terça-feira, 29 de maio de 2012

Avenida Brasil ou A Favorita?

Passados 55 capítulos de Avenida Brasil uma pergunta torna-se inevitável para os fãs do formato e para os críticos da área. Qual das duas novelas de João Emanuel Carneiro - tido atualmente como o mais criativo novelista do país - exibidas no principal horário é melhor? A Favorita ou a atual? A resposta não é tão simples quanto possa parecer e esbarra em diversas características.

Não é segredo para ninguém que este espaço considera a trama de Donatela e Flora uma das melhores coisas que já surgiram no cenário televisivo nacional. Com uma história intrincada e cheia de nuances, sem barriga e muito bem construída, a telenovela entrou para a história da teledramaturgia nacional por sua ousadia e por desafiar o formato rígido do folhetim.

Mas é preciso fazer um parêntese. Os primeiros 55 capítulos de A Favorita foram geniais. Criativo e muito bem construído, este trecho aguçou a curiosidade do telespectador em saber quem era o responsável pela morte de Marcelo. Mas foi a partir do 56º capítulo em que a trama subiu da categoria genial para o degrau máximo, épico. O capítulo revelação de que Flora era a grande vilã da trama é um dos melhores capítulos já exibidos na História deste país, senão o melhor.

Parece bastante claro que Avenida Brasil foi muito mais sólida e bem amarrada neste primeiro trecho. Em 55 capítulo aconteceram tantas coisas que, nas mãos de outro autor, daria para construir umas 3 novelas de 200 capítulos. Abrindo mão das cenas longas e enfadonhas, até desnecessárias, João Emanuel Carneiro já produziu três grandes viradas no seu folhetim e envolveu o telespectador desde o primeiro capítulo. O sofrimento de Rita, órfã e abandonada no Lixão, a ascensão de Carminha casando-se com Tufão enquanto Rita aprendia valores de amor no lixão, a adoção de Rita por uma família argentina e seu desligamento de Batata, o amor de sua vida, a volta de Rita, agora como Nina, para se vingar da ex-madrasta e o início da vingança. 

Tudo isso em 55 capítulos, com direito a falso sequestro, a reencontro com o amor da vida, a desistência da vingança e retomada dela. Com direito a muitos segredos e com direito a uma deliciosa vilã que, desde o primeiro capítulo, não se omitiu de sua personalidade maquiavélica e cruel. Além de tudo, núcleos paralelos muito melhor trabalhado neste início e com bastante espaço.

Em 55 capítulos Avenida Brasil mostrou-se melhor que A Favorita, o que não é desmérito algum para a última, pois a primeira mostrou-se melhor que praticamente todas neste mesmo período. O capítulo de ontem foi um dos melhores tendo a cena de Carminha cuidando da falsa Rita sob os olhares de Nina como uma das melhores coisas já exibidas. Mas não é tarefa fácil para Avenida Brasil continuar a superar A Favorita a partir de agora. Esperamos que consiga porque, quanto mais qualidade, melhor.

segunda-feira, 28 de maio de 2012

Com grande potencial, SNL Brasil estreia abaixo das expectativas

Estreou na noite do último domingo, 27, pela Rede TV! um dos humorísticos mais aguardados em 2012. O Saturday Night Live Brasil comandado pelo controverso Rafinha Bastos levou de volta ao ar o comediante, após diversas polêmicas e sua saída conturbada da trupe do CQC, em meados de 2011. O episódio Piloto serviu para relembrar o público o grande talento de Rafinha, para reafirmar o potencial que a equipe tem nas mãos, mas também para frustrar.

Logo nos primeiros minutos no ar o SNL Brasil mostrou que poderia ser um dos grandes humorísticos do país. O inicio ousado parodiando a polêmica entrevista que a apresentadora Xuxa cedeu ao Fantástico no domingo anterior mostrou-se um dos grandes acertos. Sem ofender, mas com o humor ácido que uma atração assim necessitava, o quadro fez o principal, o público rir. Logo na abertura, Rafinha Bastos mostrou como é competente em apresentação ao vivo e, nos primeiros minutos, deu um show de carisma, bom humor e piadas ácidas e muito bem boladas.

O que se via nos primeiros minutos dava a impressão do maior acerto do ano, contudo, não foi o que se viu a seguir. Se na parte ao vivo o SNL Brasil acertou em todos os momentos, as esquetes ficaram muito abaixo das expectativas. Com tiradas sem graça, situações quase óbvias e momentos constrangedores, a maior parte das esquetes não conseguiu agradar nem chamar a atenção dos telespectadores. O humor ácido presente no texto do primeiro bloco foi substituído por um humor quase infantil e acabou afastando o público que esperava algo bem mais ousado.

A bem da verdade, a estreia mostrou que Rafinha Bastos e sua trupe - escolhida a dedo e que mostrou um grande potencial - são excelentes quando o assunto é stand up, mas ficaram devendo bastante nas esquetes. Não há no site qualquer referência de quem é o responsável pelo roteiro das esquetes, mas, num primeiro momento, o maior problema foi exatamente este: o roteiro raso. E isso precisa ser corrigido com urgência para se adequar ao estilo do show.

O que ficou claro também é que Rafinha Bastos não estava a vontade a frente do formato. O Saturday Night Live é um humorístico dos mais competentes na TV americana e responsável por revelar grandes nomes da comédia, como a genial Tina Fey, mas segue um modelo rígido há anos e que não parece ter se ajustado ao estilo de comédia de Rafinha. 

Com audiência abaixo de 1 pontos (0,8), certamente o show decepcionou nos números. O equívoco da emissora em programá-lo para o horário mais concorrido da TV brasileira ficou evidente logo na estreia. Parece claro que, com alguns ajustes, o Saturday Night Live Brasil pode crescer e há potencial imenso para tornar-se uma boa opção. Mas parece improvável que ele consiga grande destaque na audiência enquanto for ao ar no domingo à noite. O ideal, parece claro, é que seu dia de exibição seja, como o nome já diz, nas noites de sábado.

sexta-feira, 25 de maio de 2012

Comparativo de Audiência - 18 Horas - média parcial

Média-parcial diária de novelas das 18 Horas até o capítulo 70 


Amor Eterno Amor: 22,56
A Vida da Gente: 22,16
Cordel Encantado: 25,06
Araguaia: 21,54
Escrito nas Estrelas: 26,14
Cama de Gato: 23,87
Paraíso: 23,39
Negócio da China: 20,86
Ciranda de Pedra: 22,10
Desejo Proibido: 21,04
Eterna Magia: 26,65
O Profeta: 31,16
Sinhá Moça: 31,67
Alma Gêmea: 36,40
Como uma Onda: 24,91
Cabocla: 33,09
Chocolate com Pimenta: 35,10
Agora é que são Elas: 26,59
Sabor da Paixão: 24,94

quinta-feira, 24 de maio de 2012

Avenida Brasil e o esqueleto de A Favorita

É praticamente unanimidade que Avenida Brasil é outro grande trabalho do autor João Emanuel Carneiro. Considerado ainda jovem na carreira, o novelista tornou-se a sensação dos últimos anos após engatar dois grandes sucessos no horário das 19 Horas - Da Cor do Pecado e Cobras e Lagartos - e entrar de forma meteórica para o seleto grupo dos autores do principal horário com A Favorita.

Em seu segundo trabalho neste horário, João Emanuel faz questão de criar um distanciamento saudável entre suas duas obras das 21 Horas. A Favorita sempre foi uma novela sombria, com grande carga dramática e com praticamente um único núcleo. Tudo girava em torno do épico embate entre as duas protagonistas Flora (Patrícia Pilar) e Donatela (Cláudia Raia). Avenida Brasil é muito mais colorida, com núcleos de humor espalhados pela trama e que sequer dialogam com o núcleo principal. Numa comparação rápida, a atual trama lembraria muito mais Cobras e Lagartos.

Porém, numa análise um pouco mais aprofundada percebe-se que não é bem assim. As semelhanças entre os dois produtos do autor no horário nobre não são poucas e, nestes últimos capítulos tornaram-se latentes. Recém-completados 50 capítulos, Avenida Brasil caminha para uma grande virada e todo o núcleo principal vai se contornando para este momento, tal qual ocorreu com A Favorita, quando, a esta altura do campeonato, a trama andava para revelar ao público quem era a verdadeira assassina de Marcelo.

Mas muito mais do que isso, ao comparar as duas obras, o personagem emblemático é Jorginho (Cauã Reymond). Nos últimos capítulos o personagem começou a descobrir uma série de fatos que, até então, passavam desapercebido por eles. Tudo começou quando ele descobriu quase por acaso que Nina (Débora Falabella) e Carminha (Adriana Esteves) já se conheciam. A partir daí, ele iniciou uma espécie de investigação para entender a situação e começou a descobrir inúmeras situações até chegar ao capítulo de ontem, quando descobriu que foi Carminha quem abandonou Nina no lixão. Nos próximos capítulos Jorginho ainda vai descobrir muito mais coisas.

Ao olhar para trás, situação idêntica ocorreu em A Favorita. Pouco depois do capítulo 40, a personagem Lara (Mariana Ximenes) passou a colocar em dúvida todo o amor que Donatela dizia sentir por ela e questionou quem dizia a verdade: a mãe de criação ou a mãe biológica. Também investigando, a personagem começou a descobrir situações estranhas, como o fato de Donatela dar presentes caros ao médico Salvatore, que cuidou do pai quando ele foi alvejado. Pouco depois, Lara também descobriu que a mãe de criação ajudava financeiramente a única testemunha do crime, Silene (Elisângela). Com isso, a conclusão óbvia era de que Donatela e não Flora havia matado o pai.

Jorginho é a Lara de Avenida Brasil. Os mesmos conflitos que a personagem de Mariana Ximenes viveu desde o início da trama repete-se agora. Jorginho é um personagem confuso, cheio de problemas e deslocado, exatamente como Lara era. Donatela queria se proteger de Flora que queria recuperar o que, segundo ela, lhe foi tirado e nenhuma das duas pensava em Lara. Nina quer se vingar de Carminha que, vilã, não deixa barato e nenhuma das duas pensam em Jorginho. Tal qual Lara se equivocou ao duvidar de Donatela, sabe-se que, nos próximos capítulos, Jorginho irá duvidar das intenções de Nina, apesar de desconfiar de Carminha, assim como Lara nunca confiou em Flora.

Dizer que Avenida Brasil não tem traços claros e bem pintados de A Favorita prova-se um engano. Assim como outros autores João Emanuel Carneiro utiliza elementos que o consagraram em seu trabalho anterior na tentativa de emplacar outro sucesso. A diferença, contudo, é que, ainda livre dos vícios por ser um autor mais jovem, com a ousadia que lhe é peculiar, o novelista mascara essas semelhanças e foge do óbvio, cria situações inusitadas e que prendem a atenção do telespectador. Inspirar-se em sua própria obra não é o problema, isso torna-se um erro quando há sinais de repetição por falta de criatividade. Não é o caso. Mesmo com elementos de A Favorita, Avenida Brasil mostra-se um mar de criatividade.

quarta-feira, 23 de maio de 2012

Comparativo de Audiência - 21 Horas - média parcial

Média-parcial diária de novelas das 21 Horas até o capítulo 50


Avenida Brasil: 36,74
Fina Estampa: 37,82
Insensato Coração: 31,96
Passione: 31,78
Viver a Vida: 36,10
Caminho das Índias: 34,04
A Favorita: 35,98
Duas Caras: 37,68
Paraíso Tropical: 38,20
Páginas da Vida: 49,06
Belíssima: 44,96
América: 44,56
Senhora do Destino: 46,24
Celebridade: 42,70
Mulheres Apaixonadas: 40,30
Esperança: 39,30

terça-feira, 22 de maio de 2012

Comparativo de Audiência - Record - média parcial

Média-parcial diária de novelas da Record até o capítulo 30

Máscaras: 7,67
Vidas em Jogo: 10,17
Ribeirão do Tempo: 9,83

Carrossel é despretensiosa e acerta

A estreia da versão brasileira de Carrossel, no SBT, na noite da última segunda-feira (21/05) causou comoção no Brasil. Os surpreendentes números de audiência apontaram que a novelinha infantil conquistou a vice-liderança no horário e mais do que dobrou a audiência para a emissora. Muito disso se deveu, evidentemente, a curiosidade do telespectador em assistir a versão brasileira de uma das tramas infantis de maior sucesso da História. As crianças da geração de 1990, hoje adultos, tem como um dos momentos televisivos mais importantes assistir Carrossel.

Ao se analisar uma novela infantil é preciso cuidado. Evidente que se faz necessária uma avaliação técnica do produto, afinal, se ele está no ar é preciso que a produção tenha um conceito técnico claro e que consiga levar ao ar uma produção de qualidade e que consiga reunir os elementos necessários para o sucesso sem que isso fira a qualidade técnica. Porém, não se pode esquecer que o principal consumidor desta obra são as crianças e elas não tem qualquer domínio sobre as técnicas de telenovelas e, por conta disso, o principal enfoque do produto deve ser saber dosar a fantasia e a realidade e envolver as crianças.

No segundo ponto todos os envolvidos com a produção da novela foram extremamente felizes. A direção acertou em cheio ao conseguir unir e aproximar o cotidiano das crianças nas escolas às fantasias que uma obra de TV precisa ter para garantir a audiência das crianças. As travessuras, os grupos que se formaram, os dramas bastante humanos, o bom humor, todos os elementos que estiveram presentes no texto foram fundamentais para que os pequenos telespectadores demonstrassem interesse em acompanhar a novela.

A parte técnica, porém, deixou a desejar. Se a direção acertou em cheio na edição das cenas, fotografia e posicionamento nas câmeras, não conseguiu fazer um grande trabalho com o elenco. Se as crianças não demonstraram qualquer talento para a interpretação, salvo alguns bons momentos de uma outra criança e da feliz escolha para o garoto que interpreta Paulo, o problema maior se deu com os adultos. Atores que deveriam ser experientes para segurarem as cenas caíram no tatibitati infantilóide e, mesmo em cenas apenas entre adultos, permaneceu o tom infantil e os diálogos em forma de jogral. Isso incomodou.

O texto de Íris Abravanel é correto, mas neste primeiro capítulo notou-se um problema. As crianças não tem qualquer condição de improviso ou de produzir cacos - pequenas mudanças no texto - e a direção não teria condições de contribuir para isso, visto que são muitas as responsabilidades. Caberia a autora produzir em seu texto diálogos com palavras menos formais e que se aproximem mais do que as crianças costumam falar, sem que pareça um discurso decorado, como aconteceu em diversos momentos. A solução neste caso, seria tomar a atitude que a Rede Globo costuma tomar ao adotar coachs - treinadores - para ajudarem as crianças a entenderam o texto e não apenas decorá-lo.

Os pequenos deslizes técnicos de Carrossel poderiam ser facilmente corrigidos, porém, parece que se tornam inviáveis as correções, uma vez que a novela estreia com 90 capítulos concluídos, o que não permite qualquer análise por parte da produção a fim de corrigir os erros. Uma pena.

Mas, o mais importante, é que a novela conseguiu entreter e chamar a atenção de seu público-alvo. Se essa atenção continuará somente o tempo poderá dizer, mas a primeira impressão é de que a trama infantil vai dar muito o que falar.

Twitter Facebook Adicionar aos Favoritos Mais

 
Tecnologia do Blogger | por João Pedro Ferreira