quarta-feira, 21 de julho de 2010

Ribeirão do Tempo cheira a mofo

A princípio, quando a novela Ribeirão do Tempo sofreu grave queda de seus índices com o fim de Bela, a Feia, muitos especularam que era uma queda natural, fuga de telespectadores que acontecem em todas as novelas, e isso é verdade. Porém, o problema da principal da trama da emissora é outro.

Já se passaram muitos e muitos capítulos e Ribeirão do Tempo segue dando audiência bem abaixo do registrado, cerca de 30% abaixo da meta estabelecida pela cúpula da Record. Números que são preocupantes, já que no horário, praticamente todas as novelas da emissora conseguiram índices muito bons, enquanto a atual na maioria das vezes sequer consegue registrar dois dígitos.

Já com a história consolidada, é possível notar os motivos que afugentam o público que já estava acostumado a assistir telenovelas na emissora. Ribeirão do Tempo aposta em elementos que transformam qualquer folhetim em um produto desinteressante para o telespectador e, consequentemente sem apelo algum em busca da audiência mais equilibrada.

A obra aposta basicamente num mesmo ingrediente que a nova novela das 7 da Globo, Tititi, uma história antiga, moldada e construída numa narrativa que era muito utilizada na década de 80 em que as novelas faziam muito sucesso. A diferença fundamental entre as duas, no entanto, é que a trama global conseguiu utilizar estes elementos antigos e dar fôlego, ou seja, criar um visual atual e moderno, assim, o telespectador mal percebe que está envolvo a um tipo de dramaturgia antigo. Já Ribeirão colocou todas as suas garras num formato de mais de 20 anos e que não interessa mais a praticamente ninguém, principalmente pela falta de inovação, de ousadia e de modernidade.

Não serão tiros que salvarão a novela da Record. Não será adrenalina nem violência. Ribeirão do Tempo precisa de uma guinada em seu formato. É preciso que Marcílio Moraes perceba que seu público não quer uma história mofada e sem nenhuma identificação com os dias atuais, com ou sem apelo de violência, é preciso que as cenas sejam pensadas pela cabeça de um telespectador que vive no século 21 e não admite mais uma história modorrenta como a de Ribeirão do Tempo.

3 Quebraram tudo:

@Gabriel_GBueno disse...

Existe uma grande diferença. Ribeirão só perde pra Ana Raio às vezes por que não tem uma história definida, atira pra todos os lados e não tem uma interpretação que se destaque. Todos são péssimos. E Ana Raio emociona o público com a história da mãe que perdeu a filha, mas a Ana é guerreira e consegue se firmar numa carreira que não é especialmente de mulheres e faz sucesso, e sua busca emociona o público. Então por isso, acontece a derrota de Ribeirão para Ana Raio.

Dico disse...

Bingo! Sempre falei pra todo mundo que a Record não sabe fazer novela. Todos os acertos da emissora na teledramaturgia foram, sim, grandes tiros no escuro. Coisas que aconteceram ou colocaram uns tiros e gotas de sangue no meio para acontecer. Para conseguir pontos no ibope, a Record sempre apelou para a violência em suas novelas. Até "Bela, a Feia", que no original é uma novela pacífica, simples e engraçada, ganhou toques de maldade, com vilões meio que inexistentes do roteiro venezuelano e mexicano, em seus capítulos. Para conseguir público, a Record sempre apelou para isso. Agora, Ribeirão prova o que eu sempre desconfiei: a Record não sabe fazer novelas. Não posso negar que a emissora do bispo tem um banco de elenco bem bacana e admirável, uma estrutura interessantíssima no Rio de Janeiro e equipamentos modernos, mas isso não é o suficiente para se ter bons produtos. Outro dia peguei, na internet, uma receita de uma torta que me pareceu deliciosa. Comprei todos os produtos necessários, os melhores e mais caros, para fazer a tal torta e o resultado final não chegou a ser frustrante, mas, nem de perto ficou parecido com a foto da internet e nem com o sabor imaginado pela minha fantástica imaginação de Bobby Generic. Não adianta ter bons materiais à disposição. É preciso o saber fazer. A Globo, ainda, é imbatível nesse ponto. E digo mais: se o SBT parar de viver seus dias transloucados e se dedicar, como a Record, em montar uma estrutura no mesmo nível que suas maiores concorrentes, passa a Record no setor. O SBT tem tradição em produzir verdadeiras obras primas e se esqueceu que sabe fazer novelas. Quem não lembra de "Éramos Seis", "Os Ossos do Barão", "As Pupilas do Senhor Reitor", "Sangue do meu Sangue", "Fascinação" e até "Chiquititas"? Mas, enquanto O Sr Tele Sena não investir, com seriedade, suas moedinhas na produção de novelas, a Record pode produzir o que for no RecNov que, mesmo tendo cheirinho de mofo, chamará mais atenção que as tentativas da Anhanguera. Se bem que acho "Uma Rosa com Amor" bem interessante. Mas isso é comentário para um outro post do blog. hehehe

Gabriel Borba disse...

Não dá pra comentar Ribeirão do Tempo.
Não consigo assistir para poder comentar, tamanha é a sensação de vergonha que sinto quando o controle leva acidentalmente para a Record naquele horário.
Duro é esperar a novela terminar para assistir aos CSIs, House ou Monk. Horário de boate.
Um abraço.

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