terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Salve Jorge num capítulo memorável

Em primeiro lugar é preciso dizer que não cabe comparação. Antes que os eternos viúvos de Avenida Brasil apareçam para comparar o capítulo da virada de Salve Jorge com o mesmo de sua antecessora, é preciso lembrar alguns fatores preponderantes: cada autor tem seu estilo próprio e ele precisa ser respeitada, diretores enxergam a mesma cena e o mesmo formato de formas diferentes e, portanto, produzem por caminhos diferentes e cada ator e atriz capta o texto de sua própria forma, única e exclusiva. Ser diferente não é ser maior ou menor, quando se é competente e o trabalho bem feito dentro de seu estilo, isso basta. Ser melhor ou pior, varia de acordo com o gosto e de outros elementos.

Posto isso, é preciso reconhecer um capítulo bastante interessante que foi ao ar nesta segunda-feira, 21. A autora Glória Perez tinha uma difícil missão: agradar a todos. Alguns elementos externos deixaram a expectativa alta para este capítulo. Em primeiro lugar, o fato de que a morte da personagem Jéssica (Carolina Dieckmann) vem sendo noticiado pela mídia desde antes da estreia, portanto, deixou o público ansioso. E o fato de que, como a personagem seria assassinada pela máfia, a forma como a cena iria ao ar, deixou todos curiosos.

Como eu disse no parágrafo anterior, não cabe aqui qualquer espécie de comparativo, mas ficou muito nítida a estilística diferente de cada autor. No capítulo mais importante do folhetim até o momento, uma sequência forte de assassinato, a autora trilhou um caminho completamente oposto ao que se viu, por exemplo, em sua antecessora. O capítulo todo foi bastante leve tendo destaque para todos os núcleos solares e com grande pitada de humor. Este foi um escape para não deixar a tensão pairar por todo o capítulo, crescendo demais a expectativa em torno da fatídica morte. 

Assim como João Emanuel Carneiro mostrou-se mestre em produzir cenas de suspense e terror psicológico, com capítulos insanos, agora, Glória Perez apresentou uma forma menos revolucionária, mas também bastante competente. Ao aliviar a tensão com cenas dos núcleos coadjuvantes, sempre com bom humor, a autora manteve o telespectador leve para o momento em que a tensão foi toda jogada sobre ele, numa rotação de 180 graus e que provocou um estalo interessante. Um equilíbrio calculado e que deu grande resultado, com um capítulo impecável de ponta a ponta.

Além disso, o capítulo todo foi construído em torno da morte de Jéssica. As cenas da vítima, ao lado da protagonista Morena (Nanda Costa) foram muito bem espalhadas ao longo do capítulo, sem que ficasse enjoativo ou apressado demais. Tudo na dose correta. Graças a isso, o ápice da sequência pôde ser tão bem aproveitado.

A sequência em si foi surpreendente. Já sabia-se de algum tempo que Jéssica seria assassinada por Lívia com uma injeção letal. O método é que não se sabia e exatamente como elas ficariam frente a frente era a pergunta. Não poderia haver escolha melhor. Dentro do contexto realístico da trama, tudo fez sentido e foi muito bem amarrado. O caminho poderia ser outro e até mais lento, mas a autora acertou ao preparar o terreno e, na hora do crime, optar por um encontro casual no banheiro.

Aliás, a cena do assassinato teve uma direção inspirada. Ao invés de apostar em uma sequência insana com a câmera aberta, diálogos cortantes e ágeis e trilha sonora intensa. O diretor optou pelo caminho oposto. Com inúmeros takes e projeções em elementos menores, diálogo lento e uma trilha intimista, a cena caminhou de forma poética, implícita, desenhada. O som do pingo da torneira caindo ao fundo do diálogo, o take no sorriso de Lívia, e nos olhos de Jéssica, a câmera lenta na maior parte da cena e o corte seco para o momento do crime criou uma crescente expectativa e mostraram-se um grande acerto.

Além disso, é preciso parabenizar Cláudia Raia e Carolina Dieckmann. É possível criticar a atriz por sua vilã, principalmente por conta das poucas vilanias práticas que ela faz - mas isso vem mudando de algum tempo. Mas nesta cena em especial tornou-se impossível encontrar qualquer problema. A leveza da personagem, o sorriso intimidador, o medo no olhar, a atitude rápida e o riso maléfico de uma vencedora foram grandes momentos da atriz nesta novela. Carolina Dieckmann, vivendo seu melhor trabalho em anos, também não deixou por menos. O tom de voz e as expressões corporais da atriz deram o tom da cena e funcionaram quase como marcações para a direção. Um show da atriz que finalizou com chave de ouro um trabalho grandioso.

Ninguém é obrigado a gostar de Salve Jorge. Gosto pessoal não se discute, embora tecnicamente a novela venha numa crescente e, atrativa por diversos elementos, se tornou, disparada, a melhor novela da TV atualmente. Porém, é impossível colocar em discussão a qualidade do capítulo mais esperado. Toda sua construção foi planejada e executada com maestria. Roteiro, direção e elenco caminharam de mãos dadas e o resultado não poderia ser melhor: um presente e tanto para o público.

5 Quebraram tudo:

Rafael Barbosa dos Santos disse...

Assino em baixo de tudo o que disse no texto. Principalmente no primeiro parágrafo, em que diz que não cabe comparação com sua antecessora, tendo em que vista que os autores bebem água de fontes diferentes.
Eu adorei o capítulo, apesar de ter perdido seu início. Foi tudo muito bem planejado, e as situações caminhando de forma correta para seu clímax.
Também me surpreendi com a qualidade da cena da morte de Jéssica, porque sempre critiquei a direção da novela, mas naquela cena acertaram em cheio, foi a melhor de toda a trama. E Carolina Dieckmann encerrou com chave de ouro sua participação. Sobre Cláudia Raia embora suas deficiências na interpretação de Lívia também não fez feio. A gente critica tanto a atriz, mas se analisar bem, O personagem pede algo artificial e fake, porque Lívia precisa camuflar através de sorrisos, elegância e simpatia, sua verdadeira frieza. Nesta cena, Lívia foi o que ela é de verdade, uma pessoa fria e cruel.
Não caio de amores de Salve Jorge, mas o capítulo e a cena final são dignos de todos os aplausos.

Abraços.

Thallys Bruno disse...

Não é preciso ser fã de Avenida Brasil, Lado a Lado, Guerra dos Sexos ou qualquer outra novela pra demonstrar que não gosta de Salve Jorge. Definitivamente, considero esse o pior trabalho de Glória Perez e de longe a pior novela no ar.

Todas as situações me pareceram irreais. Como que a Morena vai dizer justamente pra chefe do tráfico que existe tráfico? E porquê não tentou dizer para a mãe, já que o boboca do Theo não deu importância pro assunto? Desconhecem até telefone!

Respeito, Daniel, mas contesto essa "qualidade" sem o menor problema porque vejo todas as razões do mundo para as justíssimas críticas que a novela vem recebendo.

Leonardo de Andrade disse...

Cara, quanto ao desempenho da Claudia Raia e da Carolina Dieckman, eu concordo totalmente com você. Agora eu não consigo engolir a seringa... Não consigo! Por qual motivo Lívia andaria com uma seringa armada dentro da bolsa, prontinha para matar alguém? De resto, concordo em tudo. As sequências prévias, até a última vez que Morena e Jéssica se viram. Fiquei intrigado com a ligação que fizeram entre Jéssica e as personagens da Fernanda Paes Leme e Flávia Alessandra, sobretudo com os olhares que as duas lançaram a Jéssica antes de sair. Mas a seringa... Não me convenceu.

Chrystian Wilson Pereira disse...

Estamos diante da melhor novela da Gloria Perez em anos. Nas duas últimas duas semanas, ganhamos cenas e capítulos impecáveis, de alta qualidade. Quando aconteceu a estreia, muitos, como eu, pensaram que ela iria repetir os erros das antecessoras ("América" e "Caminho das Índias"). Mas fica evidente, principalmente a partir desta virada que a novela está tendo, que, felizmente, estávamos errados. Salve Jorge vem tendo bons momentos! Espero que autora, direção e elenco mantenham o pique, pois a novela está somente próxima da metade.

Thallys Bruno disse...

Mas se tem uma coisa que reconheço é o bom trabalho apresentado pela Carolina Dieckmann naquele que considero ser o seu segundo melhor papel em toda a carreira. Uma entrega visível a ponto de conquistar a torcida do público até mais do que a protagonista. E o segundo maior acerto, atrás apenas da Giovanna Antonelli, mencionada em outro artigo. Agora a Cláudia Raia de vilã, sinto muito, mas não deu.

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