sexta-feira, 20 de maio de 2011

Sinal amarelo acende na Record

Programa do Ratinho derrotou a Record e voltou a vice-liderança
Desde que assumiu a vice-liderança na audiência, a Rede Record já fez um sem número de promessas e garantias de que em um determinado período de tempo assumiria a liderança deixando a Globo para trás. Esse período sempre é modificado, já que ele vence e a sonhada liderança nunca chega. Porém, o Caminho da Liderança parece estar tomando direção inversa.

Já faz algum tempo que a emissora de Edir Macedo não conquista médias significativas de audiência em qualquer programa de sua Grade. Aparentemente a emissora atingiu o ápice de seu potencial e, a partir daí, começou a sofrer o que toda emissora sem a estrutura e organização da Rede Globo sofre, queda de qualidade e, consequentemente, de audiência.

Este problema surgiu não é de hoje. Já há algum tempo a Record dá mostras de desgastes e, em períodos singulares do ano, sofre com a concorrência do SBT. Com muito mais dinheiro e capacidade de investimento, sempre que isso ocorre a emissora promove algumas alterações, injeta dinheiro em alguns programas e consegue controlar o crescimento da concorrência, mas estes momentos dão provas de que a emissora não é o que diz ser e muito menos o que os fãs acreditam.

O sinal amarelo voltou a se acender pelos lados da Barra Funda nos últimos dias. Suas novelas não conseguem mais ser sombras do que foram um dia, quase nunca elas conseguem atingir a meta, senão nos últimos capítulos, e olhe lá. Outros produtos vem dando mostras de cansaço, é o caso de Domingo Espetacular e O Melhor do Brasil, além de CSI.

Na noite da última quinta-feira a fragilidade na programação da Record ficou evidente e, mais do que isso, ficou aparentemente claro que a emissora não está perto da Globo, é o SBT quem está perto da Record. Só para se ter uma idéia, veja os números do horário nobre, segundo a prévia:

O Programa Aventura Selvagem do SBT teve 07 pontos de média. Venceu CSI e perdeu para o Jornal da Record por 01 ponto. Chegou a abrir 04 pontos de diferença.

O Programa do Ratinho do SBT ficou na vice-liderança com 07 de média contra 06 da Record. No confronto com a novela Vidas em Jogo, venceu por 07 a 05.

A Praça é Nossa do SBT ficou na vice-liderança com 9 pontos de média contra 06 da Record.

CSI, da Record, fechou em terceiro lugar perdendo para o SBT de 6,9 a 6,6

Ídolos da Record fechou em terceiro lugar perdendo para o SBT de 9 a 7.

Vidas em Jogo, da Record, foi vice, porém fechou com apenas 8 pontos de média contra 06 do SBT.

Esses números servem para mostrarem que a situação está complicada para a Record. No horário nobre a emissora ficou em 3º lugar em 02 programas e o SBT se manteve na vice-liderança em 03 programas. Isso aponta para grande fragilidade na atual programação noturna da emissora em que todas as suas grandes apostas estão muito longe da audiência ideal. Pelo visto, a Record só é vice-líder pela total falta de capacidade do SBT em brigar de igual para igual.

quinta-feira, 19 de maio de 2011

O Desgaste de CSI aponta falta de tato da Record

Há dois anos o SBT teve a idéia de transformar suas séries numa espécie de novela das 9 e passou a exibir no horário, diariamente, Sobrenatural. A ideia deu tão certo - a emissora conquistou altos picos com o produto e se transformou em vice-líder - que foi copiada pela concorrente Rede Record sem o menor pudor. A emissora da Barra Funda mudou sua programação noturna e colocou no principal horário a consagrada série americana CSI e deu resultados.

Desde então ela é vice-líder sem grandes dificuldades e, em muitos momentos foi um tormento para a Rede Globo que no horário exibe suas principais novelas. Viver a Vida e Passione sofreram bastante tendo alguns pontos roubados por CSI que chegou a conquistar impressionantes 17 pontos de pico. Porém, como se sabe, a Globo que tem tradição em teledramaturgia muda seus produtos constantemente, mesmo mantendo o horário, pois as novelas chegam ao fim e, por isso, consegue sempre o interesse do telespectador graças a outras histórias e outros personagens.

CSI conta com mais de 10 temporadas e a Record ainda transmite inúmeras reprises. Graças a essa completa falta de tato e estratégia, a emissora conseguiu destruir com as próprias mãos a melhor arma que tinha. A série serviu por dois anos como ponto de equilíbrio da grade noturna, pois ela preparava - e muito bem - a audiência para a novela que viria a seguir. Isso não vem acontecendo já há algum tempo.

Com a mudança na programação do SBT e a coragem de recolocar o Programa do Ratinho neste horário, a emissora conseguiu reequilibrar a disputa contra a concorrência, mas isso se deve também ao desgaste de CSI que não atrai mais a audiência simplesmente porque o telespectador enjoou de passar dois anos diariamente assistindo aos mesmos personagens. Isso é um processo natural do brasileiro, acostumado às novelas e não ao formato de séries.

CSI vem perdendo audiência, na Globo, Insensato Coração não para de subir - já ultrapassou Passione na média parcial - e no SBT não são raras as vezes que o Programa do Ratinho empata ou até vence. Isso tudo faz com que a série entrega em baixa para Vidas em Jogo que também não apresenta capacidade de elevar a audiência e, por isso, a emissora não consegue crescer. A própria direção travou o crescimento. Uma pena

terça-feira, 17 de maio de 2011

Cordel Encantado parando o Brasil

Primeiro beijo entre o Príncipe e a Princesa no folhetim.
Muito antes de estrear, quando os primeiros comentários começaram a eclodir na mídia, tanto especialistas quanto fãs da teledramaturgia já começaram a elogiar a ousadia de Duca Rachid e Thelma Guedes por pensar numa novela no estilo de Cordel Encantado. Porém, ao mesmo tempo em que se crescia a expectativa também se crescia a preocupação, principalmente porque nos últimos anos, todas as tentativas de ousadia em folhetins fracassaram na audiência.

Para a crítica a opinião era quase unânime, Cordel Encantado seria uma novela especial, em se tratando de qualidade, mas corria grande risco de fracassar na audiência o que, certamente, seria um empecilho para novos projetos ousados na teledramaturgia nacional. Parte desta "profecia" aconteceu e a outra metade está se tornando equivocado. De fato, a trama das 6 é campeã de críticas positivas em todos os veículos de comunicação por todo o país. 

Porém, ao contrário do que muitos temiam, a novela não está e nem tem tendência de fracassar na audiência. Após um começo apenas tímido - as 03 primeiras semanas marcaram média de 23 pontos, 02 abaixo da meta para o horário - Cordel e sua qualidade provou a tese de que a melhor propaganda é o boca a boca. De tanto as pessoas falarem bem da novela ela foi ganhando público e caiu no gosto popular. Com 30 capítulos exibidos, o folhetim já chegou a 24 pontos de média e vem apresentando números expressivos para o horário, mostrando sinal de crescimento na Grande São Paulo - principal praça de medição de audiência. 

Na última semana, a novela fechou com média semanal de 25 pontos, algo raro para uma trama logo no começo. Bateu recorde com audiência de 28 pontos e caiu no gosto popular. Ontem, segundo a prévia, a novela registrou média de 27 pontos e a tendência de crescimento continua. E não apenas em São Paulo. Em todas as praças de audiência em tempo real, Cordel Encantado está bem acima da meta de 25 pontos e, na maioria delas, com média superior à novela das 7, Morde e Assopra.

Isso é apenas prova de que não é necessário criar tramas superficiais e sem ousadia porque o público rejeita. Cordel Encantado está calando a boca de quem diz que o público não quer novidade e gosta de mais do mesmo. O público gosta é de qualidade, ao menos, quase sempre.

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Escolinha do Gugu é simpática, mas cheira a mofo.

Depois de muito se falar e até com divulgação do perfil das personagens, estreou neste domingo pela Rede Record a Escolinha do Gugu. Programa de humor que se inspirou nas dezenas de "escolinhas" que já marcou presença na TV brasileira - a mais famosa delas, sem dúvida, a Escolinha do Professor Raimundo.

O formato não é nada original, é bem verdade, mas também é algo seguro e que causa nostalgia logo nos primeiros minutos para quem assiste. A nova geração certamente deve ter estranhado um pouco o modelo, afinal, é completamente diferente de tudo que estão acostumados no que tange o humor na TV aberta brasileira e, por conta disso, pode ter havido algum desconforto.

De qualquer forma, neste primeiro programa, foi possível verificar que as escolhas dos personagens não foram de todo ruim, há de fato humoristas ali e também há novas apostas para o humor que, diga-se, é um risco, já que é um estilo muito complicado de se interpretar e, caso o ator não seja bom, pode dificultar bastante o timing da piada. Dos novos participantes o único destaque foi Cacau (ex-BBB) que demonstrou a mesma segurança que já demonstrava quando aparecia no Zorra Total.

Não dá para negar que o programa foi bastante simpático e conseguiu provocar alguns risos no telespectador, não que tenha sido o programa mais engraçado do mundo, mas é um estilo diferente de humor, bem anos 80/90, quando o humor mais "bobo" se destacou bastante com este tipo de formato. O grande problema, contudo, é que o programa cheira a mofo.

Um formato como este é desgastado antes do nascimento. Com personagens cheios de bordões antigos que dependem da identificação do público para se tornarem famosos e, no atual momento da TV brasileira, é meio improvável acreditar que o telespectador vá comprar essas idéias. Mesmo com esta simpatia toda, a tendência é que a Escolinha do Gugu se desgaste e perca bastante audiência nos próximos domingos.

sábado, 14 de maio de 2011

Vidas em Jogo: uma mistura confusa de conceitos

Com duas semanas de exibição e nove capítulo que já foram ao ar, torna-se mais possível fazer uma análise um pouco mais aprofundada da nova novela das 10 da Rede Record. Trama de Cristinna Fridman (Bicho do Mato e Chamas da Vida), Vidas em Jogo apresentou nas duas primeiras semanas audiência irregular, com números altos em alguns capítulos e muito abaixo do esperado em outros.

Nestes capítulos exibidos até o momento, o folhetim tentou a todo custo chamar a atenção do telespectador para as mais diversas história que serão discutidas ao longo dos mais de 200 capítulos que teremos pela frente. Temas polêmicos como gravidez indesejada, sem tetos e violência urbana já foram apresentados logo no começo da trama, um artifício muito utilizado por alguns autores na tentativa de atrair os olhos da audiência e também da mídia.

A bem da verdade, tudo que Fridman fez até o momento foi isso. Lançar mão de praticamente todas as técnicas de teledramaturgia já existentes na tentativa de colocar sua novela no centro das discussões por todo o país. Como se sabe, a Rede Record vem numa descendente em relação aos números de audiência de suas telenovelas neste horário e, certamente por conta disso, a necessidade de reconquistar o telespectador para seus folhetins.

Ocorre que, como bem se sabe, quando até o público começa a perceber que tudo que ocorre numa novela baseia-se exclusivamente de técnicas de roteiristas é porque há um problema. Nada em Vidas em Jogo soa naturalmente, não há nenhum elemento que possa se dizer puramente dramático. Assistir cada uma das seqüências é quase como uma lição de um estilo específico de escrita - e isso não é um elogio.

Ao tentar fazer todas as tramas andarem ao mesmo tempo e, pior, em direções opostas, a autora apostou que o público compraria todas as histórias. Ledo engano. Sem proximidade com sua realidade, sem a oportunidade de ver o desenvolvimento das personagens e suas características, sem condições para se identificar com as histórias, é impossível que o telespectador torne-se fiel a uma obra da TV. E a irregularidade na audiência desta duas semanas prova isso.

Se a direção aparenta ser muito mais sóbria e sensata do que a de sua antecessora, o elenco do folhetim não consegue o destaque que dele se espera. Muito também por conta das cenas apenas discretas que são escritas para a maioria. O casal protagonista não consegue empolgar, ainda que não chegue a comprometer, enquanto isso, os grandes nomes da novela passam quase de forma desapercebida, como a excelente Betty Lago que, mesmo num papel diferente de tudo que já fez, não ganha destaque algum. Beth Goulart, apesar de segura em sua vilã, sofre com um texto mexicanizado para uma personagem caricata e cheia de exageros, isso impede que a personagem de fato se destaque.

Há evidências que Vidas em Jogo terá muitas viradas e, a partir do momento em que os mistérios da trama começarem, é possível que os núcleos se aproximem, se interajam e, com isso, o ritmo possa soar mais natural. Enquanto isso, a novela é como uma pintura cheia de técnicas aprendidas na escola, mas sem nenhuma vida.

quinta-feira, 12 de maio de 2011

A discussão está aberta: Estratégia ou Desrespeito?

Em América, intervalo comercial foi chamado e beijo gay não exibido
A não exibição do beijo lésbico prometido pelo SBT para os telespectadores de Amor e Revolução no capítulo da última quarta-feira acabou por reabrir uma discussão que é quase tão antiga quanto as próprias telenovelas brasileiras: onde termina a estratégia de programação e onde começa a falta de respeito para com o público?

Esta resposta não é fácil, mesmo para quem enxerga o todo pelo lado de fora e precisa ser avaliada com calma. Para quem não sabe, tanto o SBT quanto o autor da trama, Tiago Santiago, fizeram extensa divulgação nos últimos dias afirmando categoricamente que "o primeiro beijo lésbico das telenovelas brasileiras" seria exibido nesta quarta-feira. Com isso, criou-se quase uma comoção nacional em torno deste capítulo - que mesmo não revertido em audiência, conseguiu uma repercussão que impressionou.

O ponto é que, todos que assistiram ficaram a ver navios. O tal beijo acabou não sendo exibido e, segundo o twitter do autor, ficou para esta quinta devido a estratégia de programação em busca de angariar melhor audiência. Fernômeno parecido aconteceu durante a exibição da novela América, na Rede Globo. O caso não é idêntico, mas se assemelha. Na época, a emissora não se posicionou publicamente sobre a exibição do beijo gay no último capítulo, mas a autora Glória Perez divulgou em todos os veículos de comunicação, inclusive em seu blog e orkut que haveria o beijo gay e, inclusive, a tal cena foi gravada.

Na ânsia por assistir ao primeiro beijo gay numa novela das 8, o Brasil parou para ver o último capítulo de América - que até hoje tem o recorde de média dum último capítulo na nova contagem aferida pelo Ibope, 68 pontos de média - para, no fim, se frustrar com a não exibição do beijo. A justificativa, na época, foi que a decisão partiu da direção geral da Globo que decidiu, minutos antes, não exibir o beijo por considerar que não era o momento e seria rejeitado pelo público.

Na época todos se perguntaram o motivo da proibição da exibição e, se era opção da emissora, a razão por terem permitido que a cena fosse gravada. A discussão volta à tona, de outra forma, o ponto agora é a estratégia e o desrespeito. Nos dois casos a não exibição ocorreram por estratégia - na Globo por conservadorismo e no SBT para angariar mais audiência - mas, de qualquer forma o telespectador se sentiu enganado. Até que ponto vale a pena divulgar uma notícia mentirosa de forma proposital somente com a intenção de obter pontos de audiência? Se o produto não tem qualidade suficiente para reunir os telespectadores, utilizar este tipo de artifício faz parte ou é traição para com o público? 

É preciso entender que TV vive de audiência e é necessário buscar diversas ferramentas para atrair o público, porém, este tipo de atitude não deve ser considerada ferramenta. No caso da Globo foi pura balela de enganação e no SBT não pode ser chamado de "gancho", mas de falta de respeito. Se houve uma divulgação oficial que a cena ocorreria na quarta-feira, ela deveria ter ocorrido na quarta, ou então a estratégia de divulgação deveria ser diferente deixando em aberto a possibilidade da cena ser exibida na data proposta. Uma pena.

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Cordel Encantado já tem uma marca: um capítulo melhor que o outro

Por pura curiosidade, desde a estreia de Cordel Encantado, novela das 6 da Rede Globo com assinatura de Duca Rachid e Thelma Guedes, decidi fazer notações sobre os capítulos. A trama, em 26 capítulos exibidos até o momento, conseguiu um feito raro - senão inédito - entre as telenovelas brasileiras: o fato de um capítulo quase sempre superar o anterior.

É quase como um círculo vicioso. Se o folhetim global surpreende a todos por sua qualidade em todas as áreas - todas mesmo, não há um campo dramatúrgico em que Cordel Encantado não se destaque positivamente como há muito tempo não se via - ele consegue ainda surpreender especificamente pela qualidade do roteiro que, a cada novo capítulo traz uma gama de surpresas e novos enredos que mantém todos os núcleos com fôlego como se fosse a primeira, ou a última, semana de exibição.

Em uma análise um tanto quanto subjetiva, dos 26 capítulos exibidos até o momento, em pelo menos 17 situações diferentes a trama apresentou "o melhor capítulo", logo superado pelo seguinte. Isso é um fato tão raro na teledramaturgia nacional que sequer me lembro de uma situação semelhante. A dupla de autoras já havia mostrado sua marca em Cama de Gato, ou seja, não permitir em nenhuma hipóttese a conhecida "barriga" das telenovelas. 

Até o momento esta marca vem aparecendo ainda com mais ênfase em Cordel Encantado. Muitos podem questionar afirmando que são apenas 26 capítulos exibidos, porém, para um folhetim com pouco mais de 130 capítulos previstos, significa dizer que já foi exibido quase que o 1º quarto inteiro da novela e houve tantas situações diferentes que, em uma novela lenta, seria suficiente uns 200 capítulos para contar as mesmas histórias.

Pode parecer repetitivo elogiar tanto o produto, mas ainda que já tenhamos nos acostumado com a absurda qualidade da novela, não se pode esquecer nem deixar passar, por um momento que seja, que algo assim na TV brasileira é muito raro e, por conta disso, é necessário que, a cada novo ponto observado, Cordel Encantado volte ao centro dos debates.

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