quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Caso Eloá: Record erra feio e Globo acerta em cheio

Uma emissora de TV se pauta prioritariamente pelo respeito ao telespectador fiel. Afinal, é a pessoa que sintoniza a programação dessa emissora todos os dias que dá a audiência verdadeira, a audiência chamada "pura" na linguagem de publicidade. A audiência volante pode ser importante e interessante pra uma Rede de televisão nanica, não para as de grande porte.

Novamente agindo como se fosse uma das pequenas do país, a Record buscou audiência fácil, desrespeitando seu público fiel e desrespeitando o próprio brasileiro. Ao explorar por horas e horas a fio nesta quinta-feira o julgamento de Lindemberg, assassino de Eloá, a emissora ultrapassou o limite da informação e invadiu o trilho da exploração da miséria humana em troco de audiência.

O contraponto disso tudo aconteceu na maior concorrente da emissora da Barra Funda. Num exemplo de respeito a anunciantes, a sua própria história, ao telespectador e, principalmente, aos princípios básicos do que é jornalismo, a Rede Globo fez uma cobertura coesa, séria e centrada do julgamento. Sem alardes, sem abdicar de sua programação para falar do assunto, a cobertura aconteceu com ótimas reportagens nos seus telejornais. O anúncio da sentença proferida pela juíza, somente foi ao ar na líder de audiência do país, ao final da sentença, e num Plantão rápido e sem devaneios. 

Verdade seja dita, com a cobertura imensa e cansativa, explorando a desgraça humana e desrespeitando o público que acompanha a programação regular da emissora, a Record aumentou e muito sua audiência, inclusive, com o Plantão que transmitiu toda a sentença da juíza, chegou perto de liderar. Muita gente pode pensar que a Globo falhou e entrou tarde com o seu Plantão e por isso a Record conseguiu audiência. São dois pontos de discussão.

O primeiro ponto é a análise dos números de audiência da Record. Eles servem para o que exatamente? Amanhã, sem julgamento, sem sentença, sem exploração da miséria humana, a emissora volta a sua pontuação vexatória do início de noite, disputando a vice-liderança com SBT e Band, ou seja, falta de estratégia, porque o público que deu audiência hoje, não será fidelizado porque não viu a programação da emissora, viu apenas uma cobertura pseudo-jornalística. E o telespectador fiel, desrespeitado, pode até não querer continuar assistindo. Ou seja, um tiro no pé a médio prazo.

Outro ponto é sobre a "demora" para o Plantão da Globo entrar no ar. Qual o interesse público em acompanhar toda a leitura da sentença da juíza? De fato, a concorrência teve audiência porque o ser humano tem essa curiosidade mórbida que o aquece, porém, não é função de jornalismo acariciar o ser humano em suas bizarras curiosidades e no seu intenso prazer em acompanhar o sofrimento humano. Ao entrar com o Plantão após a leitura da sentença, ou seja, quando havia, de fato algo a se noticiar, a Globo respeitou seu público e respeitou os princípios básicos do jornalismo, mantendo-se isenta, e cuidadosa, sem exagerar, sem transformar o julgamento num show de horrores.

Repito: saber o resultado da sentença é de interesse público porque é o resultado do sistema judiciário brasileiro. Porém, acompanhar horas e horas do caso, a leitura inteira da sentença, não é de interesse público, é de interesse privado - família e amigos dos envolvidos - e utilizar esse tipo de ferramento na busca por alguns pontos de audiência que vão se derreter feito água no futuro é, no mínimo, falta de respeito. 

7 Quebraram tudo:

Ricardo disse...

A Record é sempre assim e ainda tem a cara de pau de falar que "jornalismo é prioridade".

denize disse...

Parabéns pelo comentário, a Record tem muito que aprender para que seu jornalismo seja de primeira.

Biel Vaquer disse...

Concordo com sua analíse. Só esqueceste de um ponto: a própria Globo transmitiu a sentença dos Nardoni.

Creio que o plantão foi curto, não por respeito da Globo ao seu telespectador e sim, por que a leitura da sentença foi em horário menos nobre.

Ricardo Russo disse...

Discordo, é de interesse público e mais, o povo DEVE saber como funcionam as coisas nesse país. Concordo com a analise sobre a motivação da Record, mas ainda assim acho válido porque raramente temos acesso a este tipo de informação por falta de canais de transmissão.

Nazareno disse...

KKKKK ACHO QUE QUEM POSTOU ESSA NOTÍCIA NÃO ESTAVA VENDO A GLOBO NÃO, MEU AMIGO TAVA DE DAR NOJO.
QUANTOS JULGAMENTOS NÃO ESTAVAM OCORRENDO NO BRASIL NESSA MESMA DATA, ISSO É SENSACIONALISMO BARATO. AGORA É ESPERAR ACONTECER OUTRA DESGRAÇA QUALQUER AS TVS SÓ VIVEM DISSO MESMO, E NÓS FEITO BOBOS EM FRENTE A ELAS KKK. VAMOS PEGAR UM LIVRO PRA LER NA HORA DA NOVELA! BBB! ETC.

Fabiano disse...

A Record é uma verdadeira tristeza na área televisiva brasileira. Sujeito-me a assistir qualquer outra emissora brasileira além da GLOBO (só quando não tem nada na Globo eu troco de canal), exceto a Record. Além das propagandas eventuais de autoexaltação, que servem unicamente para ludibriar telespectadores ignorantes (que o Brasil tem em pencas) ou para rir. Globo quase sendo ultrapassada pela Record? Esses dias Fina Estampa marcava 47 pontos contra 4, 5 da Record. Ridículo. Uma emissora ridícula!

Moisés Moura disse...

Se a Record não vivesse em função da Globo e do que sobra da mesma, explorando casos de comoção pública e seus principais produtos, respeitando os princípios básicos de jornalismo, teledramaturgia e outros, além de sua programação e principalmente seu público fiel, conseguiria com muito mais facilidade liderança em alguns horários e o aumento de sua audiência, além de conseguir ainda mais a admiração dos 'telespectadores da casa' e 'adversários', assim como a crítica.

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