terça-feira, 1 de setembro de 2009

O Q da Globo


Sim, eu sei que a Globo tem algumas manchas em sua história. Eu também sei que a emissora é constantemente acusada de monopólio da comunicação no Brasil (o que não é totalmente verdade, neste caso, já que não se pode considerar monopólio quando existem outras redes que, apenas não possuem qualidade alguma). Sei de tudo isso e também sei que a Globo não prima por produções profundas que vão levar o telespectador a um pensamente crítico profundo acerca do que acontece em sua volta.

Mas TV é comunicação e comunicação não é apenas informação e formação, é também entretenimento e ontem, a Globo deu uma prova de porque seus diretores sempre usaram o jargão de que a emissora tem o tal "padrão Globo de qualidade". Poucas vezes vezes uma emissora me chamou tanto a atenção em suas produções como a emissora dos Marinho fez ontem.

A começar pelo brilhante capítulo de Caras e Bocas que estava muito mais do que simplesmente divertido. Estava hilário. E não é de hoje que eu venho notando que Walcyr Carrasco está fazendo o que outros autores deveriam: se reinventando. Sim, a novela é uma comédia típica, mas as situações engraçadas são novas, nada daquelas cenas clichês de comédia que estamos acostumados. O autor ousou e o resultado é a audiência recuperada no horário, além de cenas espetacularmente hilárias.

Não se pode deixar de lado também a capacidade de ousadia da direção de jornalismo da emissora. Desde que começaram a comemoração de 40 anos do Jornal Nacional que a Globo vem "desingessando" o principal jornal televisivo do país. Tudo começou de forma leve, com um diálogo aqui e outro ali de Willian e Fátima e as mudanças foram paulatinas até atingir o ápice ontem. A estreia do novo cenário que comemora os 40 anos do JN no país foi ousado, com um desgnin novo, muito bonito e tons com cores interessantes. O Globo girando atrás dos apresentadores é um espetáculo de lindo e a ideia foi brilhante. Mas o que mais me chamou a atenção foi ver Fátima Bernardes descer, sair do estúdio e mostrar para o telespectador como funciona a redação do JN, enquanto isso, em pé, Willian Bonner apresentava o novo cenário. Depois, ambos simplesmente se sentaram e apresentaram o jornal com naturalidade. Ver a entrevista de um repórter (ontem foi Ernesto Paglia) na bancada do Jornal, contando um pouco de sua história na Globo também foi muito interessante.

E para fechar a noite Q da Globo, o melhor capítulo, disparado de Caminho das Índias. Finalmente Glória Perez voltou aos bons tempos em que escrevia O Clone e soube dosar perfeitamente um capítulo. Várias situações interessantes acontecendo simultaneamente na novela e nos diversos núcleos prenderam nossa atenção o capítulo todo. Eu preciso parabenizar Vitória Frate que faz o papel da Júlia na novela pela excelente interpretação na cena em que ela se encontra com Raul e se desespera ao saber que o pai está vivo. Linda cena, linda fotografia, lindo texto, ótimas interprestações e ótima direção.

Num momento em que SBT e Record brigam pela segunda posição e após um domingo infeliz do SBT em sua estretégia de programação e de uma estreia fraca de Gugu na Record, ambas poderiam assistir um pouco da programação da Globo e aprender com quem sabe fazer televisão.

2 Quebraram tudo:

rodriguinho a.m disse...

Só quero dizer uma coisa: concordo plenamente com tudo que foi dito. A globo é a globo!

Donizete Jr. disse...

Toda essa rasgação de seda é pra ver se eles dão olhadinha no seu currículo? Pra mim continuam sendo manipuladores da opnião de milhões de brasileros sucetiveis e infelismente vc é + 1.

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