segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Giovana Antonelli em outro grande momento

Desde que ganhou notoriedade na TV como a garota de programa Capitu (Laços de Família), Giovana Antonelli foi conquistando o coração do telespectador. Ali, mesmo sem estar completamente madura em sua profissão, ficava claro que se tratava de uma profissional dedicada e disposta a aprender. Sua doação era visível, o que deixava o produto final quase sempre com qualidade.

Mais de uma década depois, a atriz não decepcionou e mostra-se experimentada, inteligente e, com papéis tão diferentes ao longo da carreira, versátil. Foram anos com papéis dos mais variados e Giovana sempre mostrou-se talentosa, detalhista na composição de suas personagens. Ainda que ela não seja o modelo de atriz que cria tipos inesquecíveis (como Tony Ramos faz com maestria), nem o modelo que interpreta com o olhar (Glória Pires é o modelo deste formato), ela criou seu estilo próprio, caminhando pelo naturalismo, mas não se furtando em gerar expressões próprias.

Em Salve Jorge ela dá mostras de que nunca esteve melhor. Ao aceitar um papel de coadjuvante - como há muito não ocorria - certamente a atriz se sentiu desafiada. Ainda que Helô seja uma personagem importante na trama, ela está longe de ser das principais, mas graças a uma composição intensa e, ao mesmo tempo, sutil, a delegada tornou-se das personagens mais carismáticas e, consequentemente, foi ganhando espaço ao longo da trama.

Antonelli poderia seguir diversos caminhos ao compôr Helô, muitos deles atalhos que levariam a uma interpretação cômoda e mais tranquila, porém sem grande impacto ou que poderiam ser vistos como caricatura. Uma delegada num ambiente que ainda é absolutamente machista já se tornou um clichê na dramaturgia, pois é recorrente no sentido de brigar por valores de igualdade. Mas esta não é a delegada de Salve Jorge. 

Giovana soube compreender que, mesmo sendo delegada, a personagem não tinha necessidade alguma de carregar um peso desnecessário para todas as cenas. Suas cenas fora da delegacia, em momentos de lazer ou em família apontam a leveza da personagem. O texto de Glória Perez apresenta isso, mas é a interpretação, os olhares, as expressões físicas que a atriz dá é que convencem o público. Aliás, a química entre ela e Alexandre Nero impressiona, por isso esse seja o casal mais querido da obra. 

Mas ela é inteligente. Ao dar leveza e jovialidade à personagem, Antonelli também não se furta da profundidade quando é necessário. Seu trabalho como delegada começou a deslanchar, agora que ela se vê investigando o tráfico de pessoas, e o trabalho da atriz continua impecável. A intensidade dessas cenas, a carga dramática exigida é grande, mas ela tem dado conta do recado e entregado cenas de uma qualidade invejável.

Em uma novela cuja protagonista é um rosto um tanto quanto desconhecido, mas que carrega em seu casting nomes como Cláudia Raia, ter na coadjuvante de Giovana Antonelli como a melhor atuação poderia ser surpreendente, não fosse o fato de que a atriz já se provou antes. Espera-se que, com mais um trabalho tão bem construído por ela, a personagem ganhe ainda mais espaço, pois há ainda a discussão sobre sua doença - a necessidade por comprar tudo, mesmo não sendo necessário - que não foi tratada com a profundidade que pede. Enquanto isso, aproveitemos as excelentes cenas protagonizadas pela atriz que, até agora, roubou a novela para ela.

2 Quebraram tudo:

Leonardo de Andrade disse...

Não vou me estender muito, porque não acompanho muito Salve Jorge. Mas já vi o suficiente pra comprovar o que você disse. Concordo com a sua opinião. Giovanna Antonelli tem feito bons trabalhos desde Capitu, e foi com Bárbara (Da Cor do Pecado) que eu comecei a prestar atenção à forma como ela compõe os personagens; e é bem isso, mesmo: naturalidade. Giovanna sabe como passar tudo de uma maneira bastante verossímil, sem que pareça uma composição rasa. Ela literalmente veste o personagem e sai por aí agindo como ele. Gosto muito do trabalho dela.

Em Salve Jorge, o personagem dela tem um espaço menor do que ~eu~ gostaria. Pensei que assistiria Heloísa desempenhando o papel daqueles investigadores de livros policiais, sabe? Que sai achando pistas, e fica maluco com tanta coisa escondida e arquitetada pelos vilões. E que no final desvenda tudo e sai de cena deixando centenas de leitores apaixonados pelo seu desempenho e inteligência. Uma mulher linda e charmosa como ela, num papel desse, levaria meu coração no bolso. haha

Thallys Bruno disse...

Pra não dizer que eu sou chato (rsrsrs), nesse texto eu concordo em tudo. Giovanna Antonelli vive seu melhor momento desde a épica Bárbara de DCDP. Sua personagem cresceu merecidamente e, embora eu ache Alexandre Nero mais do mesmo desde Escrito nas Estrelas, é visível a química entre os dois. Ela transborda carisma, beleza e naturalidade na pele da delegata Heloísa.

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