terça-feira, 26 de janeiro de 2010

O Declínio da TV Aberta



Estratégias. Tudo o que temos ouvido falar nestas últimas semanas se resume a estratégias. SBT e Record se degladiam em busca de audiência maior e se consolidar na vice-liderança do Ibope e cada postura tomada por ambas é chamada de estratégia. Não é bem assim.

A briga entre as duas emissoras mostra uma fragilidade imensa de ambas em serem profissionais e pensar exclusivamente em seu público e não em guerra de egos como temos visto - inclusive com discussões e bate-bocas na internet que beiram o ridículo. A Rede Record chegou a acusar em determinados momentos a Rede Globo de ser líder de audiência por manipular e até monopolizar a notícia e o veículo. O que se vê, contudo, é que a emissora da família Marinho é líder absoluta de audiência pelo simples fato de respeitar seu público.

Apenas no mês de Janeiro, para se ter uma idéia, a Rede Record - segunda emissora na preferência, segundo o Ibope - modificou sua grade de programação tantas vezes que ninguém mais consegue contabilizar isso. A tarde, a noite e até de manhã foram tantas mudanças que deixa qualquer telespectador irritado e sem condições de acompanhar a programação.

Um exemplo clássico disso se dá na novela Poder Paralelo. Um dos melhores produtos de teledramaturgia dos últimos anos e a melhor novela já produzida pela emissora desde que retomou seu núcleo de telenovelas, além de ser a maior média de audiência de toda a programação da Rede, é constantemente desrespeitada. As mudanças de horário fizeram com que a trama de Lauro Cézar Muniz passeasse por praticamente toda a grade noturna. Ela já esteve as 9 da noite, 9 e meia, 10, 10 e meia e agora começa as 11, sem o menor respeito pelo público cativo.

Como se não bastasse as contantes mudanças de horário, a Record apostou - e deu resultado - em uma série americana para recuperar a audiência perdida na faixa das 9 da noite. Isso não é novidade, pois o SBT recuperou a vice-liderança no horário justamente exibindo uma série americana - Sobrenatural. Com o fim da 4ª temporada, foi necessário a substituição e entrou no ar outra série, Gossip Girl, que não deu o resultado esperado em sua estréia, muito disso graças a estratégia da concorrente que colocou no ar a série CSI, sucesso em todo mundo.

Os fãs de ambas as emissoras continuam se ofendendo e nomeando essas mudanças como estratégia. Mas o que se vê na verdade, está longe de ser estratégia. SBT e Record ao colocarem em sua grade nobre, no horário de maior share - número de televisores ligados - um produto enlatado, ou seja, uma produção de outro país, carimbam em suas marcas a incompetência de sua produção.



Um país como o Brasil, com atores e atrizes de qualidade confirmada e admirada em outros países do mundo, considerado o país das melhores novelas do mundo, com autores criativos e capacidade de criação impressionante não pode assistir de forma passiva as 2ª e 3ª maiores emissoras abrirem mão de produções próprias para aderirem a enlatados. Isso é inversão de valores.

Alguém pode dizer que apenas a Globo produz novelas de qualidade, o que é comprovadamente um ledo engano. O SBT em meados dos anos 90 tinha uma núcleo de dramaturgia impressionante e produziu obras de grande qualidade, como Éramos Seis e Sangue do Meu Sangue. A Rede Record também seguiu este caminho nesta década ao produzir novelas como Essas Mulheres e a própria Poder Paralelo.

Mesmo assim, se a direção de ambas as emissoras acreditam que o formato de telenovela está desgastado - a Record já anunciou que ao acabar Poder Paralelo ficará com apenas uma novela no ar e o SBT atualmente não tem nenhum, aguardando o início de Uma Rosa com Amor - e que a população brasileira está mais interessada no formato serial como acontece nos EUA, que não se importe, mas que faça produções próprias.

Tudo que não se pode é nos obrigar a assistir a essas duas Redes de TV abrirem mão de sua história, abrirem mão de produzir empregos, de apostar na arte brasileira, para irem pelo caminho mais fácil em busca pela audiência. Já é tempo de se profissionalizar os núcleos dramáticos e também os diretores de produção de todas as emissoras brasileiras. O que temos visto são diretores preguiçosos que preferem procurar soluções em outros países do que criar.

O horário nobre da TV brasileira não é para se colocar produtos enlatados. O povo brasileiro merece produções próprias - e de qualidade, diga-se - e os autores, atores, e todos os profissionais de TV merecem ter empregos estáveis ao invés de serem obrigados a mudar de área enquanto as produtoras americanas enriquecem à nossas custas.

Espero que a briga por um ou dois pontos no Ibope não cegue os responsáveis e que tanto o SBT quanto a Record entendam que o melhor caminho para a televisão brasileira é justamente o inverso que eles apostaram, é a produção própria.

domingo, 24 de janeiro de 2010

O Problema de Tempos Modernos é o Público


Para começar este artigo é preciso deixar claro uma coisa: eu sou um dos grandes defensores da telenovela como obra de arte, assim como cinema, teatro e literatura. Não a considero melhor ou pior que as outras citadas, mas entendo que ela tenha uma linguagem própria para um público próprio. Posto isso, vamos falar de Tempos Modernos.

Com duas semanas de exibição, a trama de Bosco Brasil ainda não emplacou no Ibope como queriam os executivos da Rede Globo que esperavam muito da obra, muitas críticas estão surgido em vários sites e jornais fazendo referência a linguagem e ao ritmo de Tempos Modernos, além claro que falar da audiência bem abaixo do satisfatório. Mas é preciso fazer uma análise mais complexa destes números em comparação ao que foi apresentado nestes primeiros 12 capítulos.

O folhetim é muito mais do que uma trama simples, com humor raso e diálogos quase infantis como suas antecessoras e, principalmente, Caras e Bocas que foi um sucesso retumbante, mas que nunca teve um texto que primava pela qualidade intelectual. Tempos Modernos apresenta ao público algo muito diferente do que se vê tradicionalmente nas novelas, seja qual for o horário. Em qualquer análise que se faça, optando por quaisquer das muitas características de uma trama, há de se perceber que a novela das 7 é muito diferente.

O ritmo ilustra muito bem esta afirmação. Tradicionalmente as primeiras semanas de uma novela é mais calma, com alguns acontecimentos rápidos para prender a atenção do público, mas apresentando os personagens de forma tranqüila e profunda, para que o público conheça melhor cada característica dos personagens e possa se identificar com alguns. Tempos Modernos modificou isso ao criar um ritmo alucinante desde o princípio. O autor não parece interessado em fazer apresentações, em mostrar as facetas de seus personagens. Para ele, ao que tudo indica, o importante é que o público conheça-os através de suas atitudes - que são muitas. Tudo é muito exagerado no ritmo da trama, isso mostra a intenção clara de colocar os personagens dentro de situações improváveis, mas teoricamente interessantes. Neste sentido, o folhetim lembra muito pouco o formato de telenovela e se aproxima muito mais das séries, pois os capítulos são quase independentes um do outro, sem grandes ligações, o que é uma inovação e tanto. Isso não quer dizer que a história não faça sentido, ela faz, mas a história maior - a que vai amarrar toda a obra - é cercada por pequenas histórias contadas a cada capítulo, como em séries.

Ao se olhar para as histórias em si é possível fazer observações interessantes. A grande crítica é que Tempos Modernos não apresenta uma história importante, centrada e que chame a atenção do público. Para os críticos, ali, tudo é muito forçado. Discordo. Primeiro é preciso lembrar que estamos diante de uma novela, de uma obra de ficção que desde as chamadas nunca teve a intenção de mostrar sentimentos, situações e pessoas reais. Bosco Brasil vem fazendo isso com maestria, fugindo da identificação, ou seja, ali, ninguém se parece com uma pessoa de verdade. E é nisto que os críticos erram ao não compreender que o Edifício Titã - local em que se passa boa parte da trama - não existe, é obra de ficção, está na imaginação. Se olharmos isso tudo sob este prisma, a história de Tempos Modernos se torna divertida, de bom gosto, com verossimilhança, leve e muito bem colocada.

As referências a obras clássicas também podem atrapalhar a compreensão do público. Alusões a grandes obras do cinema e da literatura, além de frases típicas de contos de fadas, dão ao folhetim uma cor completamente diferente a que nos acostumamos para o horário - e para as telenovelas de modo geral. Esta mudança não deve ser vista como uma ruptura negativa, mas como uma experiência em se criar novos caminhos para a sobrevivência do segmento.

Muitos estão criticando também o elenco e cometem erros e injustiças. Antônio Fagundes nem de longe lembra seu último personagem, Juvenal Antena em Duas Caras, apesar de ambos os personagens terem histórias de vida semelhantes, Leal é muito mais bem humorado, e Fagundes criou trejeitos muito interessantes para o personagem. A dupla romântica da trama também começa a chamar a atenção. De fato, Nelinha e Zeca são extremamente melosos, românticos e suas falas são cheias de metáforas e as vezes parecem não se interagir uma a outra. Mas isso é literatura, é licença poética, e Bosco Brasil faz isso com maestria. É o típico amor de cinema. Tiago Rodrigues soube dar nuances interessantes a seu personagem e Fernanda Vasconcelos vem melhorando. Viviane Pasmanter e Regiane Alves mostram que sabem fazer humor, no papel de Regeane e Goretti, respectivamente, a dupla tem dado a chance de muitas risadas ao público e creio que suas personagens vão crescer muito ainda.

São muitos os destaques do elenco. Guilherme Weber segue muito bem como o vilão Albano. Ele é o personagem mais difícil de fazer, por ser um vilã atípico. As maldades não são escondidas, ao contrário, são claras e até divertidas e, isso o torna muito mais interessante. Grazzi Massafera vem dando conta do recado com sua primeira vilã Deodora, ela não é o destaque desses capítulos, mas não compromete. E não podemos esquecer de Eliane Giardine que, madura, experiente, vem dando um banho de interpretação como Hélia.

E tem o núcleo mais complicado e criticado. A galeria do rock. Comandada pelo personagem de Leonardo Vieira (que só pra variar vem dando um show), os roqueiros de Tempos Modernos vêm sofrendo uma enxurrada de críticas, muitos considerando-os exagerados. Bobagem. Quem já visitou a galeria do Rock em São Paulo sabe que funciona daquele jeito. Quem tem amigos que consideram o rock uma religião, sabe que eles são desta forma. Eu estou gostando muito do núcleo. E ainda é preciso lembrar novamente que ali é uma obra de ficção, é preciso mostrar as principais características da tribo justamente para chamar a atenção.

A idéia do computador inteligente, o Frank, foi muito bem bolada. Ainda acho que o "personagem" vem sendo muito pouco aproveitado. Creio eu que a voz vai aparecer muito mais no decorrer da trama. Por ora, tem aparecido pouco, mas a todo momento, o texto do Frank é um dos melhores de cada capítulo. Com um bom humor impressionante o computador já conquistou o público.

Ao ver as críticas a novela e pessoas dizendo estarem com saudades de Caras e Bocas nota-se que há um problema no público brasileiro. A falta de paciência para se pensar, para degustar uma obra com calma, sem precisar rir mecanicamente com frases repetidas todo capítulo - em Caras e Bocas metade dos personagens tinham seus bordões que se tornaram previsíveis nas cenas. O diferencial de Tempos Modernos está justamente nisso. Não há bordões. Não há situações bizarras para se criar humor pastelão e que são repetidas a exaustão. Há texto, há profundidade das situações e das falas e há humor, muito humor, mas humor com conteúdo.

O que se percebe com tudo isso? Que não há mais espaço para novelas que apostam num humor diferente, um humor crítico, ácido, com contextualização, com referências. Não o rir pelo rir, mas o motivo, o fundamento do humor. Eu quero muito estar enganado, mas a impressão que se dá é que novelas como Guerra dos Sexos e, principalmente, Que Rei sou Eu, sucessos da década de 80 e com humor de qualidade, seriam fiascos nos dias de hoje. Por isso, está claro que o problema de Tempos Modernos é um só: o público.

*Este texto também está disponível no site Famosidades. O melhor conteúdo sobre o mundo dos famosos.

sábado, 23 de janeiro de 2010

Cama de Gato voltou a ser uma novela


São 20 dias de barriga. Desde o Reveillon, Cama de Gato entrou na famosa barriga - período em que a novela segue morna sem grandes acontecimentos - e o folhetim aparentemente tinha se perdido completamente no roteiro e em tudo mais. De novela inovadora, corajosa, ágil, com ritmo alucinante, o que se via neste começo de 2010 era numa novela modorrenta, com história estranha - o roteiro tão diferente estava focando-se na vilã que queria separar o amor da mocinha e do mocinho, um erro - e isso afastou o público.

Dos tradicionais 25 pontos que vinha registrando, segundo dados do Ibope - mantendo-se dentro da média para explodir nos meses finais - a novela perdeu nestes 20 dias muito público e a audiência agora gira dos 22 aos 24 pontos, muito baixo para uma trama que vinha obtendo ótimos resultado no princípio - a melhor média de Cama de Gato é 29 pontos. Ela chegou a essa marca muito antes de Paraíso, por exemplo.

Nesta semana o ritmo da novela começou a aumentar gradualmente. Era nítida uma mudança de postura das autoras Duca Rachid e Thelma Guedes que, aos poucos, colocaram novamente a novela no eixo. E o grande diferencial foi o capítulo deste sábado. O início do julgamento do Alcino (Carmo Della Vecchia) é talvez o momento mais importante de Cama de Gato até aqui, não necessariamente para o desenrolar da trama, mas para recolocar a história no eixo.

O diferencial da trama sempre foi justamente não apostar no batido tema mocinha e mocinho x vilão ou vilã. O julgamento de Alcino é fundamental para recolocar Cama de Gato no caminho da inovação sem se afastar do tradicional. A história de dois amigos separados por uma vilã maquiavélica que armou um plano perfeito é muito mais importante que tudo. É preciso entender que a novela das 6, na verdade, tem dois mocinhos: Gustavo e Alcino. Ambos são apaixonados por Rose, ambos foram injustiçados, acusados de algo que não fizeram, ambos viveram um inferno astral dentro da trama. E ambos foram enganados pela vilã Verônica. E tem a Rose, o apoio da Rose ao Gustavo fez a novela crescer e agora [SPOILER] o apoio dela a Alcino movimentará a novela.

Dizer que em 20 dias de barriga e com enfoque diferente do que nos acostumamos é suficiente para considerar que Cama de Gato se perdeu é exagero. Praticamente todas as tramas enfrentam barriga para suportar tantos meses de exibição, principalmente quando a obra é esticada como parece ser o caso da novela das 6. É preciso ter cuidado ao analisar uma obra inovadora quando ela é apresentada e não se apegar a um pequeno período de barriga - sim pequeno, pois na semana de Natal e Ano-Novo a novela passou por um ritmo tão alucinado que era quase impossível conseguir acompanhar.

Sobre o elenco, todos estão muito afinados, inclusive os mais novos que eram quem davam o tom de contraste no começo da obra. O elenco jovem melhorou bastante ao longo da história, também as histórias paralelas se desenvolveram e todos tiveram melhores chances de mostrar o potencial.

Ainda assim, os grandes destaques do elenco continuam pertencendo ao núcleo principal. Marcos Palmeira continua muito bem ao encarnar Gustavo Brandão. Não é fácil interpretar um personagem tão complexo com tamanhos nuances de personalidades que, as vezes, são até contraditórios, mas Palmeira vem dando conta do recado.

Camila Pitanga também se destaca como a mocinha Rose. Ela se despiu de qualquer outro personagem que tenha interpretado anteriormente e conseguiu criar vida própria a sua mocinha. Cheia de personalidade, inteligente, com olhar firme e postura de vencedora. Ainda assim sem cair no falso ou caricata.

Carmo Della Vecchia que era o destaque negativo no núcleo principal, finalmente deixou para trás as características de Zé Bob (seu último personagem, na novela A Favorita) e criou um estilo próprio de ser para Alcino. Cheio de dramas, inocente pagando por algo que não fez, doente, enganado, ainda assim com uma característica marcante, o bom humor.

Mas o grande destaque entre o elenco é Paola Oliveira. A primeira vilã da atriz veio com muita desconfiança após trabalhos bem sucedidos como mocinha. Verônica é má por si só, mas tem uma história que criou essa personalidade amargurada, vingativa, astuta e sobretudo maquiavélica. Dizer que Verônica é uma Flora em miniatura é não sair do senso-comum. Tudo isso graças a Paola que criou pequenos trejeitos em Verônica como a entonação e principalmente o olhar debochado que são únicos e merecem destaque.

Eu tenho certeza que a novela sofrerá a reviravolta necessária a partir de segunda-feira e ganhará o fôlego fundamental para atrair a audiência novamente e chegar aos patamares que a própria Rede Globo esperava dela - próximo aos 30 pontos. Pois tem todos os elementos para conseguir. Um bom texto, um bom elenco, e principalmente, uma história inovadora e muito inteligente.

Eu continuo afirmando que Cama de Gato é o maior destaque no horário das 6 da década. Um texto inteligente e inovador demais até para o horário e que, se voltar ao eixo, certamente vai dar muitas alegrias a todos os envolvidos neste trabalho. Afinal, não é a toa que no princípio da trama, nos corredores da Globo se falava que ela deveria trocar de horário com a mal vista Viver a Vida.

É preciso para isso que a dupla de autoras não se deixe entregar a história simples de amor entre Rose e Gustavo e se enfoque na história com ritmo frenético, que o público se acostumou desde o início. Com isso, certamente Cama de Gato voltará a ser um sucesso.

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Record ataca e SBT contra-ataca brilhantemente


A briga de bastidores entre Rede Record e SBT está se intensificando a cada dia que passa. O SBT não para de crescer em audiência e se aproxima cada vez mais da Record na briga pela vice-liderança - já tendo vencido nesta semana duas vezes na média-dia, o que é um passo importante.

Muitos capítulos foram vistos na briga das emissoras por se consolidarem como a 2ª maior emissora do país, e muitas outras ainda veremos, certamente. O fato é que a Rede Record atacou pesadamente nesta semana ao anunciar uma mudança em sua grade noturna para a próxima semana. A entrada do sucesso mundial, a série CSI às 21 horas, ou seja, se inspirando no sucesso de Sobrenatural na concorrente, a emissora decidiu apostar também em séries americanas no horário nobre.



A aposta é acertada, a escolha foi feita com cuidado e certamente entre as séries da Rede foi a melhor, pois CSI é um sucesso no mundo todo e tem tudo para melhorar a audiência do canal neste horário. A data da estréia também foi acertada, uma vez que vai coincidir justamente com a quebra de público que o SBT vai sofrer, pois Sobrenatural acaba nesta sexta-feira e a emissora estréia uma nova série, voltada para outro público, Gossip Girl - que também virou moda nos EUA por um período.

Acontece que o SBT contra-atacou de forma rápida e, aparentemente, eficiente. Daniela Beyrute anunciou em seu twitter e, a emissora já começou a divulgar, mudanças na segunda-feira. Ao invés de começar as 21h15 como era com Sobrenatural, Gossip Girl vai ao ar as 21h00, ou seja, sem dar chances para que o público migre todo para CSI. E mais do que isso, sabe-se lá como, a emissora conseguiu autorização da Warner e vai exibir a pré-estréia da 5ª temporada de Sobrenatural, temporada esta que ainda está em exibição nos EUA - aliás, o novo episódio foi exibido ontem por lá.



Essa idéia foi genial, pois prende todo o público de Sobrenatural na frente da TV, obrigando-os a assistir a nova série - que tem um 1º episódio muito bom e suficiente para conquistar o público - e em seguida faz com que o grande sucesso da emissora tenha um episódio inédito exibido. Isso vai minar as tentativas da Record de conseguir grande público na estréia de CSI.

Mas a briga deverá ter mais capítulos. Quem viver, verá.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

A Volta de 24 Horas



* Este texto contém spoiler para quem não assistiu a 8ª temporada de 24 horas.


Após meses e meses - e meses - de espera, retornou nos EUA e, claro, em todos os PC's do mundo, uma das séries queridonas deste Blog, 24 Horas. E o retorno de Jack Bauer não foi como o esperado, apesar de já ter uma premissa interessante e - aparentemente - um pouco diferente.

O que me incomodou no episódio foi terem jogado no lixo tudo que Jack Bauer fez alguns meses antes - ou anos, vai saber - na sétima temporada. Quem se lembra do último episódio sabe que o nosso querido herói terminou a temporada morrendo, já inconsciente numa cena linda em que sua filha Kim o observava no leito do hospital. Pois bem, a 8ª temporada começou com Bauer bem, feliz da vida com a neta (linda, linda e linda) e pensando em se mudar para Los Angeles e morar com a filha e sua família. A única referência a sua doença foi "os médicos já o liberaram há semanas", dita pela própria Kim. Isso me incomodou.

Tirando isso, e partindo do princípio que se começa mais um dia eletrizante na vida de Bauer, o episódio foi redondinho. Teve tudo, absolutamente tudo: criminosos, mortes, chantagem, conspirações, enfim, tudo que nos acostumamos a ver na série, mas que nunca nos enjoa.

É bem verdade que a estréia da 8ª temporada começou bem morna, mas melhorou com o decorrer. A apresentação dos novos personagens foi interessante, mostrando o retorno da CTU - que agora parece muito mais um escritório de decorações com gente maluca. O mais legal desse núcleo foi ver a Chloe, a grande e brilhante Chloe que nos acostumamos, sofrendo para entender das novas tecnologias do grupo. E claro, resmungando, como é sua preferência.

Muito legal também ver a Madam Presidente firme e forte em seu cargo. E mais legal ainda saber que ela não teve piedade da bitch de sua filha e a mandou para cadeia. O esposo ficou tristinho e pediu o divórcio? Problema dele, a Madam Presidente pode tudo - absolutamente tudo.

A idéia da conspiração para assassinar o presidente do país do Oriente que está negociando a paz com os EUA me parece batida demais, já foi discutida em todo tipo de história, mas acho que vai pegar fogo e teremos novidades aí, já que em 24 horas nem tudo parece o que é.

Eu sei que foram dois episódios numa noite. Mas por ora preferi falar apenas do primeiro que merece destaque. Ah, e a Teri, netinha de Jack Bauer é muito fofa, diferente de sua mãe que continua intragável.

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

SBT se Fortalece em 2010


É bem verdade que estamos apenas no início do ano, mas fatos que não aconteciam desde 2007 tem surgido na briga pela audiência das TVs abertas do Brasil. O SBT aos poucos volta a se consolidar com uma grade fixa, segura e bem distribuída e, com isso, o público volta aos poucos a sintonizar a emissora de Sílvio Santos.

Para se ter uma idéia, até esta terça-feira, 19 da janeiro, o SBT - em 18 dias inteiros do ano - já havia sido vice-líder de audiência na média-dia (correspondente às 7 da manhã até meia-noite) por três vezes. Duas delas nos últimos dois domingos, o que prova a força da emissora aos domingos e a terceira vitória ocorreu num dia atípico, segunda-feira, 18.

Mais importante que as vitórias de domingo em que o SBT sempre foi muito forte, a vitória conquistada na segunda-feira desta semana é fundamental para consolidar a emissora de volta a briga pela vice-liderança que já estava perdida a muito para a Rede Record.

É evidente que a emissora da Barra Funda cometeu muitos erros em 2009 e fez com que sua impressionante subida de audiência que em alguns momentos até incomodou a poderosa Rede Globo minasse para uma queda brusca e ela voltasse a ser incomodada pelo SBT, mas a subida do canal de Sílvio Santos se deve muito aos próprios méritos de Daniela Beyrute, diretora da casa e filha de Sílvio.

Foi ela quem apostou primeiro nas séries do horário nobre quando todos diziam que seria um fiasco e deu no que deu - segundo pesquisa recente, a série Sobrenatural exibida no segundo semestre de 2009 na faixa nobre da emissora levantou a audiência em 85% em comparação com o mesmo período de 2008. Daniela também apostou nas faixas de shows e que vem dando grandes resultados, sempre deixando na vice liderança.

Mais recentemente foi uma aposta dela também não reprisar mais filmes e tentar colocar o máximo possível de filmes recentes e interessantes, nova subida de audiência. E por fim, é dela a idéia genial de colocar a excelente série Kyle XY para ser exibida nas tardes do canal e o resultado é de média de 6 e 7 pontos.

Ainda falta ao SBT se consolidar mais, manter a grade, consertar os erros - o sábado ainda é um ponto falho da emissora, principalmente após as 5 da tarde, quando a Record fica por horas com mais do que o dobro da audiência exibindo o ótimo programa O Melhor do Brasil, com Rodrigo Faro.

É possível que a nova grade que estreia em março e que vai colocar a faixa de shows as 22 horas e a novela Uma Rosa com Amor as 20h15 recupere ainda mais a audiência. Mas com a bagunça na grade da adversária, é quase certo que em dezembro deste ano iremos comentar como o SBT teve facilidade para recuperar o 2º lugar de audiência no ano.

*Este texto está disponível também no site Famosidades, o melhor site com notícias sobre o mundo dos Famosos.

domingo, 17 de janeiro de 2010

Viver a Vida é reduzida en 36 capítulos


Com a marca de pior audiência da história das novelas das 8, a Rede Globo decidiu se posicionar e sentenciar: Viver a Vida não terá mais de 200 capítulos como o planejado, ao contrário, a cúpula da emissora carioca bateu o martelo e reduziu a fraca novela de Manoel Carlos em 36 capítulos.

A novela tinha previsão inicial para ter 209 capítulos terminando em meados de maio, mas com a impressionante queda de audiência - a novela estreou com 43 pontos de média e hoje, raramente chega a 35, estacionando entre 30 e 33, na média geral até agora a novela está abaixo dos 35, ficando com a pior média comparativa do horário - a emissora mudou de idéia e cortou - e muito - a trama.

Viver a Vida chega ao fim no próximo dia 04 de abril com 173 capítulos - contando a reprise de sábado - se tornando assim a novela de menor duração dos últimos anos, além de ser o maior fiasco da história, uma vez que não há mais tempo para recuperar quase 5 pontos para empatar com Esperança.

A Rede Globo já se planejou totalmente e vai estrear Passione - novela de Sílvio de Abreu - no dia 06 de abril, juntamente com a nova programação da emissora. Novela esta, aliás, que tem sido encarada nos corredores do PROJAC como a grande salvadora do horário das 8 que vem capengando há um tempo. Sílvio de Abreu é experiente suficientemente para saber conduzir uma trama de modo a levar o telespectador de volta a Rede Globo no horário.

A previsão inicial é que Passione tenha 191 capítulos, terminando no dia 13 de novembro, porém, a emissora sabe que isso é um risco, pois não é uma boa idéia iniciar uma novela das 8 no mês de novembro. Portanto, se a novela recuperar o horário e for bem em audiência, a Globo deve esticá-la para 240 capítulos, terminando no começo de Janeiro e abrindo espaço para a trama de Gilberto Braga.

Com a mudança do horário nobre, a emissora da família Marinho teve de alterar outros horários também. A novela Cama de Gato que tinha previsão inicial de terminar com 161 capítulos, vai ser esticada e terá um total de 180, encerrando-se no princípio de maio. A Globo acredita que a novela tem uma boa premissa e vai deslanchar na audiência com o fim do horário de verão, já que tem se segurado na casa dos 25 mesmo sofrendo com o horário, o calor e a baixa audiência de Malhação.

Como se sabe a Rede Globo não fica muito tempo com os braços cruzados vendo que há algo de errado, e este algo, não há dúvida alguma, atende pelo nome de Viver a Vida. Encurtá-la é a melhor solução e a emissora acertou.

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