faça algum sentido, ela precisa fazer parte da estrutura narrativa e não apenas quando convém.

E no capítulo da última terça-feira (25) houve um ruído grave nesta licença-poética que é emprestada pela autora em praticamente todos os seus trabalhos. Em todos os lugares da Turquia de Salve Jorge as personagens fala português, inclusive numa das vilas mais tradicionais, como se viu durante a visita de Bianca (Cléo Pires) que se relacionou normalmente com todos ali sem problema algum de comunicação, é a licença-poética funcionando como deve. Porém, o mesmo não ocorreu na sequência em que se viu Jéssica (Carolina Dieckmann) na delegacia. A personagem fugindo da quadrilha de Lívia (Cláudia Raia) foi parar numa delegacia e, para espanto geral, nenhum policial entendia o que ela falava e ela não entendia nenhum dos presentes, apenas um, servindo de escape para a cena fazer sentido, é que falava nossa língua.

Este é o típico deslize que não pode acontecer. Ou a licença-poética utilizada é abordada de forma coerente ou nada mais faz sentido e o telespectador fica sem compreender. Está certo que toda a sequência foi uma saída para que a personagem fosse presa e, em seguida, voltasse para as mãos da quadrilha, mas esta foi uma saída rasa e simplista que acabou por comprometer todo o trabalho técnico que vinha sendo utilizado de forma coerente. Aparentemente, na Turquia de Glória Perez, apenas os policiais falam turco e não entendem português. Uma pena porque comprometeu um capítulo quase impecável.

domingo, 23 de dezembro de 2012

Pai Demlo Ataca: Novelas 2013

E o Pai Demlo está de volta (saravá, meu filho). Depois do sucesso estrondoso e da quantidade espantosa de acertos que este ser espiritual que vos fala obteve no final de 2011, decidi resgatar este "quadro" do blog para o fim de 2012. E 2013 promete muito em novidades para as telenovelas brasileiras, então Pai Demlo prevê:

Globo:

Flor do Caribe - 18 Horas

Walter Negrão está de volta e, ao que parece, disposto a retomar sucessos como Tropicaliente. Com elenco interessante, tendo Grazzi Massafera como protagonista, além de nomes como Henri Castelli, Dudu Azevedo, José Loretto e Débora Nascimento, a trama não parece ter força suficiente para reconquistar a audiência para o horário. A novela certamente não será ruim, pois o autor sabe fazer folhetins leves e interessantes para o horário, mas não será nada de extraordinário e não alcançará a meta de audiência.

O Pequeno Buda - 18 Horas

Duca Rachid e Thelma Guedes novamente no horário das 18 Horas. A dupla responsável pelo último grande sucesso do horário com Cordel Encantado retorna para enfrentar um horário delicado. Com previsão de estreia para o segundo semestre, a novela vai enfrentar o terror chamado horário de verão e certamente irá sofrer por isso. A tirar pelo talento que as autoras demonstraram ter, pela criatividade em envolver elementos de forma homogênea e pelo elenco parcial divulgado - Bruno Gagliasso, Mariana Xiemenes e Nathália Dill - a novela deve ir bem. Dificilmente repetirá o sucesso da trama anterior das autoras, mas a aposta é para um média que chegue bem perto da meta.

Sangue Bom - 19 Horas

O trabalho fino e minucioso de uma das melhores dramaturgas do Brasil dará o ar da graça em 2013. Depois de anos de ausência com um trabalho inédito, Maria Adelaide Amaral continua no horário das 19 Horas - depois do sucesso com o remake de Tititi - e agora com uma obra própria, dividindo a autoria com Vincent Villari. O talento da autora dispensa comentários, embora seja sua primeira novela inédita (de inédito, apenas minisséries), é possível afirmar sem medo de errar que o folhetim irá dar novo fôlego ao horário e se manterá na meta de audiência para o horário. 

Em Nome do Pai - 21 Horas

A primeira novela de Walcyr Carrasco no principal horário da teledramaturgia nacional é uma incognita. Dono das melhores audiência - comparando a meta à média geral - o autor chega ao horário com uma história que, ao que tudo indica, será muito polêmica e cheia de meandros. Com bom elenco, tendo nomes de peso como Antônio Fagundes e Ary Fontoura, além do primeiro vilão de Mateus Solano, a novela deve cair na boca do povo por conta das polêmicas que irá levantar. É bastante provável que Walcyr não decepcione nos números de audiência, mas também parece improvável que ele seja unânime entre os críticos. A novela chegará perto da meta, mas não será elogiada.

Saramandaia - 23 Horas

Apenas a terceira novela do novo horário estabelecido pela Globo. Após o sucesso de crítica de O Astro e a boa repercussão de Gabriela, chegou a vez deste remake pelas mão de Ricardo Linhares. A controversa obra, sucesso quando exibida pela primeira vez, não é uma trama para ter meio termo. Ou ela será um sucesso estrondoso ou um retumbante fracasso. Infelizmente, Pai Demlo não aposta no sucesso, ainda que a novela tenha nomes como Cláudia Jimenez e Fernanda Montenegro. Será o primeiro fracasso do horário.

Record

Dona Xepa - entre 06h00 e 00h00

Ninguém sabe qual o horário desta novela porque ninguém pode garantir qual a grade da Record sequer para amanhã, quanto mais para o ano que vem. Gustavo Reiz é o novelista responsável por inaugurar o que parece ser o segundo horário de telenovelas da emissora. Inaugurar porque trata-se de um horário reservado para novelas de pequeno porte, essa terá 90 capítulos. Com elenco constrangedor que reúne metade da turma dos Rebeldes, é certo que esta novela será o que há de mais vergonhoso para a teledramaturgia nacional em 2013. Sem audiência, sem repercussão e com cenas abaixo de qualquer crítica.

Novela de Carlos Lombardi - entre 18h00 e 00h30

Impossível prever também em qual horário entrará esta trama. Prevista para substituir Balacobaco que também já dançou no horário mais que bailarinos do Dança dos Famosos, a primeira novela de Carlos Lombardi fora da Globo deve estrear ainda no primeiro semestre de 2013. Pouco se sabe da história desta novela ou de seu elenco. Mas conhecendo o autor, é provável que encontremos uma trama recheada de humor e com situações tão bizarras que chegam a divertir. O grande problema será a direção, incapaz de captar a mensagem de um autor como Lombardi. Por isso, a aposta é em números fracassados de audiência.

SBT

Chiquititas - 20h30 se o Sílvio Santos deixar

Depois do astronômico sucesso com a versão brasileira de Carrossel, o SBT quer investir neste filão. Para tal, optou-se pelo remake de Chiquititas. Engana-se, porém, quem acredita que a estratégia seja equivocada, não é. O público de Carrossel estará envelhecido um ano e certamente Chiquititas é uma boa escolha, pois é uma trama um pouco menos infantil, além de dar a oportunidade das personagens crescerem junto com o público. Íris Abravanel será a responsável pelo roteiro, o que é um problema, pois a autora não terá descanso e manterá o enfoque no mesmo público, o que pode ser prejudicial. Ainda assim, Pai Demlo aposta que Chiquititas fará ainda mais sucesso que a atual novelinha.

sábado, 15 de dezembro de 2012

As Telenovelas são de atrizes?

Se tentarmos fazer uma reflexão sobre a arte de atuar e a indústria mercadológica que esta profissão criou, iremos perceber alguns elementos muito importantes, mesmo que num olhar abrangente para o mundo todo e não apenas no Brasil. Cada vez mais há uma clara tendência de se perceber destaques em atuação diferentes para cada área, o que pode se tornar um problema daqui há alguns anos e limitar bastante o campo de trabalho destes profissionais.

Está claro que no Cinema Mundial os grandes destaques são os atores. Por mais que hajam mulheres que fazem composição por vezes brilhantes - como Meryl Streep - é impossível tentar comparar o grau de destaque. As premiações cada vez mais deixam claro que o segundo prêmio mais importante - depois de melhor filme - é o de melhor ator. É como se a crítica de Cinema considerasse os homens peça fundamental na engrenagem para a produção de um bom filme.

O teatro, aparentemente mantém isso bem dividido. Seja no Brasil ou em qualquer parte do mundo, ainda há espaço para homens e mulheres. O grande problema, talvez, é que este tipo de arte segue a tendência do início do novo milênio e cada vez mais se torna um veículo para uma nata, uma elite intelectual que se dispõe a assistir uma peça.

Chegamos, finalmente, às telenovelas. Se no resto do mundo as produções há bastante tempo priorizam as atrizes - veja as novelas mexicanas - o Brasil parece ter adotado essa tendência com uma força incomparável. Antes, o país sempre acompanhava uma dupla muito forte, seja a mocinha e o mocinho ou o casal de vilões. Fato é que sempre havia personagens masculinos tão fortes quanto os femininos. Não mais.

No principal horário de telenovelas do país, às 21 Horas, percebe-se isso há algum tempo. A Favorita contou a história de duas mulheres, Caminho das Índias mostrou a dor de uma mulher perdida em meio a sua cultura, Viver a Vida acompanhou o drama de uma mulher que ficava paralítica, Passione apresentou uma vilã perversa em que tudo girava em torno dela, Insensato Coração levou ao público a história de uma mulher movida pelo ódio ao seu algoz, Fina Estampa conduziu a história de duas mulheres que se odiavam, Avenida Brasil contou a história de uma mocinha capaz de tudo por vingança e de uma vilã inescrupulosa e, agora, Salve Jorge apresenta uma mocinha enganada e traficada.

Óbvio que todas essas tramas tiveram mocinhos, tiveram vilões, mas sem a mesma força das personagens femininas. É um dado curioso notar que ano após ano em premiações as melhores atrizes se tornam a principal categoria, por vezes, mais festejadas que propriamente a categoria de melhor novela que, teoricamente, é a mais importante.

Atualmente as três novelas no ar fazem com que atrizes se destaquem. Lado a Lado é uma vitrine de boas atrizes, Patrícia Pilar, Camila Pitanga, Marjorie Estiano. Guerra dos Sexos apresenta uma Glória Pires inspirada, assim como Mariana Ximenes muito bem e um destaque positivo para Luana Piovani. E Salve Jorge, além da protagonista já citada, há o destaque para Totia Meireles, roubando a cena como vilã. 

E 2012 já foi o ano de uma atriz, Adriana Esteves foi endeusada como raras vezes se viu neste país por conta de sua composição brilhante como vilã. O último grande momento de um ator no Brasil, em que ele se tornou o principal nome de interpretação foi, provavelmente, com Paraíso Tropical, em que Wagner Moura deu show.

A tendência é de que as telenovelas se foquem cada vez mais em atrizes? No ano em que a Globo levou ao ar a novela Guerra dos Sexos, é possível afirmar que há uma espécie de guerra entre homens e mulheres e que elas estão levando vantagem para ganhar destaques no folhetim? Difícil afirmar que o futuro será assim, mas parece claro que este é a fotografia do presente.

domingo, 9 de dezembro de 2012

Roteiro atrapalha que Lívia seja, de fato, vilã

É visível, quase palpável, a significativa melhora de Salve Jorge nas últimas três semanas. Desde o momento em que o texto começou a preparar as situações para que o núcleo mais chamativo - o do tráfico de mulheres - se encontrasse com o núcleo principal, ao colocar Morena (Nanda Costa) como uma das traficadas, a novela entrou de vez nos eixos e, a cada capítulo, só melhora, mesmo nos outros núcleos que parecem melhor organizados.

Contudo, quem parece se manter fora dos eixos da linha narrativa do folhetim é a principal vilã da história, Lívia (Cláudia Raia). Uma enxurrada de críticas respingou na atriz desde a estreia, o que eu discordo. Cláudia vem bem no papel desde sua primeira cena, contudo, é preciso observar que o texto não colabora com ela desde o primeiro momento e, aparentemente, a situação só piora. Ao que parece, houve um erro de cálculo de Glória Perez, autora da obra, e também da direção no momento de criar as nuances de Lívia para que ela fosse tida como a grande vilã dessa obra.

Num primeiro momento, a chefe da quadrilha de tráfico de mulheres foi pintada da forma correta. Uma mulher que não suja as mãos, apenas comanda uma importante e internacional rede de tráfico de pessoas, mulheres para prostituição e venda de bebês. Porém, Lívia nunca foi colocada em situações que realmente a mostrassem com o poder que lhe cabia. Sempre circulando entre os ricos e bondosos da novela com frases de efeito para mostrar que ela é sem escrúpulos, a personagem mais falava do que fazia. Quando contracenava com Wanda (Totia Meirelles), ela se mostrava mais amiga do que chefe. Erro do texto, não da atriz.

Aparentemente - e é impossível afirmar com certeza sem ouvir a autora - percebeu-se que Lívia estava sendo deixada de lado por Wanda, a verdadeira vilã da novela até o momento - também graças ao brilhante trabalho de Totia - e essa semana algumas cenas diferentes começaram a ir ao ar. Se foi mudança no perfil do texto ou não, não importa, ocorre que a tentativa de corrigir um erro acabou criando outro, muito pior e que descaracteriza a personagem.

Cenas dessa semana mostraram Lívia indo buscar dois bebês, dirigindo por praticamente todo o Rio de Janeiro com esses bebês no carro, levando-os para seu quarto num importante hotel, passando a noite cuidando das crianças para, no fim, entregá-los aos pais adotivos que compraram as crianças traficadas. Toda a intenção dessa sequência foi claramente para mostrar o caráter vilanesco da personagem e fazer com que o público a odeie, tal qual odeia Wanda. Tiro no pé.

Lívia, como líder dessa Rede Internacional de Crimes, jamais poderia ser colocada em situações assim. Numa comparação estapafúrdia, seria como Fernandinho Beira Mar ir a um Morro qualquer, parar num beco e ficar vendendo drogas. Não funciona assim. O líder de uma Rede deste nível jamais se exporia a uma situação assim e tudo soou tão falso, tão mentiroso, que piorou a situação de Lívia junto ao público.

A personagem precisa urgentemente de uma identidade. Ela precisa ser tida como uma entidade superior, intocável e que comanda toda a Rede com mão de ferro. Para isso, é preciso que a autora crie situações de liderança, que obriguem Lívia a mostrar sua autoridade junto a seus funcionários. Uma das poucas cenas realmente convincentes da personagem, foi a ousadia de colocar uma câmera para saber tudo que ocorre no escritório de advocacia para descobrir se era investigada. São de situações assim que a vilã precisa para ser vista como a poderosa líder. Do contrário, ou ela fica descaracterizada ou a tendência é continuar à sombra de Wanda.

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Salve Jorge encontra seu caminho. E promete!

Por mais que este que vos fala discorde da opinião geral de que a primeira fase de Salve Jorge tenha sido das piores coisas da TV, é inegável que houve uma rejeição gritante para com a novela. Quando se há rejeição, cria-se uma espécie de birra e, por mais que haja um esforço de produção para melhorar os rumos do produto, as críticas continuam ecoando ainda por um tempo, principalmente quando elas são amparadas por números constrangedores de audiência.

Mas, verdade seja dita, nas últimas duas semanas, o folhetim das 21 Horas deu um salto de qualidade e tanto. A trama não era péssima, mas mostrava-se bastante arrastada numa espécie de Prólogo da História que a autora pretendia contar - a primeira fase com a protagonista ainda no Brasil e vivendo um romance com o mocinho. Independente disso, nas duas últimas semanas, com a preparação do roteiro para a primeira virada, o texto claramente ganhou agilidade, mesmo com diversos núcleos tudo foi se amarrando de forma mais clara e, a sensação de confusão que pairava nos primeiros capítulos, deixou de existir.

O capítulo de ontem foi, certamente, o primeiro a ser elogiado de forma quase unânime - quase porque a birra ainda permanece - e com razão. De longe, foi o melhor capítulo de Salve Jorge desde a estreia, mas não foi um momento solto e que não causa sequer esperança para o público. A autora preparou muito bem este momento de clímax criando situações importantes e que foram chamando a atenção do telespectador ao longo das últimas semanas.

O roteiro da novela vem muito bem amarrado e construiu uma relação forte que certamente irá agregar agora que a saga de sofrimento de Morena (Nanda Costa) finalmente começou. Enxergar, contudo, apenas a protagonista sendo inserida na trama mais atraente desde o início - o tráfico de mulheres - é simplificar. Todos os núcleos da novela se encorparam e ganharam vida, passaram a fazer sentido no contexto da história contada pela autora.

Mas é preciso frisar que o público sempre abraçou melhor o núcleo do tráfico. Por isso, olhando para trás, percebe-se que o Prólogo pretendido por Glória Perez tenha sido, talvez, o grande equívoco da autora. Tal qual Insensato Coração demorou quase 100 capítulos para construir a personalidade sórdida de Norma (Glória Pires) em sua vingança contra Léo (Gabriel Braga Nunes), arrastando a trama, em Salve Jorge foi desnecessário tantos capítulos para introduzir Morena ao núcleo do tráfico. Toda a história de amor entre ela e Théo (Rodrigo Lombardi) poderia ser contada de outra forma e bem mais rapidamente. A introdução - que serviu para construir a personalidade das personagens - acabou se tornando maior que o necessário.

Independente disso, está claro que não tivemos um capítulo solto. A história engrenou e isso é inegável. O roteiro tornou-se atraente e permitiu com que o elenco se destaque, como foi o caso de Totia Meireles e Nanda Costa. As duas protagonizaram uma excelente sequência nos dois últimos capítulos, desde a partida do Brasil, até a briga, já na Turquia. Nanda Costa, aliás, vem construindo uma protagonista dificílima e mostrando estar pronta para este árduo trabalho. A atriz vem fazendo bonito em cena.

Fato é que Salve Jorge encontrou seu caminho. Com a chegada de Morena a Turquia, o sofrimento da mocinha está apenas começando e a introdução para a história que a novela realmente pretende contar acabou. É hora de puxar a cadeira e acompanhar esse enredo que está apenas começando. E promete. 

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Luciana By Night eleva o patamar da apresentadora

Desde que estreou na TV há anos, Luciana Gimenez se transformou numa figura controversa. Assumindo o Superpop, até então comandado pela competente Adriane Galisteu, a ex-modelo e ex de cantor famoso mudou o formato do show e o transformou numa sucessão de bizarrices, ganhando o título de um dos piores programas da TV brasileira.

Com erros de português e frases que acusavam uma total falta de conhecimento do mundo, a apresentadora ganhou fama por, digamos, sua capacidade em mostrar-se menos inteligente do que a maioria, sendo satirizada por diversos meios de Comunicação. Ganhou até o apelido carinhoso de Lucianta, dado pelo colunista da Folha José Simão.

Mas nada a abalou e ela continuou desenvolvendo seu trabalho. Na estreia do Luciana By Night na noite da última terça-feira, todos - público e crítica - tiveram de assistir pasmados quem é verdadeiramente a apresentadora Luciana Gimenez. Dona de um carisma inconfundível e com uma capacidade de improviso bastante interessante, a apresentadora mostrou-se bastante confortável a frente deste formato, ao menos na estreia.

É bem verdade que não se pode fazer uma análise profunda de um talk show desse molde apenas pela estreia, principalmente se levarmos em consideração que, na Rede TV!, não há um programa que, no fim das contas, não exagere no estilo popularesco e ataque para o caminho do bizarro. Por este primeiro programa, contudo, não é o que parece.

Luciana Gimenez ficou absolutamente a vontade, mesmo nos momentos de improviso, como no stand up dos primeiros minutos. Durante a entrevista - aliás, um acerto levar Ana Hickmann, mostrando que o nível do programa é bem diferente do Superpop - ela mostrou-se segura, embora não tenha se aprofundado muito em nenhum tema importante.

A impressão que se deu foi que a apresentadora estava literalmente em sua casa recebendo amigos para uma pequena festa, não tão formal, mas longe da informalidade também. Luciana By Night serviu, nesta estreia, para mostrar que Luciana Gimenez tem talento nato e estava mal aproveitada, com o formato de um talk show de verdade, ela tem muito a crescer. Quando estiver mais segura e puder desenvolver melhor as entrevistas, é possível que ela possa tratar de temas ainda mais profundos, mas no momento, o que se viu, foi bastante elogiável.

Twitter Facebook Adicionar aos Favoritos Mais

 
Tecnologia do Blogger | por João Pedro Ferreira