domingo, 20 de dezembro de 2009

Cinquentinha deixa boas lembranças


Terminou na última sexta-feira a minissérie da Rede Globo, Cinquentinha. Escrita por Aguinaldo Silva, o autor que normalmente gosta de falar de um jeito popularesco, criando personagens na maior parte das vezes pobres - tanto financeiramente como de espíritos - e que nos últimos anos vinha errando a mão com temas superficiais e histórias bizarras.

Mas não na minissérie. Cinquentinha foi um acerto da emissora, do autor, do elenco e deixa saudades para seus telespectadores. Certamente que não foi o melhor texto já escrito por Aguinaldo para a Rede Globo, como o próprio autor chegou a dizer em seu blog, mas foi infinitamente melhor que Duas Caras e Senhora do Destino.

O tom popularesco e as situações bizarras estavam todas lá. Mas a agilidade, os diálogos profundos e as discussões quase filosóficas foram o diferencial de Cinquentinha. Sem pudor, a história mostrou diversos personagens complexos, principalmente as protagonistas, em dúvida sobre a própria vida e enfrentando a crise da terceira idade com tremendo bom humor. As cenas realmente foram desprovidas de qualquer pudor. Cena de nudez, lesbianismo, homossexualidade, tudo estava lá. Mas nada exagerado, nada apelativo. O brasileiro tem a mania de achar que isso é apelação quando o produto é nacional. Quando é estrangeiro, como o filme Beleza Americana, merece o Oscar e é genial. Isso as vezes irrita.

O elenco estava muito afinado. As três protagonistas muito bem. Suzana Vieira que vinha errando em suas últimas atuações, acertou o tom e fez de sua personagem divertida, absolutamente profunda e saiu do comum e clichê. Marília Gabriela ainda é dura como atriz, mas melhorou muito nos últimos tempos. Neste trabalho ela assumiu a responsabilidade de ser a mais atrevida. Ficou nua, beijou um rapaz de uns 18 anos. Teve cenas de lesbianismo. E soube conduzir sua personagem de forma que não ficasse suja, promíscua, ao contrário, ali tudo fazia sentido. Mas o destaque é mesmo de Bete Lago, a melhor de todas na série. A atriz entrou após inúmeras atrizes recusaem o papel e deu um show de talento. As maluquices da personagem fizeram todo o sentido nas mãos de Bete Lago, a melhor do elenco.

É preciso ainda observar que no elenco, outros se destacaram. Maria Padilha estava bem como em absolutamente tudo o que faz. E Ângela Vieira estava sensacional como a lésbica que perseguia Marília Gabriela. Parabéns.

Aguinaldo Silva não sabe se Cinquentinha terá uma segunda temporada. Eu creio que sim. Mais do que crer, eu espero que sim. A TV brasileira precisa de produtos ousados, e que ousem com qualidade, com bom texto, com agilidade, boa atuação e boa direção. Cinquentinha teve isso tudo.

3 Quebraram tudo:

Anônimo disse...

concordo tudo com você
me indentifiquei com seu texto
me siga no twitter
@canaldanoticia
eu já estou te seguindo

Rodrigo Fenty disse...

Concordo plenamente.
A ousadia instigante de cinquentinha e seu bom humor foram ótimos de se ver. Me diverti muito.

Brunno disse...

Pensei a mesma coisa..
Eu que não gosto dos personagens da Suzana Vieira, me diverti horrores!
Angela Vieira estava perfeita.. Talvez toda essa ousadia não atraisse muito o publico, mas e dai? Realmente é algo muito bom que não se via à anos!
2ª temporada, que venha, e com o ótimo elenco da temporada que passou [mas sem aquele favelado, please! (que alias, só sabe fazer papel de favelado, não?)]

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