quinta-feira, 14 de março de 2013

Globo precisa melhorar esquema de temporadas de séries

A Rede Globo ainda engatinha quando o assunto é produção de seriados. Filão principal da TV americana e que, com a popularização da TV a Cabo e facilidades de downloads com a internet acessível, vem fisgando boa parcela da população brasileira. As produções neste formato ainda carecem de investimentos no Brasil. Falta dinheiro, falta conhecimento técnico em todas as áreas de produção, seja elenco, direção ou roteiro. E falta também estratégia de colocação dos produtos na grade de programação.

Deixando de lado todos os outros fatores, frutos de um formato que ainda dá pouco retorno, e focalizando apenas na grade de programação, é preciso que a Rede Globo - única emissora a produzir seriados no Brasil - tenha sensibilidade em perceber a diferença fundamental entre séries e outros produtos de sua programação. Boas histórias estão sendo queimadas porque a emissora investe todas as suas fichas nelas, em esquemas de temporadas que não respeitam uma lógica seriada.

Os exemplos são vários. Tapas e Beijos e A Grande Família sofrem de um mesmo mal. As temporadas respeitam a ordem de 1 temporada por ano, porém, ambas as séries são levadas ao ar semanalmente de abril a dezembro, produzindo uma quantidade absurda e desnecessárias de episódios que acabam por desgastar a imagem, além de exigir uma criatividade quase desumana dos roteiristas para conseguirem criar tantas histórias numa só temporada. 

Outro problema é o esquema de várias temporadas num único ano e este é mais grave. Louco por Elas surgiu como um sopro de fôlego novo para os formatos de séries no Brasil. A aposta em linguagem exclusiva de seriados, direção com takes e cortes rápidos, roteiro que inclui metalinguagem, tudo redondinho no melhor estilo das produções de humor deste tipo. A emissora tinha uma pérola nas mãos que poderia durar anos a fio, por várias temporadas, se soubesse se utilizar disso.

Nesta quarta-feira, 13, Louco por Elas completou um ano que estreou. Pela lógica dos seriados nessa semana deveria estar estreando a segunda temporada. Mas não é o que acontece. O show já está em meados da terceira temporada. No período de um ano a série exibiu 14 episódios da primeira temporada, depois de uma pausa de 04 meses exibiu mais 08 episódios na segunda temporada e com uma pequena pausa de um mês voltou com a terceira temporada que já teve 08 episódios exibidos. São 30 episódios exibidos em um ano. 

Esta estratégia é completamente equivocada e desgastou o produto junto ao telespectador. Principalmente uma série com humor ágil e que exige completa atenção do público, além de entrar no ar já no final da noite. Todos esses elementos fizeram com que a audiência caísse. Agora, a emissora está com nova pérola nas mãos, Pé na Cova, um exemplo de qualidade rara no formato e que teve sua segunda temporada anunciada nesta semana. Manter a mesma estratégia utilizada com Louco por Elas é suicídio.

O filão de séries é muito bom e a Rede Globo deve continuar investindo, mas é preciso criar uma estratégia de sustentação que garanta aos shows de qualidade vida longa sem comprometer a qualidade e desgastar junto a audiência, só assim o Brasil conseguirá seguir os passos de países que já produzem há algum tempo shows de qualidade.

4 Quebraram tudo:

Leonardo de Andrade disse...

Você falou que a Globo é a única emissora que produz seriados no Brasil, mas eu não entendi. A Record faz o que, com, por exemplo, José do Egito?

E eu concordo com você... O ritmo das séries da Globo é rápido de mais. É muita informação. Se a gente pega (talvez eu esteja abusando do exemplo agora) "Sherlock", por exemplo, que tem só três episódios por temporada, com duas temporadas até agora... Não dá nem pra comparar. Mas eu acho que é porque a estratégia que a Globo adotou foi "abrasileirar" o formato, aproximando ele das novelas, né. Aqui, nós estamos acostumados a ficar na expectativa pelos próximos capítulos das novelas, e como essa é uma tradição bastante antiga e enraizada, a Globo pode ter medo de uma rejeição do público. É o que eu acho.

Se bem que esse tradicionalismo todo me irrita pro-fun-da-men-te. Mas fazer o que.

@tvxtv disse...

A própria Record trata José do Egito como "minissérie", Leonardo. Embora a exiba uma vez por semana, a linguagem é muito mais folhetinesca que de série :)

Francisco Othon P. de Norões disse...

Rede Globo só fala BBB até abril..... :X

Moura disse...

Sempre achei isso.

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