sexta-feira, 4 de novembro de 2011

A melhor série brasileira voltou: Força-Tarefa

A grande aposta brasileira para o formato serial - sucesso em países como EUA e Inglaterra, mas pouco utilizado no Brasil - retornou ao ar nesta quinta-feira. Força-Tarefa retomou sua produção após um hiatus tão longo que quase fez o público esquecê-la.

Chegar a três temporadas no Brasil explorando completamente o estilo serial e abandonando o folhetim não é tarefa fácil. Basta verificar que todas as séries brasileiras com várias temporadas - A Grande Família é o principal exemplo - são chamadas de séries apenas por serem semanais, mas apostam muito mais no formato tradicional de folhetim que as aproximam mais de novelas do que de séries.

Força-Tarefa foi a primeira grande aposta brasileira neste formato que vem fazendo sucesso no mundo todo. E a mais bem sucedida até o momento. Entre tantas produções que a Rede Globo fez nos últimos anos - A Cura, Na Forma da Lei, entre outras - Força-Tarefa foi a única que conseguiu se manter no ar por três temporadas.

E o retorno da produção mostrou que há muito o que se contar. O novo plot, explorando a promoção de tenente para capitão de Wilson (Murilo Benício) foi uma tacada de mestre e que deu muito mais fôlego para a série e garantiu uma temporada bastante interessante. Ao que parece, esta deverá ser a mais complexa, tensa e densa temporada entre todas as três.

Murilo Benício continua como destaque absoluto. Um ator que amadureceu na carreira e mostra-se pronto para qualquer desafio. Ele saiu de Wilson para interpretar Vítor Valentim em Tititi e agora retornou ao personagem de forma tão segura que surpreende a todos. Por este primeiro episódio, notou-se que o ator é seguro e confiante no papel e por isso defende sua personagem com unhas e dentes.

A tirar pelo retorno da série, é possível dizer que, caso a Rede Globo queira, Força-Tarefa poderá ter ainda muitas temporadas, pois é um formato relativamente novo no Brasil e o estilo da série vem agradando ao público.

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

A Mulher Invisível retorna em ótima forma

Após o sucesso de O Astro que estrou a nova faixa de novelas da Rede Globo na segunda faixa de shows da emissora, nesta semana começou o retorno das séries tradicionais. O retorno iniciou com a estreia da 2ª temporada de A Mulher Invisível, série de sucesso baseada em um dos filmes mais bem sucedidos dos últimos anos no país.

Se a primeira temporada já havia sido deliciosamente boa, o primeiro episódio da segunda temporada mostrou que ainda há muito a se explorar no universo de A Mulher Invisível e, ao que parece, os roteiristas estão ainda mais inspirados na atual temporada, o que deixa tudo invariavelmente melhor, sinal de maturidade para uma produção que tem ótima aceitação do telespectador desde que estreou.

É preciso dizer que Selton Mello estava especialmente bem neste episódio em particular. O ator - considerado o melhor de sua geração e um dos melhores da atual dramaturgia brasileira - estava muito mais a vontade no papel nesta temporada do que se mostrou na anterior. Muito mais solto, Selton foi o dono do episódio, tanto em seu tradicional de Pedro, como interpretando o Pedro II, homem invisível que só Clarice enxergava.

Débora Fallabella continua muito bem e se mostrou ainda mais madura no papel de Clarice, dando provas que a equipe fez muito bem ao escolhê-la ao criar esta personagem que não existia no filme. Clarice segue dando o ponto de equilíbrio entre os dois mundos de Pedro e, por isso, esse seu ar histérico buscando o "pé no chão" funciona tão bem.

Já Luana Piovani continua muito charlatona. A atriz que nunca foi um exemplo de interpretação no país, segue buscando um tom muito falso para Amanda o que, especialmente neste caso, funciona muito bem. Luana conhece muito bem esta personagem desde o filme e, na estreia da temporada, conseguiu experimentar, mesmo que de leve, alguns caminhos não-explorados pela personagem o que evitou o marasmo e pode se tornar interessante na temporada.

A Mulher Invisível voltou mostrando que ainda está em forma e, a tirar pela qualidade do episódio e pela resposta da audiência (21 pontos de média na prévia) é possível acreditar que há fôlego para muitas temporadas, pena que em 2012 não deveremos ter, já que Luana está grávida. Vamos aproveitar os poucos episódios desta temporada, portanto.

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Comparativo de Audiência - 21 Horas - média parcial

Média-parcial diária de novelas das 21 Horas até o capítulo 60


Fina Estampa: 37,67
Insensato Coração: 31,85
Passione: 31,78
Viver a Vida: 35,67
Caminho das índias: 34,30
A Favorita: 36,73
Duas Caras: 38,12
Paraíso Tropical: 38,78
Páginas da Vida: 48,43
Belíssima: 44,53
América: 44,57
Senhora do Destino: 46,02
Celebridade: 42,40
Mulheres Apaixonadas: 40.70
Esperança: 39,30
O Clone: 42,22

Comparativo de Audiência - 18 Horas - média parcial

Média-parcial diária de novelas das 18 Horas até o capítulo 30


A Vida da Gente: 21,77
Cordel Encantado: 23,67
Araguaia: 21,83
Escrito nas Estrelas: 25,27
Cama de Gato: 25,14
Paraíso: 21,73
Negócio da China: 20,67
Ciranda de Pedra: 22,20
Desejo Proibido: 21,47
Eterna Magia: 26,03
O Profeta: 32,93
Sinhá Moça: 29,83
Alma Gêmea: 36,03
Como uma Onda: 25,60
Cabocla: 33,60
Chocolate com Pimenta: 36,50
Agora é que são Elas: 25,53
Sabor da Paixão: 26,37
Coração de Estudante: 26,50

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Comparativo de Audiência - 19 Horas - média parcial

Média-parcial diária de novelas das 19 Horas até o capítulo 10


Aquele Beijo: 27,50
Morde e Assopra: 26,20
Tititi: 28,70
Tempos Modernos: 24,70
Caras e Bocas: 27,60
Três Irmãs: 29,40
Beleza Pura: 30,20
Sete Pecados: 31,50
Pé na Jaca: 35,40
Cobras e Lagartos: 31,50
Bang Bang: 32,30
A Lua me Disse: 29,90
Começar de Novo: 36,50
Da Cor do Pecado: 36,40
Kubanakan: 35,50
O Beijo do Vampiro: 30,70
Desejos de Mulher: 27,20

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

O grande acerto da Globo: O Astro

Chega ao fim nesta sexta-feira a novela que inaugurou a nova faixa de horários de folhetins - um por ano - da Rede Globo, O Astro. Produção que chegou sob a justificativa de comemorar os 60 anos da Teledramaturgia no Brasil, mas que na prática, foi conduzido para barrar a produção concorrente, A Fazenda, na Rede Record e que, além de realizar plenamente seu objetivo, venceu as barreiras e fez com que a emissora vislumbrasse um novo horário para telenovelas.

Desde que estreou, a produção remake do original de Janete Clair assinada atualmente por Geraldo Carneiro e Alcides Nogueira sempre conseguiu chamar a atenção de todos - crítica e telespectador - com um texto carregado, caminhando muito mais para o melodrama do que para a realidade, os autores optaram o tempo todo pela homenagem a 6ª década do gênero com texto pesado, exagerado e sempre muito forte. Caminho também escolhido pelo diretor Mauro Mendonça Filho e que inovou ao criar cenas atemporais e cortes muito rápidos que mais lembravam séries.

O elenco de O Astro foi uma grata surpresa. Ao parar para pensar, todo o cast não foi formado por atores e atrizes consagrados pela crítica, mas que tiveram oportunidades de ouro e conseguiram se sobressair. Rodrigo Lombardi e Carolina Ferraz sempre com muita química foram um ótimo casal protagonista e praticamente todos no elenco tiveram seus momentos: Fernanda Rodrigues, Carolina Kasting, Rosamaria Murtinho, Daniel Filho, Thiago Fragoso, Alinne Moraes e tantos outros brilharam na tela.

Porém, em se tratando de elenco, três foram os grandes destaques do folhetim: Humberto Martins que fez, sem dúvida, seu melhor personagem na TV ao defender Neco de forma eficaz, dois tons acima da realidade e que deram todo o charme do personagem; Marco Ricca optou por interpretar um vilão com os pés no maniqueísmo, mas fez isso com tamanha leveza, com cuidado, quase sem expressões, um acerto e tanto que merece aplausos; e Regina Duarte, a dona de O Astro. Clô Hayalla foi, disparada, a melhor personagem da trama graças a Regina que desenhou sua personagem completamente mexicanizada, cheia de caras e bocas, gritos, afetamentos e que deu muito charme para a personagem e conquistou o público de cara.

Chega ao fim, portanto, a melhor produção de telenovelas do Brasil em 2011 ao lado de Cordel Encantado e prova que, quando aceita inovar, a Rede Globo sabe o que faz e fez muito bem em O Astro.

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Classificação Indicativa: O Golpe Judiciário

Desde sempre existiu na TV brasileira o que chamamos de Classificação Indicativa. Algo válido e que deveria ser muito bem utilizado para servir de apoio para que o telespectador tenha como definir o que deve e o que não deve assistir. A classificação indicativa no país é através de faixa etária, portanto, muito clara para o público e não há qualquer dificuldade de compreensão.

Ocorre que, desde o início da última década, essa classificação ganhou ares de legislação e censura e, o pior, ninguém vem fazendo nada para modificar isso que vai crescendo, crescendo, cada vez mais e já ultrapassou a linha perigoso há muito tempo, por isso é necessário que todos os apaixonados por televisão se unam contra este tipo de postura.

A classificação indicativa deve servir exclusivamente para que o telespectador - e apenas ele - decida se o programa deve ou não ser sintonizado em sua residência. Se uma novela tem um acidente, ou mostra pessoas bebendo e a classificação indicativa para isso seja, digamos, acima de 12 anos, os pais é quem devem decidir se seu filho de 11 anos pode ou não ver o programa. O papel da TV é divulgar amplamente que o programa não é recomendado para pessoas com menos de 12 anos.

O judiciário vem dando uma espécie de Golpe de Estado contra a arte - exatamente o que o Regime Militar fazia - ao tentar ele próprio legislar sobre o conteúdo da TV. Beira o ridículo que juízes e promotores ameacem tirar programas de TV no ar por, na concepção deles, ferirem os bons costumes da família e incitarem algum tipo de preconceito ou violência. O caso do Zorra Total em que tentaram tirar do ar o quadro de Valéria e Janete no metrô é emblemático.

Não é papel da TV decidir o que cada telespectador deve assistir e também não é papel do Estado, isso é de inteira responsabilidade do próprio telespectador e este direito universal deve ser respeitado. Se a censura da arte é prejudicial aos artistas, pois o inibem a ousarem e investirem na imaginação, também é prejudicial à população, pois a impede de aprender a refletir sobre o que vê e, por conta própria, escolher sua programação. O Estado não pode tirar dos pais o direito de educar seus filhos da maneira como julgar necessário, desde que não fira os direitos das crianças e dos adolescentes.

É preciso dar um basta nesta censura disfarçada que lembra um Golpe de Estado e transforma todos - veículo e público - em meros fantoches nas mãos do Poder Judiciário que insiste em querer determinar por si só os caminhos da televisão no Brasil. Isso é perigoso e o fim certamente será dos piores se não houver uma interferência e rápido.

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