Passados 55 capítulos de Avenida Brasil uma pergunta torna-se inevitável para os fãs do formato e para os críticos da área. Qual das duas novelas de João Emanuel Carneiro - tido atualmente como o mais criativo novelista do país - exibidas no principal horário é melhor? A Favorita ou a atual? A resposta não é tão simples quanto possa parecer e esbarra em diversas características.
Não é segredo para ninguém que este espaço considera a trama de Donatela e Flora uma das melhores coisas que já surgiram no cenário televisivo nacional. Com uma história intrincada e cheia de nuances, sem barriga e muito bem construída, a telenovela entrou para a história da teledramaturgia nacional por sua ousadia e por desafiar o formato rígido do folhetim.
Mas é preciso fazer um parêntese. Os primeiros 55 capítulos de A Favorita foram geniais. Criativo e muito bem construído, este trecho aguçou a curiosidade do telespectador em saber quem era o responsável pela morte de Marcelo. Mas foi a partir do 56º capítulo em que a trama subiu da categoria genial para o degrau máximo, épico. O capítulo revelação de que Flora era a grande vilã da trama é um dos melhores capítulos já exibidos na História deste país, senão o melhor.
Parece bastante claro que Avenida Brasil foi muito mais sólida e bem amarrada neste primeiro trecho. Em 55 capítulo aconteceram tantas coisas que, nas mãos de outro autor, daria para construir umas 3 novelas de 200 capítulos. Abrindo mão das cenas longas e enfadonhas, até desnecessárias, João Emanuel Carneiro já produziu três grandes viradas no seu folhetim e envolveu o telespectador desde o primeiro capítulo. O sofrimento de Rita, órfã e abandonada no Lixão, a ascensão de Carminha casando-se com Tufão enquanto Rita aprendia valores de amor no lixão, a adoção de Rita por uma família argentina e seu desligamento de Batata, o amor de sua vida, a volta de Rita, agora como Nina, para se vingar da ex-madrasta e o início da vingança.
Tudo isso em 55 capítulos, com direito a falso sequestro, a reencontro com o amor da vida, a desistência da vingança e retomada dela. Com direito a muitos segredos e com direito a uma deliciosa vilã que, desde o primeiro capítulo, não se omitiu de sua personalidade maquiavélica e cruel. Além de tudo, núcleos paralelos muito melhor trabalhado neste início e com bastante espaço.
Em 55 capítulos Avenida Brasil mostrou-se melhor que A Favorita, o que não é desmérito algum para a última, pois a primeira mostrou-se melhor que praticamente todas neste mesmo período. O capítulo de ontem foi um dos melhores tendo a cena de Carminha cuidando da falsa Rita sob os olhares de Nina como uma das melhores coisas já exibidas. Mas não é tarefa fácil para Avenida Brasil continuar a superar A Favorita a partir de agora. Esperamos que consiga porque, quanto mais qualidade, melhor.





