segunda-feira, 1 de abril de 2013

Xuxa é maior que a TV brasileira

No último sábado a Rede Globo exibiu uma impressionante homenagem a apresentadora Xuxa Meneghel por seus 50 anos de idade. A festa aconteceu dentro do próprio programa da apresentadora e serviu para mostrar o tamanho de Xuxa. Na verdade, serviu mesmo para mostrar que é difícil mensurar um tamanho para alguém que representa tanto para nossa TV.

O programa, sob o comando de ninguém menos que Pedro Bial, foi todo lindo e emocionou. Não há o que se falar da produção em si, que conseguiu mostrar a real importância de Xuxa para o telespectador brasileiro. Se há algo a se questionar, contudo, é a decisão da emissora em levar ao ar o show num sábado a tarde. É bem verdade que este é o horário de exibição do TV Xuxa, mas a apresentadora merecia um evento no horário nobre. A sexta-feira anterior teve exibição de filme no Cinema Especial, pois a nova grade começa para valer a partir de hoje, não custava ter colocado o evento ali. Uma pena que ninguém pensou nisso.

Mas ainda assim, este foi um momento de reflexão sobre a apresentadora. Acusada pela mídia conservadora e pelos pseudointelectuais de deseducar as crianças nos anos 90. A apresentadora, nomeada pela maioria como Rainha dos Baixinhos, foi um verdadeiro furacão desde que assumiu as funções de apresentadora infantil ainda na década de 80. Com um carisma raramente visto, ela causou comoção e idolatria em boa parte da geração nascida a partir do fim da década de 70.

Tentar explicar para uma criança ou adolescente dos dias atuais tudo que Xuxa significou para as crianças daquela época é muito difícil, pois a TV mudou tanto que é impensável imaginar que possa haver um tipo de idolatria nesses moldes. Xuxa foi a mãe, a tia, a vizinha, a madrinha, a babá e mesmo a professora de milhões e milhões de crianças por anos a fio. Pode-se questionar os métodos da emissora em transformá-la em Rainha dos Baixinhos, mas não se pode jamais negar a importância histórica que ela tem na vida de toda uma geração de crianças.

Mais do que isso, ela é corajosa. Ao deixar a zona de conforto em que estava com o universo infantil e assumir para si o desafio de dialogar com adolescentes ela arriscou. Além de ser a primeira mulher a brigar, de fato, na forte disputa de audiência que é o domingo, Xuxa mostrou-se madura e audaciosa. O seu Planeta Xuxa foi um dos marcos da TV brasileira, pois soube como poucos programas dialogar com adolescentes e também servir de espaço para toda a família.

Xuxa é mais que uma simples apresentadora. Ela é uma comunicadora nata. Entendendo sua importância junto ao público, nunca ninguém a vê de mau humor. Está sempre disposta a sorrir para fotos, a falar com os fãs e a dar conselhos, transmitindo fé e esperança. Xuxa sabe seu próprio tamanho. Não importa se seu programa atravessa uma fase complicada em termos de audiência - muito mais culpa de uma direção que não compreende o estilo da apresentadora - se ela chega a perder para a concorrência. Ela não precisa mais de números para se mostrar. Ela é maior que o Ibope. Ela é maior que a própria TV.

terça-feira, 26 de março de 2013

Homenagem: Um ano de Avenida Brasil

Há um ano os telespectadores brasileiros aguardavam ansiosamente o horário das 21 Horas para acompanhar a estreia da nova novela de João Emanuel Carneiro. Neste horário, no meio da tarde, era impossível dizer o que se veria no ar, mas a ansiedade já era grande, graças ao currículo do autor e as chamadas que aguçavam ainda mais a curiosidade do público.

Por volta das 22h30 do dia 26 de março de 2012, telespectadores boquiabertos diante da TV por todo o brasil estavam estupefatos diante do primeiro capítulo mais avassalador que a televisão brasileira já teve notícias. Assim, Avenida Brasil mostrou seu cartão de visitas. O primeiro dos quase 180 capítulos que mudariam para sempre os rumos da teledramaturgia nacional.

Agora, um ano depois da estreia, é possível lembrar com carinho de todas as personagens e ainda perceber que tudo está muito vivo no imaginário popular. A novela subiu dos patamares normalmente vistos por um folhetim e se transformou em raro fenômeno de repercussão, literalmente parando o Brasil. Tanto que sua sucessora sofre até hoje por conta da viuvez que a trama de JEC deixou.

Falar sobre a competência do autor, a ousadia e inspiração assombrosa da direção ou do elenco afiado é chover no molhado e repetir tudo que já foi dito ao longo dos meses de exibição. Garantir a saudade de personagens como Nina e Carminha, além de tantos coadjuvantes que honraram este nome, deram um show de talento e produziram uma Novela, assim mesmo, com "N" maiúsculo. É impossível falar de Avenida Brasil sem falar do show de seu elenco, ou do roteiro absurdamente genial ou da direção num estado de graça poucas - ou nunca - vezes visto na TV.

Por isso, o Blog decidiu homenagear o que consideramos a melhor novela da História da Teledramaturgia de uma forma diferente. Veja abaixo os textos publicados pelo TVxTV ao longo da exibição desta novela que estará para sempre na memória dos fãs brasileiros.

1 - Avenida Brasil ignora apresentações e chega como rolo compressor

2 - O Assombroso ritmo de Avenida Brasil

3 - Avenida Brasil é uma coleção de acertos

4 - O Capítulo incrível de Avenida Brasil

5 - Adriana Esteves muda as vilãs de JEC

6 - Avenida Brasil e o esqueleto de A Favorita

7 - Avenida Brasil ou A Favorita?

8 - Débora Falabella: a maturidade de uma ótima atriz

9 - Avenida Brasil em um momento antológico

10 - A Construção narrativa na virada de Avenida Brasil

11 - Avenida Brasil aponta um perigo: o jornalismo de troca de favores

12 - 08 Referências Cults do capítulo 102 de Avenida Brasil

13 - A Difícil Missão de ser João Emanuel Carneiro

14 - A diferença do Real e do Verossímil

15 - Avenida Brasil e a pergunta que perturba o país

16 - A.Avbr. D.Avbr. na Teledramaturgia Nacional

17 - As 10 frases mais engraçadas de Carminha

O Impressionante Fôlego do Big Brother Brasil

É possível discutir o gosto pessoal do público. É possível manter a eterna discussão das vantagens e desvantagens de se assistir um Reality Show com formato como o do Big Brother Brasil - atualmente a segunda maior audiência da TV brasileira, perdendo apenas para a novela das 21 Horas. Mesmo quem gosta do programa pode discutir se gostou ou não dos participantes escolhidos para a 13ª edição. Fato inegável é o fôlego deste Reality.

Com 13 edições é raro um programa enfrentar todas as mudanças que a TV passou neste milênio e permanecer intacto, pois o Big Brother conseguiu. É bem verdade que nos últimos anos houve alguns questionamentos sobre o desgaste natural que o show estava enfrentando - a 11ª edição foi a mais questionada neste quesito - mas um dos pontos altos da atual edição que chega ao fim nesta terça-feira é justamente a capacidade de se reinventar e manter o fôlego, mostrando que ainda há um longo caminho de prosperidade para a produção.

Inacreditável pensar que, após tantas edições, era possível surpreender. Pois em 2013 o Reality foi uma sucessão de surpresas. A ideia de recolocar 6 ex-participantes na Casa foi fundamental para alterar a dinâmica do cotidiano da casa e, a começar por isso, já surpreendeu o telespectador. A presença dos brothers conhecidos já ressuscitou torcidas prós e contras e levou o programa a evidência necessária mesmo antes da estreia.

Pessoalmente - e aí é algo muito particular - considero a escolha de todos os participantes bastante inteligente. Embora possa ter odiado alguns em determinados momentos, tudo isso foi por situações do jogo, o que prova que eles marcaram presença. Num Reality Show de confinamento a escolha é equivocada quando um participante passa sem despertar absolutamente nenhum sentimento no telespectador. Amor e ódio caminham juntos e, se conseguiu um dos dois, cumpriu o objetivo. E o programa conseguiu desde a primeira semana com a eliminação de Aline, capaz de criar torcida contra e a favor logo no primeiro dia.

Mas os participantes foram meros coadjuvantes de um show que teve um protagonista: o diretor. Boninho mostrou estar muito afiado no comando deste programa e conhecer bem a linguagem e exatamente a expectativa do público. Com novas regras, interferindo diretamente no cotidiano do jogo, o diretor manteve o programa ligado a 220 por praticamente todos os dias, conseguindo resultados quase épicos em alguns momentos.

Todas as novas ideias da direção funcionaram perfeitamente e serviram apenas para contribuir e manter o foco no programa. E os VTs estavam particularmente deliciosos. Fazia muito tempo que não se via edições tão afiadas ao se criar personagens para os participantes. Especialmente os programas de terça - dia de eliminação - foram muito felizes como há muito tempo não se via. Pedro Bial, o competente apresentador, mostrou a mesma segurança e competência de anos atrás, mas não conseguiu ser o grande destaque diante de uma direção inspiradíssima.

O Big Brother Brasil 13 chega ao fim nesta terça-feira e, independente de como for ao ar o último episódio, ele já deixou sua marca. A marca da reinvenção e que mostra haver possibilidades de muitos anos pela frente de um programa em que pode-se questionar muitas coisas, menos a qualidade de sua realização. Um verdadeiro show.

segunda-feira, 25 de março de 2013

A eterna discussão entre qualidade e audiência fácil

Enquanto houver televisão ou qualquer outro meio de comunicação de massas a discussão será eterna. Debater e refletir sobre o que é produzido na TV brasileira não é tarefa das mais simples e exige uma visão ampla de diversos aspectos sócio-culturais. Fugir do óbvio e tentar contornar o preconceito são as tarefas mínimas para quem tenta entender o processo de produção no mercado televisivo nacional.

Existem, basicamente, dois pontos de vista nessa discussão. O primeiro é o de que a televisão, enquanto entretenimento, precisa levar ao ar exatamente aquilo que aponta ser o caminho natural que agrade seu público-alvo - o telespectador. A forma mais rápida de se descobrir quais os anseios deste público é através dos números de audiência - existem outros mecanismos um pouco mais complexos, mas que não entram na discussão. Ou seja, a forma mais evidente de se descobrir se determinado produto agrada ou não é verificando sua aceitação junto a audiência.

Este ponto de vista é defendido por aqueles que adoram lembrar a invenção do controle remoto. O argumento é de que o público é quem escolhe o que assistir. Se considera determinada produção ruim e de baixa qualidade - seja do ponto de vista do entretenimento ou cultural - ele é o senhor de si e de sua televisão, tendo a opção por escolher qualquer outra emissora. Para os que concordam com este ponto de vista, é preciso oferecer tudo ao telespectador e deixar que ele decida o que quer. Se ele escolheu um show com qualidade questionável, o problema talvez esteja nos críticos, pois a TV é feita para o público, não para a crítica.

Será? Existe um outro ponto de vista a se olhar. De fato, é inegável que TV é basicamente entretenimento - exceção ao jornalismo - e entretenimento é como lazer, quem pratica tem o direito de escolher o que quer. Mas televisão é muito mais que puro entretenimento, ela oferece tendência, faz parte da formação cultural e até moral da população porque atinge uma parcela grande da população. Afirmar que é apenas lazer é ser superficial e simplório demais na análise.

Quem produz TV deve levar em conta a responsabilidade social por trás de todos os produtos que vão ao ar. Essas pessoas são responsáveis por contribuir pela formação das pessoas. A TV aberta fundamentalmente é peça-chave na construção da mentalidade de uma sociedade, principalmente a brasileira em que a educação está muito longe de ser a ideal. O público-alvo da televisão brasileira não possui um senso crítico elevado e, justamente por isso, a responsabilidade de quem produz os shows se torna ainda maior.

Não se pode dar "o que as pessoas querem ver" sob este prisma. É como uma criança inocente que não sabe discernir nada e prefere comer doces o dia todo a ser alimentada de forma correta. Entretenimento que forma uma população doente, que vislumbra a exploração da desgraça alheia e que se diverte com quadros sensacionalista é corrosivo para a sociedade brasileira. Programas como o Teste de Fidelidade e boa parte do Programa do Gugu que continua explorando o caso do anão a exaustão contribuem apenas para formar uma população doente e sem nenhuma formação cultural.

Tanto o Programa do Gugu quanto o Teste de Fidelidade - e são apenas os dois exemplos mais evidentes - prestam um desserviço à sociedade brasileira. É bem verdade que eles vem conseguindo audiência interessante - enquanto o primeiro atingiu a liderança, o segundo é a principal audiência de sua emissora - mas a população brasileira não tem condições de escolher sozinha o que quer assistir, escolhendo com qualidade, é preciso responsabilidade social e esses shows não têm nenhuma responsabilidade. São apenas show de horrores em busca de audiência fácil, ainda que isso contribua para fazer do Brasil um país ainda pior.

quarta-feira, 20 de março de 2013

Direção atrapalha Salve Jorge

A onda de críticas que Salve Jorge vem recebendo esta semana, ao contrário dos muitos tons acima que acentuavam certa perseguição até bem pouco tempo, é bastante acertada, embora pessoas que se manifestem como entendedores do assunto, acabam demonstrando bastante desconhecimento da mecânica de funcionamento de uma produção de TV.

Glória Perez não precisa de defesa, seu currículo fala por si só, e como já foi dito aqui, a atual trama é a melhor dela e um acerto da autora. Porém, uma novela não sobrevive exclusivamente da ousadia de seu autor e de um roteiro inovador, instigante e que provoque diversas reações no telespectador. Para sobreviver exclusivamente do texto, é necessário que se escreva um livro - ainda assim são necessários alguns elementos que vão além da capacidade do autor.

Avenida Brasil, trama anterior, é um exemplo clássico disso. O sucesso da produção se deveu ao casamento perfeito do extraordinário texto de João Emanuel Carneiro com a direção primorosa de Ricardo Waddington com sua equipe (destaque para a divina Amora Mautner, a melhor diretora de cenas da atualidade) e um elenco em raro estado de felicidade. Tudo precisa funcionar em harmonia para que o que é escrito vá ao ar exatamente da maneira como a planejada.

E o roteiro da novela é muito bom. Sobrevivendo de intensas viradas, cenas ágeis e bastante ação, o roteiro se apoia no que parece ser o gosto atual do telespectador: adrenalina. A brincadeira de gato e rato entre Helô (Giovana Antonelli) e a quadrilha de tráfico de pessoas vem se encorpando nas últimas semanas e tomando conta da história, com participação fundamental da protagonista, Morena (Nanda Costa). A ação, inclusive, conseguiu suprimir os momentos de amor que são marca fundamentais da autora. Ninguém pode acusar esta novela de apresentar roteiro lento.

Porém, é preciso saber separar texto dos outros elementos do folhetim. E em Salve Jorge há um grande problema - desde a estreia, aliás. Trata-se da direção que vem se equivocando de maneira grave e atrapalha a produção como um todo. Os erros são dos mais variados, desde continuidade - como no caso dos diferentes cabelos de Morena - como de posicionamento de câmera e mesmo direção de atores, permitindo cenas que deveriam ser intensas se transformarem em um amontoado de frases ditos um por cima do outro.

Nas últimas semanas, porém, os erros estão se tornando mais evidentes porque aparecem em cenas fundamentais para o bom andamento da história. A sequência exibida no capítulo da última terça, 19, foi sintomático. O texto foi bem escrito, desde o planejamento da delegada em armar uma emboscada contra Lívia (Cláudia Raia) e seus comparsas até o momento de seu atentado falso. O texto finalizado no capítulo com "morre, maldita" dito pelo vilão Russo foi o ponto alto para encerrar uma cena tensa e que poderia ser da melhor qualidade, mas não foi. Isso porque a direção se equivocou em toda a sequência. Desde o momento em que Russo sai do carro até os tiros na suposta delegada, nada funcionou. O boneco caindo foi constrangedor porque era nítido não se tratar de um ser humano.

Marcos Schechtman é um diretor tarimbado, competente e que fez um excelente trabalho em Caminho das Índias, contribuindo bastante para a produção vencer o Emmy Internacional, mas dessa vez, está errando muito mais que o permitido e atrapalha que a novela seja um diferencial.

Salve Jorge é uma novela ousada que trata de um tema importante e válido. Glória Perez acertou a mão no roteiro e acerta na maioria dos diálogos, produzindo um texto interessante de se ouvir. O problema é a direção que está muito abaixo do esperado para uma novela das 21 Horas. Este é um exemplo clássico de quando texto e direção não dialogam.

terça-feira, 19 de março de 2013

Dani Calabresa não funciona na estreia do CQC

O retorno do CQC nesta segunda-feira, 18, foi muito mais que a simples volta da trupe que sempre atrai olhares por sua inovação e modelo inteligente de se tentar fazer humor na TV brasileira. Todos os anos a nova temporada do grupo é aguardada com ansiedade, pois normalmente sempre há novidades interessantes e criativas. Mas em 2013 o foco de toda a crítica - e de um grupo de telespectadores também - era a estreia de Dani Calabresa, grande revelação do humor da MTV nos últimos anos.

A ideia em levar a humorista para o show foi um risco calculado na intenção de apresentar uma novidade relevante, principalmente porque pelo menos nas duas últimas temporadas, a trupe não conseguiu apresentar nada de novo e o humor considerado com frescor nos anos iniciais já começava a demonstrar certo desgaste, embora continuasse com o mesmo estilo ácido, inteligente e com ótimas sacadas. Faltava arriscar.

E a presença de Calabresa era o risco que faltava, além de recolocar o programa em evidência novamente, tudo que uma produção de TV precisa. A expectativa foi aumentando conforme a emissora ia divulgando os teasers do show e também com entrevistas dos envolvidos para a mídia especializada. A grande questão era saber se a humorista havia acertado ao assinar com a Band, entrando em um grupo já consolidado e com um estilo completamente diferente do que ela produzia na MTV.

A tirar pela estreia, a ideia não funcionou. É preciso calma ao analisar esta frase e configurá-la dentro do contexto da participação de Dani nesse retorno do CQC. Muito longe de ser uma profissional limitada, ela mostrou todo o seu talento para o humor, para o improviso e para a imitação - seu forte - no tempo em que ficou no ar neste primeiro episódio. A participação dela foi, de fato, engraçada, criativa e apresentou uma mistura de tudo que ela já havia feito na outra emissora.

Porém, a participação deixou o programa com ares de disfuncionalidade. A começar por sua presença na bancada para divulgar seu quadro - o que parece ser regra da temporada. Não se faz necessário levá-la na bancada apenas para isso, todo o esforço deu a impressão de ser apenas uma forma de valorizar a profissional competente que ela é, mas desconfigurou todo o esqueleto do programa que sempre funcionou muito bem.

O quadro em si é ainda mais distante da produção do CQC. Quem assistiu todo o programa de estreia da temporada, ao ver o quadro de Dani Calabresa, sentiu-se certamente assistindo a uma esquete de humor durante um dos intervalos. O humor proposto esteve muito distante, para não dizer antônimo, do restante do programa. 

A mistura de humor com jornalismo esteve muito em evidência neste bom retorno do CQC, mas Dani Calabresa apresentou um outro formato de humor, que em nada lembrou o restante do episódio e causou bastante estranheza. Não é porque há qualidade - e há bastante - que estilos de humor completamente diferentes podem se alinhar dentro de um mesmo show. É arriscado e nem sempre funciona. Neste caso, não funcionou.

sexta-feira, 15 de março de 2013

Cobertura no Vaticano mostra porque Patrícia Poeta foi escolhida no JN

Já se passou mais de um ano desde que a jornalista Patrícia Poeta deixou a apresentação do Fantástico para assumir a bancada do Jornal Nacional, substituindo a competente Fátima Bernardes. Na época, boa parte da mídia se perguntou qual foi o critério para a escolha da profissional para tamanha responsabilidade, uma vez que, para qualquer pessoa, assumir a cadeira de Fátima não seria uma tarefá fácil, pois o carisma dela é algo incomparável.

Desde que assumiu seu novo cargo, a apresentadora sofreu todo tipo de crítica. Algumas, inclusive, maldosas sugerindo benefícios por conta do casamento - uma bobagem sem tamanho. Fato este é que, viúvos do estilo de Fátima Bernardes passaram a criticar diariamente a atuação de Patrícia e mesmo um ano depois da escolha, ela ainda sofria com sugestões de outros nomes propostas por todo tipo de gente, inclusive da mídia especializada.

A vasta experiência profissional que inclui a participação autêntica no Fantástico e deu a ela um currículo invejável era ignorado por estas pessoas que não conseguiam desvincular a imagem do Jornal Nacional a sua antiga apresentadora. Fato parcialmente justificado visto o período em que a dupla Fátima e Bonner comandaram o principal Jornal do país, mas inaceitável quando se tratava da crítica que não pode se alimentar desse tipo de sentimento em momentos de análises.

É bem verdade que haviam outros nomes possíveis para assumir a bancada na ocasião. Pudera, trata-se da 3ª maior emissora do mundo e uma das mais bem sucedidas equipes de Jornalismo televisivo do Planeta. É óbvio que existem muitas profissionais gabaritadas e com tarimba para apresentar o Jornal Nacional. Porém, a não escolha da predileta pessoal de alguns não pode desqualificar o trabalho desenvolvido por outros.

Independente disso, Poeta foi trabalhando ao seu estilo, mostrando a mesma competência que a levou a ser reconhecida por seu profissionalismo e sua adaptação foi rápida, segura e serena. Sem grandes equívocos, a jornalista nunca tentou copiar o estilo de sua antecessora e manteve sua própria personalidade empregando uma nova assinatura ao programa.

Se havia desconfiança procedente sobre Patrícia Poeta ela se dissolveu nesta semana. A cobertura do Jornal Nacional junto ao Vaticano para a escolha do novo Papa deu a ela a oportunidade de mostrar a versatilidade enquanto jornalista e explicou bastante a sua escolha há um ano para substituir Fátima Bernardes. Poeta empregou um ritmo completamente novo a esta cobertura in loco, fato inédito na História do Jornal. 

O assunto era sério, importante, histórico. Ainda assim, ela conseguiu apresentar com doçura, leveza e muitos momentos de bom humor, sem parecer, contudo, ser desrespeitosa a fé alheia. O tom formal que nos acostumamos ao assistir o jornal - basta olhar como William Bonner cobriu a cobertura da escolha do Papa em 2005 - foi dissipado, mas manteve-se a credibilidade.

Essa cobertura leve foi a melhor forma de explicar o motivo de Patrícia Poeta ser escolhida como nova comandante do Jornal Nacional. Não é segredo para ninguém que o jornalismo da Rede Globo vem tentando se desvincular da imagem excessivamente formal, gélida que marcou a história da emissora e Patrícia Poeta representa exatamente isso: credibilidade com doçura, leveza e bom humor.

Twitter Facebook Adicionar aos Favoritos Mais

 
Tecnologia do Blogger | por João Pedro Ferreira