Sai de cena nesta sexta-feira a novela das 18 Horas, A Vida da Gente. Obra de Lícia Manzo, a produção estreou cercada de expectativa, pois tinha como um dos objetivos manter a qualidade e audiência conquistada por sua antecessora, Cordel Encantado, uma das obras mais vencedoras e que agradaram a todos nos últimos anos.
Nos números de audiência, o folhetim não conseguiu segurar os resultados. Fecha sua participação com média de modestos 22 pontos em SP e 24 pontos no PNT - Painel Nacional de Televisão - em SP são 04 pontos a menos que a novela de Duca Rachid e Thelma Guedes e, no país todos, 06 pontos a menos. Porém, é indiscutível que, em repercussão ambas foram muito fortes e conseguiram espaço, além de quase nunca haver críticas negativas.
O problema começa, contudo, na hora de fazer uma escolha. Qual das duas foi uma novela melhor? A resposta passa pelo gosto individual de cada um, porém, é possível analisar tecnicamente a composição artística de cada uma. Para isso, porém, é necessário se despir de fanatismo e deixar o gosto pessoal de lado, sem tentar pender para a preferida.
Ambas as tramas mostraram-se extremamente competentes quando o assunto é fotografia. Se Cordel Encantado chamou a atenção por uma película cinematográfica bem composta, com imagens esforçadas em cada situação, A Vida da Gente foi uma novela cheia de vida na fotografia. Cores fortes, mas sem pesar na visualização, sempre delicada, deram o tom correto. A ousadia da primeira lhe dá pequena vantagem.
A direção firme também foi uma marca de qualidade dos dois trabalhos. A Vida da Gente teve direção de cena delicada, construída no realismo e com ângulos tradicionais de filmagens e marcação de cena. Já Cordel Encantado ousou mais e permitiu uma liberdade maior para seu elenco, o que era necessário pelo apelo da história. O trabalho de direção de Cordel chamou mais a atenção.
O roteiro é mais complexo de se analisar. A Vida da Gente foi uma novela bem mais estática. A trama não caminhou apoiada na situações ou nas viradas, o apoio de sua história se dava nos diálogos extremamente sensíveis e bem construídos. Se nos diálogos Lícia Manzo mostrou-se imbatível, nas sequência há uma clara vantagem para a dupla de Cordel Encantado. Com diversas viradas em seu roteiro e acontecimentos eletrizantes, o folhetim não sofreu tanto com barriga, o que a atual trama das 18 Horas sofreu por diversos momentos. Parece, contudo, ponto pacífico que o roteiro da atual obra é mais amarrado do que a anterior.
No elenco, Cordel Encantado teve como ponto forte a homogeneidade do trabalho. Os destaques individuais chamaram a atenção pela composição leve e bem construída das personagens e os protagonistas funcionaram muito bem, com destaque para Bruno Gagliasso em um momento bastante feliz. Enquanto isso, A Vida da Gente teve destaques diversos. A dupla de protagonistas roubou a cena, Marjorie Estiano mostrou uma maturidade impar e Fernanda Vasconcellos cresceu muito neste trabalho, seu melhor na TV. Um elenco mais maduro dá vantagem nesta área para a crônica da vida real.
Ou seja, numa análise fria, tanto A Vida da Gente quanto Cordel Encantado tiveram vantagem uma sobre a outra em determinada parte da avaliação. Cordel Encantado foi uma trama que permitiu ao telespectador sonhar, divagar e mergulhar num universo de fantasia. A Vida da Gente foi fincada com os dois pés na realidade e permitiu que o telespectador se emocionasse com os golpes que o destino dá a cada um. Se há uma vantagem para a antecessora, é por ter funcionado mais como novela e por ter conseguido ousar um pouco mais.
Ainda hoje, após a exibição do último capítulo, tem a análise completa de A Vida da Gente.








