A globo enfrentou recentemente problemas graves num de seus principais - ao lado do telejornalismo - carros-chefes da programação, sua teledramaturgia - leia-se novelas. Como esquecer dos recentes fracassos, tanto em audiência como em qualidade, Negócio da China e Três Irmãs, no horário das seis e da sete, que anteriormente já haviam fracassado também com produções que não pareciam ter a marca da Globo como Eterna Magia e Sete Pecados (sim, eu sei que houve novelas sem grande audiência nesse meio tempo, mas que não foram propriamente fracasso de qualidade).
O horário nobre então, a situação era complicada. Após o fiasco que foi Duas Caras, não apenas em audiência, mas com gosto duvidoso, trama confuso e um final grotesco - a novela acabou no sábado, sem reprise e sem explicar a maior parte das situações - a emissora teve uma obra-prima, A Favorita. Que, mesmo não correspondendo inicialmente no Ibope, já que enfrentou o fenômeno na época, chamado Os Mutantes - que o tempo e a qualidade da novela global trataram de afundar - a novela chegou aos 40 de média final e como uma das melhores tramas. Em seguida veio Caminho das Índias, outra novela ruim, muito ruim e que teve audiência fraca.
Muitos achavam que era um caminho sem volta, que tanto em qualidade quanto em audiência a Globo estava em queda e eu era uma dessas pessoas, mas aí no horário das seis apareceu Paraíso, novela clichê, mas redondinha. A novela aos poucos ajudou na recuperação do horário e cresceu 6 pontos em relação a sua antecessora, chegando a 26 de média, número menos feio para a Globo.
Atualmente, o horário das 6 e das 7 estão ocupados pelas melhores novelas da emissora nos respectivos horários em muito, muito tempo. Caras e Bocas que já está com a trama bem desenvolvida é um achado. Mostra que Walcyr Carrasco é um grande escritor apesar de ter errado a mão em Sete Pecados. Com uma trama deliciosa, histórias curtas e sempre cheias de humor, Caras e Bocas reconquistou o público do horário, enquanto sua antecessora Três Irmãs chegava a dar 25 pontos, e raramente chegava a 30, Caras e Bocas se consolidou bem e não dá menos do que 30 (exceção feita ao sábado), tem média geral até agora de 31 e já chegou a incríveis 37 de média, o que era impensável para o horário a bem pouco tempo. Enquanto isso, Cama de Gato começou e começou bem. Já em sua primeira semana registrou média de 04 pontos a mais que Paraíso, subiu mais ainda na segunda semana e registrou recorde no início da terceira semana. Nessa última segunda-feira, com horário de verão e tudo, a novela registrou 28 pontos. Também, pudera, a novela, como eu já disse aqui, lembra muito A Favorita, é ágil, muito misteriosa, com excelente trama, uma vilã que promete ser infernal e uma história aparentemente muito bem amarrada.
O horário das 6 e da 7 estão aparentemente recuperados, tanto em audiência quanto em qualidade, afinal, Caras e Bocas é muito acima da média e Cama de Gato tem tudo para ser a melhor novela das 6 da década.
Porém, o horário nobre ainda está oscilante. Viver a Vida é tão ou mais ruim que Caminho das Índias, novela que não se cansa de utilizar diálogos infantis e desnecessários a trama, que não cansa de colocar mulheres e homens reunidos sem trabalhar e apenas bebendo (e tem gente que fala que Manoel Carlos é realista) o dia inteiro e que não se cansa de utilizar elementos clichês e previsíveis que chegam a irritar. O resultado é que a audiência da novela não pára de cair. Após começar com a melhor audiência desde Páginas da Vida, a novela segue caindo semana após semana e registra média geral de aproximadamente 36 pontos até agora.
Mas podemos ficar calmos, após Viver a Vida, estreia a nova novela de Sílvio de Abreu e, convenhamos, dá pra confiar em Sílvio de Abreu. E isso significa dizer que a teledramaturgia da Globo que sofreu nos últimos anos, caminha para tempos mais calmos.






