quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

Didatismo atrapalha O Canto da Sereia

Estreou nesta terça-feira, 08, um dos produtos mais aguardados de 2013 desde que foi iniciada a especulação sobre o tema. Baseada na obra literária de Nelson Mota, O Canto da Sereia é a primeira microssérie da Rede Globo em 2013. Com apenas 04 episódios, a produção é mais uma que adota a fórmula de poucos episódios nos produtos de teledramaturgia do início do ano na emissora.

A grande expectativa se dava por conta de tudo que vinha por trás da microssérie. Estava claro, desde que a imprensa passou a cobrir as notícias sobre a produção, que tratava-se de um super trabalho, destes grandiosos, como a emissora costuma realizar em praticamente todos os anos - basta lembrar de Dercy de Verdade no ano passado e de Dalva e Herivelto no ano anterior. Com as chamadas no ar, a expectativa apenas aumentou, pois o que se via na TV parecia, de fato, algo digno de nota e de se observar.

Mas, ao olhar a estreia, a execução ficou bastante abaixo do que se esperava. Longe de ser ruim, a série é uma megaprodução, ela também não chega a ser dessas obras que marcam a teledramaturgia nacional e que  arrebatam o coração. Alguns equívocos não puderam passar batidos e acabaram por incomodar durante toda a exibição deste episódio de estreia. 

A começar por Ísis Valverde. A atriz é de um talento que impressiona e sua lista de trabalhos prestados em favor da teledramaturgia nacional é tão extensa para quem surgiu a tão pouco tempo que dispensa comentários, mas neste caso específico, ao que parece, ela errou a mão. Ao tentar compôr a protagonista Sereia, uma famosa cantora de axé, a busca por cada detalhe da personagem acabou fazendo com que Ísis tornasse sua protagonista caricata. O que se viu o tempo todo em que ela esteve em cena não foi uma cantora de axé, mas uma atriz interpretando uma, o que é um ato falho. Fica a torcida para que nos próximos episódios essa impressão seja corrigida.

Houve também acertos neste primeiro momento. A direção foi bastante competente. Por ser um produto de tiro curto, a opção por cenas rápidas, com diálogos ágeis e cortes descontínuos, os diretores acertaram em cheio. Além do que, essa opção, aliada a excelente fotografia, a ótima edição e a não menos correta trilha sonora, deu todo o tom de suspense que a série precisava para que a história do crime chamasse a atenção do telespectador.

O elenco como um todo também esteve bem. A tirar o equívoco da protagonista, praticamente todo o restante do elenco foi bastante correto. Destaque, a princípio, para Gabriel Braga Nunes que compôs um personagem que não lembra em nada seus últimos tipos que surgiram na TV, o que transmite muita verdade para o público. Fabiula Nascimento, embora aparecendo rapidamente, também chamou a atenção por se livrar rapidamente de Olenka, personagem que interpretou em 2012 na novela Avenida Brasil.

Em meio a elementos técnicos, o grande problema de O Canto da Sereia, contudo, foi o roteiro. Não li o livro de Nelson Mota, portanto, é impossível traçar um paralelo. O que ficou claro, contudo é que a tentativa de sublinhar o tom de suspense no texto, através das situações criadas, atrapalhou. Ao colocar tantos personagens como suspeitos de forma tão óbvia e detalhada ao invés de instigar, era esse o objetivo, acabou tornando-se enfadonho, pois o tempo todo ficou claro que todas as situações eram propositais para gerar um clima de suspense e sinistro. Não funcionou.

Os próximos episódios que vão se focar na investigação do crime - aliás, palmas para a cena do assassinato de sereia, tecnicamente perfeita - podem apresentar uma melhora significativa, desde que tire a necessidade de explicar tudo detalhadamente para o público. De qualquer forma, pela estreia, ficou claro que O Canto da Sereia não é o que dela se esperava.

11 Quebraram tudo:

Letycia Fonseca disse...

Eu gostei muito a isis e uma atriz linda invejável maravilhosa pena que são apenas quatro capítulos

[In Search of a Name] disse...

Boa noite,

Concordo em partes com o que escreveu, mas acredito que no principal concordamos: Isis Valverde foi bem caricata. Antes de voltar nela, vou falar sobre o restante...
Achei a serie bem dirigida, com tomadas rapidas que deixaram o clima de suspense e tensao mais nitidos para quem acompanhou fora das telinhas. Algumas cenas com atores coadjuvantes, que nem devem mais aparecer, tambem foram muitos boas, como a resposta ironica da delegada ao jornalista, quando este perguntou pelos provaveis suspeitos. A empresaria de Sereia, no entanto, falhou em ser caricata tambem, passando um ar exagerado de obsessao por aquela, sugerindo ate um caso romantico com a cliente, mas que nao deixou de parecer forçado e com trejeitos mais que repetidos por ai. A serie parece ser muito boa e Isis , ao meu ver, nao poderia ser de outro jeito que nao aquele, mas talvez uns 20 por cento menos efusiva, pois de fato soou como uma caricatura de cantoras de axe - o que nao deixou de render falas engraçadissimas como a do "relogio no fiofó". Isis é uma cantora idolatrada na serie e que poderia decidir o rumo da eleiçao, entao ficaria dificil de entender se ela atuasse de um jeito 'morno'. A serie peca principalmente pela curtissima duraçao, ao conter personagens, por outro lado, de personalidades bem extensas e complexas.

Obrigado e parabens pelo texto,

Luiz

Macaé - RJ disse...

Nao concordo quanta à Isis... Vide ivete Sangalo em todas as entrevistas e aparições dela... impossível pessoa real mais caricata que ela... logo há muita verossimilhança na interpretação da atriz em questao... acho q a globo está de parabéns pelo material apresentado e ao contrário do qu li aqui o que mais me deixou apaixonado neste primeiro espisódio foi exatamente terem colocado a isis como personagem central de uma trama em que o carisma da personagem transcende aos podres da vida pessoal.. fica a dúvida IVETE É UMA CARICATURA DELA MESMA PARA ESCONDER A VIDA PESSOAL... OU ISIS É UMA CARICATURA DE IVETE E NAO DE SEREIA? Tudo depende do ponto de vista...

Leandra Cristina disse...

Deixa de ser chato(a),a isis foi ótima,e se não fosse a direção da minisserie teria notado e substituido ela.

@tvxtv disse...

Letycia. Não sei se haveria história pra mais de 04 episódios, talvez sim, mas também, poderia haver barriga.

@tvxtv disse...

Luiz, concordo com vc sobre a Ísis, mas discordo da Camila Morgado, acho que ela deu o tom correto.

@tvxtv disse...

Macaé, a grande diferença é que a Ivete é assim diante das câmeras e a Sereia foi apresentada caricata no dia a dia, percebe a diferença?

@tvxtv disse...

Letícia, as coisas não funcionam assim em TV. Muita gente erra e acerta, faz parte do trabalho. E eu não sou chato :D

Rafael Barbosa dos Santos disse...

Discordo, não vi caricatura na Sereia de ísis, talvez o sotaque é que não esteja legal, mas de resto ela está muito bem. A personagem estava o tempo todo tentando esconder seu sofrimento e tentando parecer alegre e feliz diante dos outros. Também não percebi didatismos, acho que o capítulo foi correto, apresentou os personagens que transitam em trono da protagonista, o envolvimento dos mesmos com a Sereia e deixou claro que eles podem ser o assassino, como um bom suspense deve ser. A cena em que final também serviu para aguçar ainda mais nossa curiosidade. Portanto achei a série sensacional, e é praticamente impossível deixar de ver os capítulos restantes.
Abraços!

Marlon Kraupp disse...

Achei perfeita a micoserie, certamente, vai ser a melhor produção da globo no ano, até por que ultimamente, poucas coisas tem se salvado lá. Enfim, ótima produção, ótimo horário e ótima audiência.

Thallys Bruno disse...

Bem, Demlo, eu discordo da crítica à Ísis. Definitivamente não acho sua composição equivocada, muito pelo contrário, acho que as doses de dubiedade, sensualidade, caricatura e tensão foram muito bem equilibradas por ela. Respeito sua opinião, mas não vou concordar com isso.

Quanto ao elenco coadjuvante, é no drama que Camila Morgado mostra sua competência, como em vários de seus papéis durante os anos 2000. Depois de uma péssima impressão deixada por suas tentativas de fazer comédia em Viver a Vida e Avenida Brasil, agora ela está simplesmente perfeita. Destaco ainda Gabriel Braga Nunes, Marcos Palmeira, Marcos Caruso, Marcelo Médici e, embora em menores aparições, João Miguel e Frank Menezes.

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