Creio eu que, sequer um terapeuta conseguiria se aprofundar assim, de bate e pronto, numa análise sobre Fina Estampa no que tange encontrar respostas para uma pergunta tão simples: O que houve que, de repente, o público reencontrou-se com o horário e faz a trama bater recordes de audiência como há muito tempo não se via?
Na internet e entre os críticos especializados, temos visto dois tipos de análises simplórias sobre o tema: os fãs do folhetim e de seu autor Aguinaldo Silva que, juntos, formam um ego tão inflado que mal cabe na Terra e que defendem que a novela dá esta audiência simplesmente porque é boa e feita para o público, ou seja, Aguinaldo Silva dá o que o público quer e por isso a audiência responde. O outro grupo forma-se com os críticos vorazes - como este que vos fala - e que resumem o sucesso de Fina Estampa com a justificativa de que o roteiro segue o caminho fácil, com o popular, no mau sentido da palavra, e que usa de clichês para atingir o objetivo.
Quem tem razão? Sabe-se apenas de uma coisa: Fina Estampa não para de bater recordes de audiência e, de repente, transformou-se num fenômeno de repercussão pelo país, recuperando completamente o horário das 21 Horas. Isto é um fato incontestável, a partir daí, são análises, quase sempre subjetivas, mas tentemos ser práticos diante disso.
É bem verdade que Aguinaldo Silva usa o popular para tentar cair no gosto do telespectador, mas não é possível enxergar nisso o sucesso de audiência, afinal, esta tentativa também ocorreu com Duas Caras - obra anterior do autor - que, sofreu com a audiência por muito tempo e não teve 10% da repercussão do atual folhetim. Também é verdade que a trama tem diversos problemas - e a revisitação de suas obras não é uma delas, que fique claro - principalmente nos diálogos irreais, didáticos e extremamente superficiais, carregados de exageros, clichês e caricaturas que irritam e, isso prejudica completamente a qualidade da trama.
Há quem goste e há quem não goste de Fina Estampa, mas, verdade seja dita, é impossível ignorar a novela das 21 Horas. Aguinaldo Silva conseguiu o objetivo de levar para o meio da discussão sua novela e, por puro mérito do experiente autor, com um caminho muito mais simples do que se imaginava. Ignorando qualquer inovação, esquecendo a máxima de que o público busca inovação, Aguinaldo faz algo simples com sua trama: não tem medo de contar histórias.
Quando prometeu que iria fazer de Fina Estampa um folhetim movimentado - talvez o mais movimentado de sua história como novelista - o autor não estava brincando. Em 75 capítulos já aconteceram mais coisas na novela que em suas antecessoras juntas. Ela usou o caminho contrário de Insensato Coração que foi modorrenta até o capítulo 100 e também foi por outro caminho ao invés de mostrar tudo com pressa, como aconteceu com Passione.
Janete Clair não se cansava de dizer que um novelista não deveria ter medo de esgotar suas histórias. Para evitar barrigas, deveria contar todas as histórias até o fim e, depois, se a novela não acabasse, começasse a contar outras, afinal, ele é pago justamente para isso, criar histórias.
E Aguinaldo Silva parece ter muitas histórias para contar porque não se cansa de esgotar as histórias para, na semana seguinte, começar novas. Como nas histórias da Carochinha, Fina Estampa parece ter mil tramas para serem mostradas. Se elas agradam, se são inspirações ou histórias requentadas, essa é outra discussão, mas a fórmula de contar fazer a novela andar esgotando as tramas e começando novas, parece que funciona, e muito bem.






