segunda-feira, 2 de agosto de 2010

As novelas e a Ditadura Judicial no Brasil

Muito se fala sobre a impressionante queda de audiência das novelas nos últimos anos. Ao olhar para trás, não muito distante e notar que uma novela das 8 da Rede Globo fechava com média de 50 pontos, como foi o caso de Senhora do Destino e atualmente no mesmo horário, Passione sofre para manter 32 de média, ou seja, 18 pontos a menos, a enxurrada de críticas recai sobre a situação da teledramaturgia brasileira. O mesmo exemplo cabe para os outros horários da emissora e também para as novelas da concorrência, tanto SBT quanto Record não conseguem resultados satisfatórios com seus folhetins.

De fato, boa parte das tramas nos últimos anos passaram por problemas de superficialidade, de temas repetitivos e de histórias sem pé nem cabeça. Porém, este não é o principal problema da audiência nas telenovelas brasileiras. O problema é externo e atende pelo nome de Ministério da Justiça. O Ministério perdeu completamente o senso de democracia que rege o país e decidiu criar uma espécie de Ditadura Judicial sobre a televisão brasileira, criando classificação etária sem pé nem cabeça e reclassificando tramas a seu bel prazer, num claro ato de desrespeito aos direitos de livre expressão que a cultura necessita para se tornar ampla e autêntica.

A bizarrice é tamanha que o Ministério reclassificou uma das tramas mais leves da década, Escrito nas Estrelas, por, segundo os 'nobres' juízes, apresentar cenas "fortes", de "mortes", "brigas", "separações" e "adultério". Provavelmente quem disse isso a estas pessoas, vê a novela duas vezes no mês e conclui tamanha imbecilidade.

A novela das 8 (que já começa as 9 por conta disso) vive sofrendo ameaças de reclassificação, o que obrigaria a emissora a jogá-la para as 10 da noite tornando inviável. É impossível criar situações de vilania, ou mesmo de relacionamento humano aprofundado sem mostrar os problemas, os conflitos do cotidiano, afinal, o que é uma novela senão seus conflitos? Já é tempo do Ministério da Justiça arrumar trabalho e fazer cumprir leis importantes e que são descumpridas no país ao invés de ficar cuidando de um problema que não cabe a ele.

O país é uma democracia e cabe exclusivamente ao telespectador decidir o que é ou o que não é viável para ele assistir. Para isto existe o controle remoto, não precisamos do controle do governo censurando a cultura nacional baseado sabe-se lá em que e tomando decisões estapafúrdias como reclassificar uma novela para sua exibição após o encerramento, como ocorreu com Tempos Modernos.

Mas também, num país que preze pela democracia todo e qualquer direito 'roubado' deve ser brigado com fúria, se necessário for, para ser recuperado. É tempo das emissoras darem 'uma banana' para esta classificação etária e, com responsabilidade, desafiar a Ditadura Judicial, apresentando produtos culturais de qualidade, aprofundados e sem medo da tal 'Justiça'. Nos últimos anos ninguém o fez, basta notar que a Rede Record somente coloca cenas fortes de suas novelas após as 10 e meia da noite. O único autor capaz de peitar o Ministério atende pelo nome de João Emanuel Carneiro que, semanas após, sua novela A Favorita sofrer ameaça de reclassificação, deu de ombros e escreveu a magistral cena em que Flora (Patrícia Pilar) leva Gonçalo (Mauro Mendonça) a morte. Aquilo é fazer arte com qualidade.

Democracia preza pela responsabilidade e equilíbrio e tudo que vem faltando ao poder judiciário no Brasil neste caso é isso. Equilíbrio nas decisões. A impressão que se tem, é que os Juízes querem decidir o que eu e você devemos assistir. E isso, obviamente, faz com que as emissoras produzam novelas fracas e o público se afasta, com isso a audiência cai consideravalmente. Pode isso?

4 Quebraram tudo:

Rodrigo Figueiredo disse...

É claro que assim, qualquer novela torna-se infantil e chata pra quem assiste. É inadmissível que nos dias de hoje, uma novela não possa contar uma história de separação ou racismo, porque pode causar danos a quem faz e a quem assiste!
Tá na hora desse Ministério Público arranjar o que fazer, porque esse tipo de classificação nada mais é que uma censura disfarçada.

Nair disse...

Brasil....Brasil
Imagine se a TV americana censurasse as cenas de CSI, por ex, se tornaria uma série super imbecil. E isso está ocorrendo com as nossas novelas, só o arroz com feijão que a "lei" permite não prende mais ninguém; Os pais devem decidir o que os filhos pequenos vêem. E todo ser normal tem plena capacidade de decidir o que quer ver, não cabendo a uma dúzia de CARETAS decidirem.
Por conta disso a Globo corta o que há de interessante nas novelas e os autores recuam cada vez mais. Assim, não é difícil desistir da dramaturgia brasileira.

João Lucas disse...

O Ministério Público deveria procurar o que fazer - como diria minha saudosa avó- ao invés de se preocupar com as novelas, obras sem qualquer compromisso com a realidade, deveria se preocupar com a corrupção que assola nosso país, levando-o cada vez mais a desigualdade social,sujeitando pessoas a condições sub-humanas de vida. Além do mais que critério é esse usado pelo MP, que reclassifica uma trama leve onde até as vilãs são divertidas por dizer que ela possui cenas fortes de mortes, brigas e separações, enquanto que, várias crianças na hora do almoço são obrigados a assistir essas cenas REAIS da desgraça humana como o "Caso Bruno" e o "Caso Mércia",pois os telejornais não param com o sensacionalismo barato. E então que critérios são esses?

amanda disse...

Eu acho certissimo o ministerio publico fazer isso com as novelas. Os autores de novelas nao estao mais fazendo novelas inocentes como antigamente e sim colocando coisas para as pessoas verem e acharem normal como no caso de passione, onde ja se viu uma avo querer q a neta seja uma prostituta isso vai totalmente contra a moral. Sao as pessoas que tem que arrumar alguma coisa pra fazer ao inves de querer assistir essas novelas imundas. Se o mundo esta desse jeito como o colega falou do caso Bruno e do caso Mercia as novelas tem uma grande parte de culpa nisso por mostrar violencia, prostituiçao, mal caratismo do jeito que esta mostrano.As pessoas sao altamente influenciada com isso, pode ser que ela nem perceba mas se pegar e ler a letra da musica de abertura da novela cama de gato vai parecer uma musica normal mas se vc aprofundar bem na letra e saber entender vai descobrir que akela musica nd mais e que uma mensagem sublinar de maldiçao. Entao ja passou da hora msm do poder judiciario dar um jeito nessas novelas. Claro que existe democracia mas imagine uma criança assistindo uma novela com cenas de violencia de prostituiçao de roubalheira. Falam tanto de democracia mas nao pensam que apartir de novelas, programas, series e etc estao espondo nossas crianças a maldade e por fim a pratica-las como se fosse normal. Bom essa e minha opiniao. Nao e o que todos pensam mas eu como seguidora de cristo tenho certeza que todas as outras pessoas que dizem tamem ser deveriam pensar assim.

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