quinta-feira, 11 de março de 2010

Por que tantos remakes? Falta criatividade?


Nos últimos anos a TV aberta brasileira evoluiu bastante na quantidade de folhetins produzidos pelas emissoras. Existem núcleos de dramaturgia na Rede Globo, na Rede Record e no SBT, além da BAND que teve seu núcleo até bem pouco tempo e já está reativando, ao que parece.
Técnicos e profissionais da área agradecem, afinal, com o Mercado aquecido aparecem novas oportunidades de emprego para um grupo de pessoa que antigamente ficava resumido a Rede Globo que, durante um bom tempo foi a única a produzir folhetins no Brasil, o que significa ser muito pouco.
Três emissoras atualmente produzem novelas. Na Globo são as tradicionais três novelas no ar, na Rede Record atualmente é uma novela, mas logo serão duas e no SBT também uma novela, ou seja, atualmente temos 05 folhetins nacionais passando diariamente na TV aberta.
Por si só isto já é sensacional, mas poderia ser melhor, bem melhor. O problema é que todas as emissoras brasileiras sofrem do mesmo mal: a insistência em produzir e investir em remakes de folhetins antigos e de sucesso. Eu não sei quem foi o criador desta criação que, em determinados momentos, pode ser positiva, mas quando explorada a exaustão se torna desgastada e indica um problema.
A Rede Globo finalmente está com três novelas inéditas e originais no ar, porém, até bem pouco tempo atrás exibia o remake de Paraíso, de Benedito Ruy Barbosa e, nos últimos anos ainda produziu Cabocla e Sinhá Moça, também remakes do mesmo autor. Num futuro próximo, mais precisamente em julho, os remakes voltam a tela da Rede na próxima novela das 7, Ti ti ti, obra de Cassiano Gabus Mendes que Maria Adelaide Amaral irá explorar.
A Rede Record atualmente está no ar com uma única novela, e é remake. Bela a Feia é mais do que remake, é uma repetição sem fim, já que foi explorada por todos os lados, mas no caso da emissora da Barra Funda, a idéia original é baseada em Beth, a Feia da Televisa, rede de TV mexicana e atualmente parceira da emissora no país. Em breve a emissora terá duas tramas no ar, uma original, Ribeirão do Tempo, de Marcílio Morais e Cuidado com o Anjo, mais um remake mexicano.
O SBT retomou seu núcleo de dramaturgia com força ao contratar Tiago Santiago e alguns grandes nomes da dramaturgia como Betty Faria e Jussara Freire, porém a escolha do folhetim para inaugurar este período foi também um remake. Tiago Santiago está reescrevendo a trama de Vicente Sesso, Uma Rosa com Amor.
Parece inacreditável que um país considerado por muitos como o melhor produtor de telenovelas do mundo fique tão preso a idéias antigas e que todos conhecem. A impressão que se dá é que falta criatividade para a atual geração de novelistas do Brasil, porém se pensarmos um pouco além disso, vemos que não é este o problema. Está claro que os remakes são desejo das emissoras e não propriamente dos autores, então não se pode acusá-los de pouco criativos. O que falta, portanto, não é criatividade aos autores, mas ousadia às emissoras que parecem preferir o velho com cheiro de naftalina ao jovial e criativo. Uma pena, pois novelas inéditas podem apresentar gratas surpresas como é o caso de Cama de Gato.
Não sou defensor de banir os remakes, pois entendo que grandes obras da dramaturgia merecem ser vistas com outro prisma e em outro momento histórico da TV, mas sou contra o exagero. As emissoras estão utilizando o remake como muleta para a falta de ousadia e isso deve ser combatido, pois pode levar a teledramaturgia do país ao buraco sem fim.


4 Quebraram tudo:

Guilherme disse...

CONCORDO CONTIGO!
MAS TOME CUIDADO PARA O BLOG NÃO LOTAR DE RECORDISTAS COMO JÁ ACONTECEU!

Gabriel Borba disse...

Acho que recorrer aos remakes não se trata tanto de falta de criatividade, mas também de uma necessidade de afirmação de audiência.
Estas "releituras" tornaram-se uma válvula de escape, para onde as emissoras recorrem em momentos difíceis.
É mais fácil chamar a atenção para uma história que todos já conhecem (e tentar fazê-la um pouco diferente - ou não, como diria o Caetano) do que investir em histórias novas, que correm o risco de não serem bem aceitas pelo público, como acontece atualmente com Tempos Modernos. Não podemos esquecer que as programações das TVs são ditadas por nós, que temos o maior dos poderes: o controle remoto.

Kamila disse...

Remakes são muito bons e não tem nada de errado fazer as vezes e Paraíso foi uma das melhores novelas que eu já assisti na minha vida se não foi a maior de todas e cama de gato não é tudo isso que vc fala pra mim quanto mais remakes melhor

Serginho disse...

Primeira vez que comento no Blog, e sinceramente, acho ele muito bom. Pra um bom "noveleiro" ele em forma com o Teledramadurgia o que ha de melhor nesse mundo virtual. Parabéns.

Quanto a remakes, eu sou muito favorável. Temos histórias sensacionais para serem recontadadas, com uma gama enorme de novelas, que ficam na nossa memória, e não é passada para as novas gerações.

Tenho 36 anos, e a primeira lembrança de novela que eu tenho é Final Feliz. Eu parava de brincar na rua para ver a Debora da Natalia do Valle. Vibrei com a Viuva Porcina. Torci para o Renato Vilar morrer. Lutei de espada de madeira e capa de toalha, imitando o Jean Pierre, comprei dente de vampiro que vinha como brinde no chiclete, querendo ser o Lipe de Vamp. Gragalhava com a Kika Jordão. O Bafo de Bode falando do xibiu da Tieta, o retorno triunfal da Tonha a Mangue Seco, e a calçola vermelha da Amorzinho, e amei, como nenhuma outra pessoa amou, os vilões e mocinhos do Gilberto Braga. A Maria de Fatima merecia um pedestal...ao lado da Baronesa Ester...Portanto, peguei os aureos tempos das boas novelas. E os nossos herdeiros não tem isso.

Então, não vejo mal algum nos remakes. É a forma de mostrar para o publico atual como eram boas as produções "antigas". E na minha opinião, assim como a Ivani Ribeiro, o Cassiano Gabus tem obra boa demais para ser "re-lida".

Que venham mais sensacionais remakes.
Abraços

Serginho

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