sábado, 21 de agosto de 2010

As 10 Melhores Cenas da Década

Em continuação à nossa Lista de Melhores da Década, já que estamos - finalmente - no último ano da primeira década do milênio. O Blog divulga hoje as 10 Melhores Cenas da teledramaturgia Brasileira na atual década. Não foi fácil chegar a este grupo de cenas, porém, conseguimos. É provável que alguns produtos ficarão de fora de forma injusta, como o caso de algumas cenas da série A Cura, porém, não há como esperar todos os produtos terminarem, pois assim, a década também terá terminado. Vamos, por tanto, a lista.

10 - Verônica tenta fugir do Brasil (Cama de Gato)


A tentativa de fuga da vilã vivida por Paola Oliveira tornou-se marco e hit na internet devido a coragem da produção em fazer com que a personagem interagisse com o telespectador olhando diretamente para a câmera e soltando a inesquecível frase: "Bye, bye, Brasil".

9 - Laura visita Maria Clara na cadeia (Celebridade)


Uma das cenas mais lindas de toda a novela, principalmente porque ali, Laura (Cláudia Abreu) conta toda a sua história e, partindo disso, fica difícil saber quem é verdadeiramente a vilã da trama. Ela, ou Maria Clara (Malu Mader), grande interpretação.

8 - A morte de Débora (Cama de Gato)


Uma cena que poderia ser vista como infantil, numa história paralela que poderia nem pegar junto ao público. Mas a forma como foi escrita, dirigida e também com atuação de qualidade de todos os envolvidos levaram esta cena a se tornar a mais emocionante de toda a novela.

7 - Fernanda termina tudo com Tony (Poder Paralelo)


A qualidade do texto, a impressionante performance de Paloma Duarte elevaram esta cena a provavelmente a mais emocionante e bem feita da história recente da Rede Record. Numa novela tida como violência, a cena comprova a suavidade e a dramaticidade que só Lauro César Muniz sabe escrever.

6 - Laura apanha de Maria Clara (Celebridade)


A primeira grande surra que uma mocinha dá na vilã (depois disso, a seqüência virou moda no Brasil). Maria Clara (Malu Mader) se vinga de todas as artimanhas de sua concorrente e a deixa literalmente em estado crítico.

5 - Júlia vê Bia morrer (Belíssima)


Glória Pires mostra porque é chamada de a grande dama da TV brasileira numa seqüência extraordinária criada por Sílvio de Abreu e com a direção impecável de Denise Saraseni. A morte de Bia Falcão tornou-se um marco na década da TV brasileira.

4 - Dalva perde a guarda dos filhos (Dalva e Herivelto)


Uma das minisséries mais bem produzidas da Rede Globo e numa cena emocionante em que Adriana Esteves mostra todo seu talento e dá um banho de interpretação, emocionando todo o público que acompanhou a bela história.

3 - Flora é a vilã (A Favorita)


Revelado o grande mistério por trás da novela mais inovadora dos últimos 20 anos na TV brasileira. A vilã de A Favorita não era Donatella (Cláudia Raia) como alguns começaram a crer nos primeiros capítulos da trama, mas era Flora (Patrícia Pilar), que se tornaria a maior vilã da história da TV.

2 - Vitória é filha de Bia (Belíssima)


Após descobrir ser a filha perdida de Bia Falcão (Fernanda Montenegro), Vitória (Claudia Abreu) se encontra com a mãe numa das cenas mais geniais da década. Carga dramática impressionante e Cláudia Abreu e Fernanda Montenegro arrasaram em cena. Texto perfeito e que emocionou a todos.

1 - Flora mata Gonçalo (A Favorita)


Se existe uma cena macabra na televisão brasileira, é esta. Seqüência que mais parecia os filmes de Hitcock fez com que o público fosse a loucura com Flora (Patrícia Pilar). O grau de suspense e terror da cena tornaram a morte de Gonçalo a cena mais impressionante da TV brasileira não apenas na década, mas desde sempre.

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Tititi: o melhor texto das novelas brasileiras

Já se foi tempo suficiente para que qualquer pessoa consiga fazer uma análise mais apurada e abrangente da novela das 7, Tititi. Escrita por Maria Adelaide Amaral em adaptação livre (e não um remake) das obras de Cassiano Gabus Mendes, a trama conquistou o público no seu primeiro mês de exibição e já tornou-se a maior audiência parcial das novelas das 7 desde Pé na Jaca, o que atualmente significa muita coisa, já que para muitos a audiência declinada das novelas era um fato consumado.

Muitos fatores contribuíram para que o folhetim se tornasse este fenômeno não apenas de audiência, mas principalmente de repercussão - certamente ela é a novela mais falada nas ruas atualmente. Um deles se deve a lembrança da história original de Jaques Leclair e Victor Valentin, afinal, a geração que assistiu a novela na década de 80, em sua esmagadora maioria, ainda está por aí relembrando e contando aos filhos e netos e isso atrai a audiência.

Outro ponto positivo a favor de Tititi se deve na feliz escalação de elenco. O horário exige não apenas enredos leves, mas interpretações leves e no ponto correto, fugindo da caricatura e do clichê. E o elenco entendeu isto conseguindo criar elementos técnicos que levam o telespectador ao delírio a cada situação que, por mais pastelão que seja, não soa falsa ou exagerada. Tudo é muito bem interpretado e o público enxerga verdade nas atitudes.

Entre o elenco muitos são os destaques: Murilo Benício mostrando que é um baita ator e faz humor como poucos no Brasil, Malu Mader finalmente deixando de ser apenas Malu Mader e interpretando com ousadia, Ísis Valverde completamente a vontade em seu papel de mocinha meio sem escrúpulos. Mas se Tititi tem um nome este nome atende por Cláudia Raia. A rainha e diva da novela, ela rouba a história e toma conta da tela em cada aparição. A personagem mais divertida das telenovelas brasileiras em muito tempo.

Mas o sucesso da história não se dá em todos os elementos citados anteriormente. Está no texto. Maria Adelaide Amaral é uma grande autora, disso já se sabe há mais de uma década. Porém, ela está especialmente inspirada neste trabalho e tem promovido um roteiro cheio de diálogos que impressionam pela qualidade, pela atualidade e frescor - coisa rara numa obra adaptada. A autor consegue levar o público às gargalhadas com frases sensacionais e sem criar bordões superficiais e repetitivos, outro fato raro entre novelas de humor. O texto de Tititi é o melhor entre as novelas brasileiras atuais e, a trama com isso, torna-se, até o momento, disparada a melhor novela das 7 da década.

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

A Cura - 1x02

Após um primeiro episódio de apresentação bastante complexo, porém cheio de nuances aprofundados e com seqüências ágeis, principalmente a partir da metade do episódio Piloto, a série global A Cura, de João Emanuel Carneiro teve seu 2º episódio exibido na última terça-feira e mostrou uma história bem construída, com uma narrativa contida e cheia de elementos complexos.

Se o primeiro episódio apresentou personagens e mostrou um mapa da história que seria contada, o segundo episódio mostrou uma veia diferente do autor que, ao contrário de todos os outros trabalhos, optou por uma narrativa mais lenta, porém muito mais aprofundada e complexa. Ao terminar o episódio desta semana o telespectador ficou com uma certeza: não é fácil entender a construção narrativa de A Cura.

Personagens extremamente complexos, com traços de personalidades que nem sempre combinam entre si, além de um roteiro que apresenta uma história não linear, indo contra toda a idéia de narração, e situações que sempre apresentam diálogos extremamente complexos foram marcos nesta semana. Ninguém é apenas o que parece ser. Dimas é um personagem tortuoso com uma história de vida complicada e muito sofrida, porém, o misticismo que gira em torno dele, a possibilidade de ser a reencarnação de um curandeiro e os conflitos que o perseguem, deixam-no extremamente sombrio em alguns momentos e cada texto que sai de sua boca vem com diversos significados e que podem tanto ajudar quanto complicar a interpretação do público.

Além disso, a história que corre paralelamente e mostra um personagem mau e que vive em outra época, porém na mesma cidade, torna tudo mais complexo. Afinal, qual a ligação entre ele e os dias atuais, onde de fato ocorre a história? Em que ponto da história as narrativas se encontrarão e formarão o elo? Essa é a pergunta que não sai da cabeça do telespectador e mantém o interesse constante pela história que é novidade no mundo das séries e um chamariz muito inteligente.

Não se pode abandonar ainda a interpretação de qualidade de todo o elenco. Se em 2009 a Globo surpreendeu ao mostrar uma série com formato teatralizado e um elenco perfeito com Som e Fúria, em 2010 a qualidade de elenco se repete em A Cura com todos muito afinados, inclusive o excelente elenco de atores mineiros. Porém, destaque mesmo para Selton Melo que vem fazendo um trabalho extraordinário, acima de qualquer comparação no ano.

A profundidade de A Cura a distancia completamente do modelo de dramaturgia da TV brasileira. O público foi acostumado a narrativas simples e histórias rasas, portanto, pode ocorrer que alguns telespectadores se afastem confusos. Porém, é esta a profundidade que falta para a TV e que leva muitos espectadores a procurarem produtos importados como as séries americanas. E em matéria de profundidade, complexidade e roteiro bem amarrado e intrigante, A Cura não fica atrás de nenhuma delas.

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quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Uuma Rosa com Amor foi ruim, mas cumpriu papel importante

Encerradas as atividades e exibição da novela de Tiago Santiago, sua primeira na nova casa SBT, Uma Rosa com Amor, é possível realizar um balanço importante do que ocorreu na emissora, especificamente na área de teledramaturgia no ano de 2010.

A emissora de Sílvio Santos tem duas posturas ao longo da história e que podem tentar explicar o momento da trama de Tiago Santiago. Um dos momentos mais marcantes do SBT se deu em meados da década de 90, quando o proprietário entendeu que, se quisesse brigar com a Globo em qualquer esfera, deveria investir no que o brasileiro mais gostava de ver, as telenovelas. A partir daí, a Rede passou a produzir novelas de qualidade e deu resultados extraordinários por anos a fio. Tramas como Éramos Seis, Sangue do meu Sangue, As Pupilas do Senhor Reitor e até Chiquititas estão gravadas na memória da população brasileira.

O segundo momento se deu justamente no início da atual década, quando a Rede Record passou a investir também na área e Sílvio Santos recuou, temendo uma guerra de bastidores que inflacionaria o preço do Mercado e inviabilizaria as produções da Casa. Com isso, o SBT perdeu toda a recente história de produção de telenovelas e caiu no esquecimento do público.

A tentativa de retomar o projeto começou há alguns anos com produções de novelas escritas pela esposa de Sílvio, Íris Abravanel. Novelas despretenciosas e que nem merecem avaliação mais rígida voltaram a abrir as portas do SBT para o Mercado. A contratação de Tiago Santiago foi o passo mais importante que a emissora deu na década em busca de retomar seu lugar na teledramaturgia brasileira.

Tiago Santiago nunca foi bom autor. Era de se esperar que Uma Rosa com Amor fosse uma novela sem profundidade, com diálogos didáticos e irritante em alguns momentos. Com a fraca direção, principal ponto baixo da emissora em relação a concorrência, a trama acabou sendo constrangedora em alguns momentos. Vários destaques negativos, inclusive a maior parte da atuação do elenco que, mesmo bem escalado, não soube usar todo o potencial em virtude da péssima direção. Destaque positivo no elenco foi um: Carla Marins, grande protagonista.

Porém, tudo isso é menor. O SBT com Uma Rosa com Amor voltou a marcar território no cenário nacional em relação às novelas. O público que estranhou muito porque tinha perdido o costume de ver o produto na emissora, acabou não dando audiência satisfatória até mais da metade da produção, porém, como era de se esperar, a audiência cresceu e, na última fase da novela girou sempre entre 7 e 9 pontos (a média geral da trama foi de 6 pontos). O último capítulo conseguiu fechar com 10 pontos e na vice-liderança isolada, grande resultado para a Casa.

O grande ponto positivo de Uma Rosa com Amor foi, portanto, justamente este, recolocar a emissora no Mercado e, com Tiago Santiago produzindo novas telenovelas e Íris Abravanel, agora autora que estudou e se preparou, é possível que os resultados comecem a aparecer e a melhorar.

sábado, 14 de agosto de 2010

Os Melhores Vilões da Década

2010 já está indo e com ele, a primeira década de um novo século e um novo milênio. Como todo e bom blog, chegou o momento de fazermos nossas queridas listas de Melhores da Década. As Listas sairão semanalmente aos sábados e tratará de diversos temas exclusivos da TV aberta do Brasil. Ao final, se houver tempo hábil, iremos também realizar algumas listas de Piores da Década e, quem sabe, algo relacionado a TV Fechada e Internacional. A primeira lista já será polêmica, os 10 melhores vilões da década atual.

10º - Leona (Carolina Dieckman)

Após bilhões de papéis da boa moça quase puritana e santa, Carolina Dieckman aceitou o desafio de defender na TV sua primeira vilã. Na ótima novela Cobras e Lagartos escrita por João Emanuel Carneiro para o horário das 7, Carolina teve o difícil papel de interpretar uma vilã cruel, sem nenhum senso de caráter ou humanidade e capaz das maiores atrocidades sem sequer lembrar-se do significado da palavra escrúpulo. Porém, tudo isso de forma leve, sob um prisma do humor e que deu um charme maior ainda a sua interpretação segura, sua ótima composição e a extrema qualidade técnica de seu trabalho, um dos melhores de sua carreira.


9º - Clóvis (Dalton Vigh)

O primeiro papel de peso do ator Dalton Vigh na Rede Globo foi interpretar um dos vilões mais sórdidos que o horário das 6 já teve notícias. No remake (nem tão remake assim) O Profeta, primeira novela assinada pela dupla Thelma Guedes e Duca Rachid, o personagem Clóvis tinha muito mais do que simplesmente uma personalidade forte. Ele era cruel, falso, extremamente ardiloso e com grande capacidade de controlar todos ao seu redor. Dalton soube compôr muito bem e fez com que o público odiasse com todas as forças o vilão que infernizou a vida de mais de metade dos personagens da novela e ficou para a história por sua tirania, um grande trabalho do ator.




8º - Sílvia (Aline Moraes)

Uma atriz que já havia interpretado os mais diversificados papéis em sua carreira, apesar de jovem, mas faltava a Aline Moraes uma vilã para se consolidar. E ela veio no principal horário de telenovelas da Rede Globo. Na novela de Aguinaldo Silva, Duas Caras, Aline assumiu o papel de interpretar uma personagem complexa e que poderia cair na caricatura, como tantas outras. Mas seu desempenho acima da média como Sílvia ganhou destaque e fez com que o Brasil todo elogiasse sua incrível atuação. Aline defendeu Sílvia com maestria, uma personagem que saiu da normalidade para, na segunda metade da trama, ficar sórdida cruel, e louca por um amor desmedido. As frases e as situações eram quase todas caricatas, mas foi Aline quem salvou a personagem e por isso surge na lista.



7º - Bruno (Marcelo Serrado)

Se fazer um vilão ganhar destaque já é tarefa difícil, imagine fazer um vilão fora da Globo, poderia ser quase impossível. Não quando a novela é de Lauro César Muniz, um monstro na arte de escrever. Em Poder Paralelo, novela da Rede Record, o autor deu a Marcelo Serrado a chance de sua carreira e, apesar de derrapar no começo, o ator conseguiu destaque. Bruno Villar é, disparado, o antagonista mais cruel que a emissora teve notícia. Numa trama complexa em que era difícil achar um personagem totalmente do bem, Bruno era a personificação da maldade e crueldade sem medir esforços para ter o que queria, atropelava todos e tudo, e dava ordens e mais ordens para matar quem entrasse no seu caminho. Marcelo Serrado cresceu muito durante a trama e chegou ao fim com o controle absoluto de seu sensacional personagem.


6º - Olavo (Wagner Moura)

Um dos poucos papéis de Wagner Moura em novelas. O ator conduziu muito bem um dos vilões mais interessantes já criados para o horário nobre, na trama de Gilberto Braga, Paraíso Tropical. Apesar de um começo um tanto quanto apagado, o personagem foi ganhando destaque e se tornou o dono completo da trama e um vilão capaz de fazer qualquer coisa quando o tema proposto fosse se sair melhor e ficar a frente de seus concorrentes. Olavo infernizou a vida de muitos personagens, chantageou, humilhou, mentiu e ainda assassinou sua comparsa Taís. Todo o destaque deste personagem se deveu também ao grande talento de Wagner Moura que criou trejeitos impagáveis e únicos para Olavo que saía do trama para o humor com uma velocidade incrível.


5º - Bárbara (Giovanna Antonelli)

Novamente uma personagem de João Emanuel Carneiro figura na lista. Desta vez, em sua primeira novela, o autor criou uma personagem tórrida e maquiavélica. Na trama Da Cor do Pecado, Giovanna Antoneli foi Bárbara, uma moça rica, preconceituosa e extremamente orgulhosa. Ao menos assim foi o começo da personagem que, aos poucos, começou a crescer e sair da linha do preconceito simples e entrar na maldade e crueldade. Bárbara ficou completamente desmedida na segunda parte da excepcional novela e passou a ser uma vilã perversa armando os planos mais assustadores para obter seus resultados e ganhos. Um dos pontos altos da personagem eram suas frases entupidas de preconceito e os apelidos maldosos - e divertidos - que ela dava para boa parte do elenco da novela. Uma personagem que era impossível odiar.


4º - Verônica (Paola Oliveira)

Quem diria que a atriz que aparentava ser frágil como uma boneca e que, até então, havia interpretado apenas papéis de boa moça iria conseguir tamanho destaque com sua primeira vilã. Em Cama de Gato, novela de Duca Rachid e Thelma Guedes, Paola Oliveira encarnou Verônica, a mais pérfida vilã que o horário das 6 já viu. Em tempos de censura por parte do Ministério Público, a personagem enfrentou não apenas todos na novela, mas também a própria censura. Cruel, maligna e sem o menor traço de humanidade, Verônica fez tudo o que foi capaz para se tornar dona do império a que tanto queria. Encomendou a morte do marido, enganou o melhor amigo para casar-se com ele, tentou matar quase metade do elenco. Além de tudo era criativa, a capacidade que a personagem tinha para enganar e sair de situações embaraçosas era impressionante e com um texto genial como este, era difícil a vilã não se destacar.


3º - Laura (Cláudia Abreu)

A primeira vilã da leva de personagens sem escrúpulos e capazes de tudo que a década conheceu no principal horário de novelas. Laura Prudente da Costa, a melhor personagem da novela Celebridade, escrita por Gilberto Braga. Ser a melhor e mais completa personagem numa novela repleta de ótimas criações não era fácil. Laura era humana, acima de qualquer maldade, ela tinha sentimentos. Uma das primeiras vilãs que, ao contar sua história, deixava o público com uma pontinha de dúvidas se deveria torcer contra ou a favor da personagem. Cega de ódio e movida por um senso incomum de vingança, Laura fez de tudo, inclusive matar, não para chegar ao poder ou ao topo, mas para se vingar de uma mulher que, na visão dela, havia sido responsável pelos dias tristes da adolescência da moça. Com isso, Laura protagonizou as melhores cenas em muitos anos no horário nobre.


2º - Bia Falcão (Fernanda Montenegro)

A grande dama da TV e do teatro brasileiro merecia uma vilã. E foi em Belíssima, novela de Sílvio de Abreu, que a atriz teve a oportunidade de interpretar o tipo de personagem que todo ator sonha. É muito difícil descrever Bia Falcão, uma personagem rica, poderosa e que poderia apenas ser mesquinha dada a sua presença forte e que impunha respeito. Mas Bia era tudo isso e muito mais. Cruel, sórdida e com uma língua tão venenosa que fazia até mesmo o telespectador temer quando ela aparecia diante da TV. A vilã tinha uma força tamanha que, mesmo ficando mais de dois meses dada como morta e fora da novela, ela ainda continuava infernizando a vida de todos e fazendo com que muitos personagens tivessem medo de apenas citar seu nome. Uma vilã inesquecível com situações únicas e com uma interpretação avassaladora de Fernanda Montenegro.


1º - Flora (Patrícia Pilar)

Quando o assunto é vilões não há espaço para discussão e discordância. A maior vilã da década e, provavelmente, de todos os tempos atende pelo nome de Flora Pereira da Silva. Na novela A Favorita, primeira trama de João Emanuel Carneiro para o horário nobre, Flora começou como uma personagem dúbia, a moça sofrida que havia sido acusada e presa por um crime que não cometeu. Mas pouco depois, todos descobrem que, na verdade, além de assassina ela era completamente louca. Em situações que a TV brasileira nunca viu e certamente nunca mais verá, Flora era capaz de tudo para roubar o lugar de sua concorrente Donatella. Mais do que simplesmente má e perversa, Flora era cruel e sem escrúpulos. Foi capaz de forjar o sequestro de si própria e da filha, assassinou diversas pessoas e ainda tentou matar tantas outras na novela e foi a responsável pela épica cena em que causou a morte de Gonçalo, numa cena que mais lembrava os filmes de Hitcock. Além de tudo, Flora era divertida e tornou-se dona de frases célebres e de um bom humor incrível, como: "Não tem problema, depois você psicograva.", "Bem que o carro da vaquinha poderia capotar na estrada e ela morrer", "Que bonitinho, a Chapéuzinho Vermelhor veio defender a Vovó do Lobo Mau". Com tudo isso, era impossível ela não estar no topo da lista como a maior vilã da década.

terça-feira, 10 de agosto de 2010

A Cura - 1x01

Após dois anos e meio de expectativa o autor que revolucionou a forma de se fazer televisão na atual década retornou ao cenário na noite desta terça-feira. Trata-se de João Emanuel Carneiro, rei do horário das 7 ao conquistar audiências impressionantes com Da Cor do Pecado e Cobras e Lagartos e o mais jovem autor a ser elevado ao posto de exclusivo do horário nobre de novelas com a excelente A Favorita.

Desta vez, João Emanuel assina uma série. A Cura. Badalada muito antes de estrear, muito por conta do nome por trás do produto e também por ter o retorno de um dos maiores atores brasileiros que há muito se dedicava ao cinema, Selton Melo. Tanto se falou da série que a expectativa ficou quase insuportável, principalmente após iniciarem as chamadas durante os intervalos da Rede Globo.

Foi muita espera, mas valeu a pena. João Emanuel Carneiro mostrou no episódio de estréia que é capaz de se despir completamente dos vícios e linguagem de um novelista e escrever um roteiro de uma série de verdade. Sem seqüências ou diálogos folhetinescos a série mostrou toda uma estrutura seriada, coisa que a Globo busca há muito tempo e raramente consegue com suas produções que sempre caem no tom jocoso das novelas.

Em A Cura, Selton Melo é Dimas. Um jovem médico que retorna a sua cidade natal, Diamantina (MG) para trabalhar em sua profissão, porém, não será fácil, pois os fantasmas do passado o perseguem. Na infância, uma história mal resolvida dá conta de que Dimas foi responsável pela morte de um amiguinho da escola. Ninguém na cidade esqueceu o ocorrido mesmo sendo muitos anos depois e, no episódio piloto não há afirmações de como ocorreu o provável crime, apenas indícios de que o protagonista cortou o amigo em diversas partes.

A forma como esta história foi mostrada ocorreu de forma lenta e gradativa neste episódio. O telespectador foi se familiarizando muito mais com a personalidade dúbia e confusa do protagonista do que propriamente com o histórico de sua vida. A estratégia do autor, apesar de ser um risco porque poderia tornar tudo monótono, funcionou e levou o público a se interessar pelo drama do jovem médico.

Esta não é a história de A Cura. Este é o pano de fundo para a história principal. Ao que parece, Dimas é a reencarnação de um outro médico. Oto. Que viveu na década de 80 em Diamantina e realizava curas milagrosas nas pessoas. Dimas, aparentemente, conta com o mesmo dom e, por isso, sofre perseguições e vive de forma tão confusa. Para deixar tudo isso ainda mais complexo, o autor nos leva de volta ao tempo em 1766 e mostra a história de um personagem cruel, violento e mau, disposto a tudo para enriquecer através dos diamantes na terra de Diamantina. Já na estreia vimos o personagem defendido por Carmo Dalla Vechia matar o "compadre" pelas costas e cortar a língua de um escravo.

Como é marca registrada de João Emanuel Carneiro, em A Cura, tudo acontece muito rapidamente, portanto, não há tempo para diálogos superficiais e situações que tapam buraco no tempo. Todas as cenas foram muito importantes neste episódio de estréia e serviram para explicar o complexo quebra-cabeças que viaja no tempo e mistura medicina com curanderismo, fé e dramaticidade, tudo em um mesmo caldeirão de muita qualidade.

Se João Emanuel Carneiro é capaz de inovar em novelas, ele provou neste episódio que também o é em séries. Texto primoroso e diálogos complexos, e muitas vezes que passavam desapercebidos pelo telespectador menos atento. Assistir A Cura, aparentemente, será um exercício mental que exigirá muita atenção para ligar tantos pontos que parecem soltos, mas que claramente se unem em determinado ponto da história. Mais do que isso, na série, João Emanuel Carneiro vai ainda mais longe do que já havia ido em A Favorita, quando criou protagonista e vilã que ninguém sabia ser quem. Agora, JEC resolveu criar uma história não-linear no melhor estilo Machado de Assis. E com competência.

Destaque também para a coragem do autor, que já havia dado uma "banana" para o Ministério Público em A Favorita. A Cura mostrou cenas fortes e que raramente são vistas na TV brasileira, mas tudo com o bom gosto e qualidade que são marcas registradas do excelente diretor Ricardo Waddington. Graças a ele, o genial texto tomou forma e foi muito bem construído na tela.

No elenco, não houve destaques negativos, exceção feita a Carmo Della Vechia que não convenceu ainda como o provável vilão da história - se é que seja possível uma história não linear ter um vilão - porém, o grande destaque fica por conta de Selton Mello que, em poucas cenas já mostrou ser realmente um dos grandes atores do Brasil. Uma composição primorosa de seu personagem Dimas e, apenas com um olhar, ele é capaz de transmitir toda a sensação que a cena exige. Um baita talento.

Após este primeiro episódio que, trouxe de volta os geniais ganchos de João Emanuel Carneiro, a sensação do telespectador é de "que chegue logo a próxima terça" porque esperar mais sete dias para assistir novamente A Cura, não será fácil. E, de novo, João Emanuel Carneiro prova que é possível fazer televisão de qualidade.

Em tempo: A Cura estreou com 19 pontos de média, segundo a prévia, com um excelente pico de 22 pontos. Estreou registrando 02 pontos a mais na média que sua antecessora, Na Forma da Lei.

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

As falácias e mentiras da Record

Na noite do último domingo, o principal jornalístico da Record, Domingo Espetacular apresentou para seu público uma extensa reportagem mostrando através de gráficos, como sempre, o crescimento da emissora nos últimos anos. Esta postura não é nenhuma novidade, desde que iniciou seu investimento e os índices de audiência começaram a melhorar, praticamente todos os programas da casa começaram a explorar de forma sensacionalista esses dados.

A bem da verdade é que nenhuma emissora grande do mundo se presta a tal papel. Nos EUA, as emissoras divulgam sua audiência na internet e, ocasionalmente, comemora bons resultados de determinados programas apenas na mídia, nunca em sua própria programação, ou pior, abrir espaço para um jornalístico para apresentar dados que não significam absolutamente nada para quem está diante da TV querendo receber notícias realmente relevantes. Porém, isso ocorre em emissoras grandes, não é o caso da Rede Record que insiste em se comportar como uma pequena.

A atitude por si só é desprezível e demonstra a total falta de respeito da emissora por seu público. Provavelmente este desrespeito se deve porque a cúpula sabe que não há um "público". É só notar que a emissora sobrevive com picos de audiência herdados. Ou seja, quando não há nada de muito interessante na Globo, as pessoas migram para a Record. Não há fidelidade, não há compromisso do telespectador e o feedback é idêntico. Como eu disse ontem no twitter, o egocentrismo da cúpula da Rede é de um tamanho assustador. Se Sílvio Santos trata sua emissora como um brinquedo particular, a direção da concorrente não faz diferente.

Ainda mais grave que a própria atitude isolada é o fato de que um programa que tenta passar a imagem de um jornalístico sério e de respeito ancorado por um (ex) jornalista (des)respeitado manipular números no total desespero para tentar enganar o público e mostrar que há crescimento onde simplesmente não há. Os números reais mostram que após quase 05 anos de crescimento contínuo, a Rede Record vem caindo vertiginosamente. Após o último mês de crescimento contínuo, em março de 2008, a emissora abriu o segundo mês do 2º trimestre daquele ano em queda. Comparando os números da emissora em Abril de 2008 com os números divulgados pelo Ibope em Julho de 2010 o que se vê é uma impressionante queda de audiência que supera os 25%. A Record vem caindo em média 1% ao mês desde 2008 e não é uma queda que ocorreu ontem, ou em 2009 e houve recuperação. Não. A emissora vem em queda contínua e mensal, com pouca variação de um mês para o outro.

O desespero da emissora faz com que ela engane seu público e produza uma matéria que, além de ser de extremo mal gosto, ainda é cheia de falácias e mentiras. Mais ou menos como o slogan "a caminho da liderança", mais uma piada do Departamento de Humor da emissora, que aliás, é melhor do que Legendários.

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