quinta-feira, 29 de abril de 2010

Emissoras nacionais jogam horário nobre pelo ralo

Não vou falar especificamente da nova programação da BAND, isto ainda requer mais algum tempo de reflexão para não falar algo de forma precipitada, mas aproveitando a apresentação desta nova grade, é importante que pensemos o atual momento da TV aberta brasileira que, exceção feita a Rede Globo, parece investir de forma pesada na dramaturgia estrangeira.

A pioneira nesta atitude em colocar séries americanas de sucesso no horário nobre das televisões abertas foi o SBT que, na tentativa de barrar A Fazenda, em 2009, passou a exibir diariamente um episódio de uma grande série, a primeira foi Harper's Island e, a consagração da idéia veio em seguida com Supernatural que deixou a emissora na vice-liderança com folga e quase sempre com dois dígitos.

A Record sem medo de ser taxada dos piores nomes, copiou a idéia e, aproveitando-se do fim da exibição de Supernatural, colocou no ar, também no horário nobre, a principal série adquirida pela emissora, CSI. O resultado foi o esperado e os números de audiência se inverteram. Desde então a série é vice-líder sempre com dois dígitos e já enfrentou diversas concorrentes na concorrência: Gossip Girl, Smalville, Cold Case e agora enfrenta The Mentalist.

Como se não bastasse a 2ª e a 3ª principal emissora do país abrindo o principal horário da televisão brasileira - com maior audiência, maior participação e, logo, maior olhar dos anunciantes - para produtos enlatados, abrindo mão da produção própria, abrindo mão de coragem de investir em algo nacional, sejam novelas ou até mesmo séries, agora a 4ª maior emissora também decidiu seguir o mesmo caminho, que certamente é mais cômodo.

A BAND divulgou no início desta semana, em sua nova grade, a exibição de séries de segunda a sexta no horário nobre, mas diferentemente do SBT e da Record que mostram uma só série diariamente, no melhor estilo capítulos de novelas, a emissora vai exibir a cada noite uma série diferente, seguindo o modelo americano de se fazer televisão. Antes disso, porém, a emissora exibe no mesmo horário - 21 horas - a minissérie Band of Brothers, grande sucesso americano da HBO, produzida por Tom Hanks e que no Brasil recebe o nome de Irmãos da Gerra. A série será exibida entre os dias 03 e 14 de maio.

A partir do dia 17 de maio, a emissora estréia a nova faixa com as seguintes exibições: Segundas: Bones; Terças: Gangues da noite (Dark Angel); Quintas: Acerto de Contas (Leverage); Sextas: Queima de Arquivo (Burn Notice). As 11 da noite de sexta-feira a emissora exibe também uma das melhores séries de todos os tempos, Família Soprano (The Sopranos).

Independentemente da qualidade das séries compradas e que serão exibidas pela emissora, o fato incontestável é que esse modelo de fazer televisão virou vício no Brasil e cresce, não como uma árvore saudável e pronta para dar frutos, mas como uma praga que vem para destruir toda a plantação. É válido exibir produtos de outros países, principalmente séries de qualidade e que estão fora do alcance da população que não tem acesso a TV por assinatura, porém, o principal horário do país deve ser ocupado por produtos obrigatoriamente nacionais. Por que não exibir todas estas séries as 11 da noite, exatamente como fará com a melhor delas?

SBT, Record e agora a Band, mostram toda sua incompetência e assinam o atestado de falta de criatividade e preguiça ao exibirem produtos enlatados no principal horário. Dão mostra de não terem o menor senso da importância de existir produtos nacionais em exibição. E o pior, essa infeliz moda, parece que veio para ficar.

7 Quebraram tudo:

Nubia de Oliveira disse...

Não concordo dessa vez com o seu post. Acho válido dar a oportunidade aos brasileiros que não podem pagar canais por assinatura, ter acesso às boas séries em um horário melhor. Novelas já tem demais e, na sua maioria, são ruins. O trabalhador que chega cansado em casa, tem direito por optar se quer ver uma novela ou buscar pela série preferida. Isso só era possível até pouco tempo se a pessoa passasse a noite em claro no SBT, coisa fora de questão para os pobres mortais que tem que acordar cedo.
Não creio que a TV aberta vai aderir ao produto importado na grade o dia todo. Se as pessoas que tem dinheiro podem assistir no horário que quiser programas de outros paises, por que o pobre não pode? É apenas uma opção, não uma regra. Programas nacionais há o dia todo, sábados, domingos e feriados... No dia que a TV brasileira aprender a criar uma programação de qualidade e conteudo, com certeza as pessoas vão deixar de assistir às séries e escolher a sua emissora favorita, mas por enquanto, não dá pra assistir Viver a Vida, jornais que reproduzem as mesmas notícias de desgraça ou as novelas de gosto duvidoso da Record.

Gabriel Borba disse...

Concordo em termos com a Nubia de Oliveira. Colocar séries em horário nobre é uma oportunidade que as emissoras dão para a população em geral de assistir programas da TV fechada, que em geral são muito bons.
No entanto, temos que concordar, também, que colocar estas séries para combater a novela das nove da Globo é, sim, uma rendição das emissoras "menores". Resolveram não gastar muito para produzir coisas novas e conquistar sempre míseros pontos de audiência.
Enfim, é uma equação um tanto quanto complicada.

Jack Bauer "dROp tHe GuN" disse...

Essa foi a primeira vez q eu tambem nao concordo com o post.

Primeiro que a tv brasileira, inclusive a globo NAO TEM QUALIDADE. As novelas sao um lixo moral e fotografico. Terrivel.
Segundo que o jeito é trazer coisa de fora. Alias muito boa essa jogada, já que é um horario que a familia toda está em casa. nada melhor que uma programação mais inteligente e nao idencente, né....

Daniel Bolt disse...

E exatamente o que seria um programa nacional? Feito no Brasil? Que sustente atores e produtores brasileiros? E qual seria o conteúdo desse produto nacional? Seria tão diferente assim de uma novela ou do enlatado americano? E quanto custa tudo isso? Quem vai pagar? E o que é que você lucra? Qual o seu interesse?

Já faz muito tempo que eu acho que críticas como esta não fazem nada além de protestar contra a evolução, contra a globalização. É um protesto sem fundamento. Não somos obrigados a ver um programa de qualidade duvidosa apenas por ele ser nacional, nem as emissoras são obrigadas a contratar produtoras para oferecer ao público brasileiro uma trama que se passe numa metrópole nacional. Primeiro que soa falso, e segundo porque é desnecessário.

Esse protecionismo, e sim, seu texto é extremamente protecionista, zela por interesses de uma classe bem pequena que deseja que exista uma Hollywood brasileira, com salários elevados e muito marketing, muito merchandising. E isso é bom pra quem? Pra cultura de quem?

Honestamente? É preferível que o brasileiro pare de ver tevê e vá ao teatro do que ver milhares de reais sendo gastos com seriados que desejam se passar por "cultura". Prefiro ver 3000 atores empregados em produções medianas de teatro do que 300 atores multimilionários para fazer companhia aos nossos jogadores de futebol.

Está na hora de acabar com essa proteção descabida à "cultura nacional" e começar a discutir o que exatamente é essa cultura, como ela se desenvolve e aonde ela vai.

Está na hora de permitir que a audiência decida o que quer, ao invés de ter pessoas repletas de boas intenções tentando "educá-la e protegê-la".

Está na hora de crescer e deixar que o brasileiro aprecie e cobice o que considera bom, e não se apegar ao tradicionalismo e à nostalgia, como se o mundo fosse sempre melhor nos tempos de nossos avós. Como se tudo precisasse de um brado de orgulho cívico, um "made in Brazil".

Já chega de jabores, de censores e articulistas. Está na hora de deixar o brasileiro pensar sozinho.

Eliel J. disse...

Concordo que devemos valorizar o que é nosso.Agora onde achar bons escritores aqui no Brasil que escrevam roteiros originais que não sejam uma imitação dos filmes gringos? Mas Também o que temos na nossa "cultura" que sirva de inspiração para boas historias para uma serie? A serie da Tiazinha?(alguem lembra disso?)Os mutantes da Record? Quer algo mas estilo serie americana o que a Justiceira, ou mesmo essa Força Tarefa? Eu achei interessante essas series porque a Globo ta tentando fazer algo no nipe das series gringas.Mas tudo acaba se voltando pro lado novelesco e estragam tudo, talvez devido a mediocridade ou falta de imaginação dos escritores. Quanto ao brasileiro 'pensar sozinho' como disse o Daniel acima, pra que, pra que teatro? cultura? que é isso? Somos uma poulação condicionada por uma cultura de "Pão e Circo" só precisamos da novela das oito e o futebol as quarta e domingo e pronto o que exceder a isso é pecado! Ah ia me esquecendo do Big Brother isso sim é coisa boa pois o brasileiro adora saber da vida alheia.

Léo Rodrigues disse...

"o principal horário do país deve ser ocupado por produtos obrigatoriamente nacionais"

isso me cheira a bairrismo impensado.
e só.

Léo Rodrigues disse...

Opa, não tinha lido o comentário do Daniel Bolt. Disse tudo que eu queria dizer mas nunca iria conseguir. é isso ai. o/

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