domingo, 1 de maio de 2011

Ribeirão do Tempo: a novela que não aconteceu

Vai ao ar nesta segunda-feira o último capítulo da discreta novela das 22h00 da Rede Record. Com texto de Marcílio Moraes (Essas Mulheres e Vidas Opostas), Ribeirão do Tempo sai de cena após quase um ano no ar (a estréia aconteceu no dia 18 de maio de 2010). Mesmo com tanto tempo sendo exibida, não se pode dizer que se trata de uma produção vitoriosa da emissora da Barra Funda, muito pelo contrário, fechando com média geral de 11 pontos, a novela fica 03 pontos abaixo de sua meta.

Quando o folhetim entrou em produção e Marcílio Moraes começou a divulgar lentamente a sinopse, muita gente se empolgou. Primeiro por que o autor teve a coragem de tentar resgatar o novelão clássico, estilo anos 80 e que tanto agradou o telespectador naquele período. Segundo porque Moraes tem crédito junto ao público, foi responsável por um grande sucesso na Record, a novela Vidas Opostas, e por uma das tramas mais elogiadas da emissora, Essas Mulheres.

Porém, ainda assim, Ribeirão do Tempo não empolgou em nenhum de seus muitos capítulos. Desde a estreia se percebeu que o autor tentaria diminuir o ritmo alucinado que os folhetins da emissora vinham apresentando, porém, a estratégia não funcionou. A princípio a novela foi rejeitada por ter muitas semelhanças com os folhetins da Rede Globo, mas sem a mesma qualidade e acabamento. A seguir, após as mudanças na sinopse e com o início aos mistérios e entruncamentos, os personagens foram perdendo sua essência e, o pouco de identificação que havia, se esvaiu completamente.

Ainda assim, a novela que se despede do público nesta segunda-feira, não pode ser considerada das piores. Ela não foi ruim, foi apenas insignificante. Não era um produto que chamasse a atenção ou fizesse com que o telespectador se sentisse envolvido a tal ponto de querer continuar assistindo. Um equívoco na carreira deste bom autor. Foi quase um ano desperdiçando um horário de teledramaturgia porque Ribeirão do Tempo simplesmente não aconteceu.

quinta-feira, 28 de abril de 2011

O marasmo da TV aberta

Casa dos Artistas: fenômeno de repercussão 
A TV brasileira atravessa um momento preocupante. Essa afirmação poderia ser feita há dez anos, porém, cabe perfeitamente para o atual período de 2011. Pouco depois de começar o segundo trimestre do ano e, após a nova grade de Programação da Rede Globo, principal emissora do país, da programação da Rede Record e da divulgação da nova grade do SBT, tudo que se vê preocupa.

Não se pode afirmar categoricamente que todos os produtos que vão ao ar na TV brasileira sejam ruins. Longe disso, há produtos de bastante qualidade em cada uma das 03 principais emissoras - mesmo as Redes menores conseguem apresentar algo de interessante - porém, não há praticamente nada que empolga o telespectador como ocorre em outros países.

Se nos EUA é via de regra assistir American Idol e algumas séries com audiência gigante, no Brasil é difícil - muito difícil - apontar um único produto da Rede aberta que seja imperdível para o seu público. Mais difícil ainda é localizar algo na programação brasileira que tenha caído nas graças do povo brasileiro a ponto de ter grande repercussão nas ruas.

As novelas continuam sendo as donas da audiência no país, mas é raro ouvir alguém comentando sobre elas, seja no trabalho, seja nas ruas. Cordel Encantado, nova aposta da Rede Globo, apresenta grande aceitação por parte do público, mas ainda não conseguiu a repercussão nem a audiência necessária para mudar o rumo desta situação.

Qualquer programa, seja de dramaturgia, de auditório ou mesmo os tão falados Realities não conseguem mais emplacar um grande sucesso. Para o telespectador brasileiro, a impressão que se tem, é que a programação de TV tornou-se apenas uma opção de lazer para os momentos de monotonia. Ninguém mais deixa de fazer quaisquer coisas para estar à frente da TV, seja o programa que for.

E é impossível chamar isso de fenômeno sociológico afirmando que isso ocorre devido a modernidade, a correria do dia-a-dia ou mesmo ao fenômeno tecnológico, como a internet. Quer modernidade maior que a dos EUA? E ainda assim, os programas de sucesso lá são verdadeiros fenômenos de repercussão. Também é impossível dizer que o Brasil é diferente, não é. Basta lembrar das repercussões recentes de programas como Popstars e Casa dos Artistas, no SBT; Big Brother Brasil e a novela Senhora do Destino na Globo ou o antigo Hoje em Dia e a novela Prova de Amor da Record. Todos estes produtos tiveram grande repercussão junto ao público, coisa rara hoje em dia.

Isso ocorre devido ao marasmo da TV brasileira. Apesar de apresentar bons produtos, a programação de todas as emissoras é sem graça, monótona e não apresenta nenhuma grande novidade. Não há nada - exceção feita atualmente a Cordel Encantado - que seja imperdível e que dê prazer de assistir a tal ponto que outros compromissos possam ser deixado de lado. Se alguém não inovar, a tendência é piorar.

segunda-feira, 25 de abril de 2011

Cordel Encantado é quase, mas não é perfeita

Desde que estreou, Cordel Encantado, a nova novela das 6 vem recebendo críticas positivas de todos os especialistas e também de boa parte dos telespectadores fãs de telenovelas no país. A quantidade imensa de elogios a cada detalhe da produção assinada por Duca Rachid e Thelma Guedes surpreende, pois vem atingindo uma escala sem precedentes no meio artístico.

Todos os elogios são, de fato, por puro merecimento. Este espaço já tratou aqui do tema e compartilha da opinião da maioria de que a trama é uma das melhores produções dos últimos anos - senão a melhor - e impressiona pela qualidade nos mais diversos detalhes. Ainda assim, é preciso cuidado ao se analisar, pois, com tantos elogios, o leitor pode ter a falsa impressão de que está diante de uma obra perfeita. Não está.

O folhetim, apesar de tudo, apresenta alguns pontos que podem ser melhorados. Nada que ofusque o brilho do que se vê no ar ou que a impeça de ser a melhor telenovela já exibida no horário das 6. Um exemplo disso se percebe em alguns pontos baixos do elenco. Muito bem escalado, o corpo de atores vem recebendo muitos elogios, mas nem todos acertaram o tom como a maioria. É o caso de Luis Fernando Guimarães que, longe da novelas há mais de uma década, vem sofrendo para conseguir dar vida a seu personagem. O mesmo acontece com Maurício Destri, aparentemente muito aquém das exigências dramáticas de seu Inácio.

Outro ponto que pode acrescentar ao folhetim é a iluminação das cenas noturnas. Como trata-se de uma obra clássica, não há iluminação elétrica nas noites de Brogodó e, a forma de se filmar, com 24 quadros, deixa, por algumas vezes, a imagem escura e que atrapalha um pouco a visão do telespectador. Não chega a ser ruim, mas pode incomodar.

O principal ponto, porém, é o ritmo. Duca Rachid e Thelma Guedes vem mostrando sua marca. Cama de Gato já havia apresentado um ritmo frenético de acontecimentos que deixava o telespectador sem fôlego. Isso foi, inclusive motivo de elogios. Em Cordel Encantado isso se repete. As histórias vem acontecendo numa velocidade que impressiona. Não há cenas desnecessárias, não há barriga, tudo ali é muito importante para o desenvolvimento da trama. Porém, as coisas estão mudando rápido demais.

Cordel Encantado é um conto de fadas, não um folhetim de ação. A história poderia, certamente, ser contada num ritmo mais tranquilo, ameno, sem mudanças tão bruscas. Isso não é um problema, não é algo que incomoda ou atrapalha o desenrolar da sinopse, mas, por tratar-se de um conto de fadas, às vezes, tem-se a impressão de que não é velocidade, é pressa ao contar a história.

A telenovela segue sendo a grata surpresa e caminha a passos largos para se tornar a melhor produção já vista na história da Rede Globo no horário das 6 da tarde. Porém, não chega a perfeição, apesar de estar muito próxima disso, há pontos a serem melhorados.

domingo, 24 de abril de 2011

Incoerência dá o tom na despedida de Araci

Desde que surgiu em Insensato Coração, a personagem Araci, vivida por Cristiana Oliveira, chamou a atenção. Os olhos da crítica e do telespectador se voltaram para a personagem, muito disso graças ao excelente trabalho de composição realizado pela atriz que voltou aos holofotes após muitos anos com personagens pequenos.

Em algumas aparições Araci conseguiu criar o clima de rivalidade com Norma (Glória Pires) que todos esperavam desde o início do folhetim assinado por Gilberto Braga e Ricardo Linhares. Muito disso se deveu a química da dupla que doaram ao máximo de seus talentos para realizar um bom trabalho. Aliás, as cenas de Norma e Araci, aliadas aos aparecimentos de Léo (Gabriel Braga Nunes) e Natalie (Débora Secco) são a salvação da novela.

A noite mais esperada desde a estréia de Insensato Coração ocorreu na noite deste sábado. A rebelião no presídio que desencadearia uma série de acontecimentos até a morte de Araci, que deve acontecer na próxima segunda-feira. A seqüência, é bem verdade, teve ar de superprodução, com direito a incêndio, perseguição e tiroteio, tudo feito com muito cuidado e leveza por parte da produção.

Ocorre que, a forma como tudo ocorreu foi mal desenhada, apesar de bem executada. Por toda a construção da personagem, Araci jamais iria acatar um pedido de Norma e muito menos permitir que ela negociasse a rendição das presas. Além do que, uma policial treinada e preparada para estes momentos nunca iria pedir ajuda para uma presa como aconteceu ali. A cena serviu só para, de uma certa forma, debochar da polícia carioca. 

Araci não é apenas violenta. Ela mostrou-se inteligente, cheia de contatos fora do presídio e capaz de comandar um esquema muito inteligente e perspicaz dentro do local. É impossível acreditar que uma pessoa assim fosse perder o controle numa situação como aquela e improvável imaginá-la dando um tiro numa detenta só porque a moça estava correndo, principalmente porque era o momento da rendição. 

Uma pena que, em 05 minutos, os autores da novela destruíram toda a composição da personagem que levou semanas para ser feita. Ainda assim, a partir de agora, é esperar para ver se, de fato, Norma se tornou outra mulher e a vilã que nos foi prometido e, sem dúvida, Cristiana Oliveira merece parabéns pela excelente personagem.

sábado, 23 de abril de 2011

Atores precisam de personagens que os desafiam

Edson Celulari em "Que Rei sou eu?"
Quando se trata do mundo artístico ou se fala que determinada pessoa é artista, atualmente, com o advento das Revistas e Sites que exploram a vida íntima das celebridades, poucas pessoas conseguem mensurar o que, de fato, significa a palavra artista. Artista é pura e simplesmente a pessoa que pratica algum tipo de arte. Somente isso.

Atores e atrizes são, por natureza, artistas, pois conseguem através de estudo aliado ao talento dar vida a personagens e interpretar pessoas - e também seres - que se distanciam, ou não, de sua própria realidade. Em qualquer texto que se menciona a palavra artista é quase automático lembrar-se de alguns nomes da interpretação mundial como Marlon Brando. O verdadeiro artista é aquele que consegue compôr os mais diversos personagens sem deixar rastro do anterior e sempre sendo convincente, era o que dizia Brando.

No Brasil, o país conhecido pela qualidade de suas telenovelas, existem muitos atores e atrizes que torcem o nariz para o trabalho assim. A lista é intensa de nomes que preferem atuar no teatro ou no cinema, como é o caso de Selton Melo, Wagner Moura e até Fernanda Montenegro que nunca negou preferir o teatro e o cinema à TV.

A justificativa deles é de que novelas consomem um ano de dedicação que os impede de investir em outras áreas. Mas a realidade mostra que não é exatamente isso. Autores, diretores e produtores atuais estão um tanto quanto robóticos ao pensar em telenovela como um produto artístico, a grande parte enxerga apenas o lado comercial e de audiência, produzindo assim, obras "redondas", sem surpresas e que aproximam os personagens da realidade.

Com isso, fica fácil atuar. Basta notar que o mesmo ator ou atriz interpreta quase sempre os mesmos papéis, mudando apenas o nome do personagem. É o caso de Débora Secco com sua Natalie (Insensato Coração), personagem tão próxima de Darlene (Celebridade), ou também de Elizabeth Savalla, a Minerva de Morde e Assopra, personagem idêntica a Jezebel de Chocolate com Pimenta. Com um senso comum desse porte, torna-se impossível exigir que grandes nomes da dramaturgia nacional se sintam compelidos a aceitar papéis nas novelas.

É por conta disso que Cordel Encantado torna-se tão importante, senão fundamental, para dar novos ares e possibilidades também ao meio artístico nacional. A trama permite uma variedade grande de personagens que muitos atores e atrizes jamais puderam interpretar. Por conta disso nota-se um elenco com tantos destaques neste início de folhetim porque a composição de personagens como a bruxa má, o delegado maluco, o cangaceiro, a cinderela, o rei bondoso. São tantas as possibilidades que qualquer ator gostaria de participar de uma produção assim.

Em tempos em que a ousadia é substituída pelos olhos na audiência e, assim, vê-se a debandada geral de grandes nomes da teledramaturgia na arte de interpretar, Cordel Encantado não é apenas um alento, mas uma esperança para todos que apreciam a boa interpretação.

quinta-feira, 21 de abril de 2011

O que acontece com a Teledramaturgia no Brasil?

Senhora do Destino teve média geral de 50 pontos
Roque Santeiro chegou a ser assistida por 100% das pessoas que estavam com a TV ligada em seu último capítulo. A Rede Globo coleciona ao longo de sua história uma quantidade impressionante de sucessos de audiência. Apenas na última década, já com o novo método de medição aferido pelo Ibope, são sucessos como Senhora do Destino, América e Belíssima.

A Rede Record na mesma década viu sua produção de teledramaturgia crescer vertiginosamente, com produções que chegaram, em determinados momentos, a incomodar a Rede Globo nos horários menos prováveis, como Prova de Amor que chegou a roubar a liderança em alguns momentos contra o Jornal Nacional, um feito e tanto.

Se o SBT viu sua repercussão ir desaparecendo em teledramaturgia na última década, isso se deveu a sua falta de investimento na área, ao contrário dos anos 90, quando a emissora produziu ou levou ao ar grandes obras, como Pérola Negra, Éramos Seis, que conseguiram boas audiência. Mas foi na parceria com a Televisa seu maior momento com Maria do Bairro e A Usurpadora que brigaram pela liderança.

Ocorre que, atualmente, as 03 maiores emissoras do Brasil simplesmente não conseguem sucesso algum com as novelas. Na Globo, as novelas das 9 (antigamente das 8) não chegam nem perto da média de 40 pontos que a emissora espera, a última a conseguir isso foi A Favorita. O horário das 7 também sofre constantes problemas com um ou outro sucesso, como foi o caso de Caras e Bocas e Tititi. Já o horário das 6, apesar de estar mais equilibrados, também não consegue que todas as suas tramas fecha dentro da média exigida.

Na Record, Ribeirão do Tempo sai de cena com a média muito aquém dos 14 pontos exigidos pela emissora para o horário. Rebelde reabriu o segundo horário de novelas, mas está muito longe da meta e não parece demonstrar força para crescimento. E no SBT, Amor e Revolução que teve uma divulgação pesada, vem registrando apenas o 4º lugar de audiência com 05 pontos, metade da média que dela se espera.

Será que o telespectador não gosta mais de folhetins? Não acredito, principalmente pelo fato de que, quando surge uma boa novela de fato, ela consegue arrebatar boa audiência. Insensato Coração vê seus números subirem vertiginosamente quando a trama ganha em agilidade, Cordel Encantado já vem apresentando audiência com destaque em sua segunda semana.

Algo que precisa ser discutido é, não apenas a impressionante queda de audiência das telenovelas brasileiras nos últimos anos, mas o tamanho das produções. Raras são as tramas que ficam menos de 07 meses no ar e, com a vida moderna tão corrida, é inviável, senão impossível, acompanhar uma produção diária por tanto tempo. Talvez isso afugente o telespectador.

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Entrevista: Duca Rachid

O Brasil tem sido unânime e a repercussão da nova novela das 6 parece atingir proporções únicas em aprovação. Cordel Encantado estreou há uma semana e já conquistou o Brasil. Muito disso se deve ao talento de suas autoras, a dupla Duca Rachid e Tehlma Guedes. A dupla que começou como colaboradoras de outros autores globais e assinam folhetins juntas há alguns anos - já são três trabalhos: o remake de O Profeta, Cama de Gato e, a atual, Cordel Encantado - estão em evidência novamente devido a qualidade textual de sua obra, muito elogiada pela crítica.

E, mesmo diante de tamanha correria por conta da necessidade de escrever, Duca Rachid aceitou dedicar um espaço em sua apertada agenda para conversar com o TVxTV e falar um pouco sobre seu trabalho. A entrevista ocorreu via email em um excelente clima proporcionado pela autora que, mesmo em evidência, mostrou-se uma pessoa de extrema simpatia. Um prazer conversar com alguém assim que, além de tudo, aparenta ter muito conhecimento sobre o universo da teledramaturgia. Confira na íntegra a entrevista com Duca Rachid.


TVx TV: Antes de falarmos da nova novela, vamos falar um pouco sobre sua carreira. Você foi colaboradora por muitos anos. É fundamental que um novelista seja, antes de tudo, um colaborador?
DUCA RACHID: Acho que esse é o caminho mais natural. É colaborando que a gente aprende todo o processo de montar uma história com fôlego, escrever uma sinopse, planejar os capítulos, um a um, administrar uma equipe - não só os colaboradores, mas a relação com o diretor, com a produção, com os atores...  É muito difícil ser colaborador. Porque o colaborador é uma autor também. Mas tem que se despir de suas próprias pretensões autorais, para ficar  colado no "cabeça de equipe", viver a novela com ele, dar ideias boas e pertinentes, e escrever do jeito que ele precisa. Um bom colaborador vale ouro!  Ele trabalha nos bastidores para deixar o autor brilhar. Nós valorizamos muito nossas colaboradoras. Thereza Falcão, por exemplo, está comigo desde quando assumi a cabeça de equipe do Sítio do Picapau Amarelo, em 2007. Assim como o Júlio Fischer e o Alessandro Marson. Nossas novas e maravilhosas "aquisições" são a Manuela Dias e a Daisy Chaves. Autoras de grande talento! Sim, porque o colaborador é um autor também... Pode não estar à cabeça da equipe, mas é um autor. Tem um papel importante na equipe. Pelo menos na nossa. Nossos colaboradores dão ideias, criticam, intervêm bastante na novela.

TVxTV: Cordel Encantado tornou-se um fenômeno de repercussão muito antes da estréia devido ao tema ousado e de tudo que envolveu a produção, como a incrível fotografia. A pressão aumenta diante disso?
DUCA: A responsabilidade sempre é grande no horário nobre da emissora. O horário das seis é muito importante. É ele que estabelece o patamar de audiência, a partir do qual os outros produtos terão para alçar seus voos. A novela das seis tem a tarefa primeira de conquistar e atrair o público. Talvez por isso mesmo ela deva ser muito sedutora. Afinal,  tem que convidar o espectador para a brincadeira e para o sonho da ficção. Assim sendo, o que não pode faltar é essa atmosfera onírica, esse convite para sonhar, a partir de elementos míticos, da fábula, do conto de fadas. Mesmo quando a novela é realista, como no caso de Cama de Gato, tem que ter um pé no sonho.

TVxTV: Com uma semana no ar, muitos já consideram Cordel Encantado a melhor novela no ar atualmente. Qual a sensação ao saber disso?
DUCA: A gente torce e trabalha muito para  que Cordel seja uma novela inesquecível. 

TVxTV: Como você e Thelma Guedes dividem o processo de escrita?
DUCA: Nos encontramos diariamente, estruturamos os capítulos juntas, passamos para os colaboradores. Depois relemos, mexemos, passa tudo pelas duas. Construímos uma dinâmica criativa, que funciona maravilhosamente bem.

TVxTV: Não só o texto, mas toda a produção de Cordel Encantado vem sendo elogiada. Isso é um marco para as telenovelas, uma produção tão caprichada. Dá emoção ver seu texto indo ao ar em meio a uma produção tão bem feita?
DUCA: A gente sabia que a história seria bem realizada. Afinal, essa é uma marca do núcleo Ricardo Waddington e da direção geral da Amora Mautner. Mas  dessa vez, a direção, a produção de arte, a cenografia, o figurino se empenharam tanto, fizeram um trabalho tão maravilhoso, criativo e único... Eles nos surpreenderam. O resultado disso tudo no ar nos emocionou muito!

TVxTV: O blog considera você e Thelma Guedes as grandes revelações da teledramaturgia atual. Depois de João Emanuel Carneiro que já se tornou consagrado, vocês aparentemente, seguem o mesmo passo. A intenção é manter a parceria por muito tempo ou podemos esperar novelas somente de Duca Rachid?
DUCA: Obrigada  pela confiança e apoio de vocês.  Mas acho que não é o momento da gente pensar numa "separação". Temos uma longa jornada em dupla pela frente. E eu, particularmente, estou muito feliz com essa parceria. 

TVxTV: Duca Rachid e Thelma Guedes, depois vem uma novela de Lícia Ranzo, Vincent Villari e tantos outros novos autores surgindo. Você considera a nova safra de autores bons? A renovação no casting de autores da Globo é importante?
DUCA:  É gente tão talentosa! E me identifico muito com o trabalho deles. Somos de uma geração que cresceu vendo TV. Ou seja, fomos muito influenciados por esses grande autores que inventaram uma nova linguagem para  esse "novo" veículo, como o Walther Durst, a Janete Clair, o Dias Gomes, a Ivani Ribeiro, e tantos outros autores que vieram do rádio. A gente tem uma intimidade enorme com esse veículo! Eu, por exemplo, cresci no subúrbio, na zona leste de São Paulo. Não tinha acesso a teatro, a cinema. Minha janela para o mundo era a TV e a literatura. Só mais tarde comecei a ir com frequência ao cinema, ao teatro.  Acho que a gente é privilegiado nesse sentido: já termos um caminho a seguir. Uma linguagem já tinha sido construída quando chegamos à TV. E não dá pra abrir mão dela. Agora é andar pra frente, incorporando as  influências dos movimentos cinematográficos, teatrais, literários da nossa época; a influência de outras mídias, como os quadrinhos, as artes plásticas, a internet, sem deixar de olhar pra trás, para tudo o que já foi feito. Não consigo avaliar ainda o que TV ganha com isso. Com certeza, deve ganhar muito. O que eu sei é que em qualquer área, é preciso haver sempre uma renovação. É preciso estar sempre se reinventando. Estar antenado a sua época, e às mudanças do seu público.

TVxTV: Deixe uma mensagem para os telespectadores e nos diga o que esperar ainda de Cordel Encantado.
DUCA: Acredito que a novela contenha os principais elementos para agradar o público: é um convite ao sonho, uma história de amor impossível, tratada com emoção, humor e aventura. Tomara que os telespectadores concordem comigo e embarquem conosco nessa viagem.

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