segunda-feira, 8 de abril de 2013

Flor do Caribe não consegue atingir seu potencial máximo

Passados tantos capítulos desde a estreia, fica muito mais fácil analisar uma trama. É o caso do ainda novo folhetim do horário das 18 Horas da Rede Globo, Flor do Caribe. A novela que chegou para recuperar os índices de audiência perdidos por Amor Eterno Amor e jogados ao chão por Lado a Lado e que tem como autor o experiente Walter Negrão.

Num resumo simplório do que tem sido a novela, o que se pode afirmar sem medo de errar é que a trama tem um incrível potencial - como há muito não se via numa obra do autor, diga-se - porém, também é preciso afirmar que ela não consegue atingir seu potencial máximo e isso não se dá pelo fato de estar no início, mas por elementos que vão além da capacidade do autor e da própria produção, por algumas escolhas equivocadas e que atrapalham o bom andamento da obra.

O roteiro é muito interessante a apresenta um autor realmente inspirado e pronto para fazer um trabalho marcante. Negrão é experiente, tem um bom currículo e sabe os caminhos para conquistar o sucesso. Mesmo tendo escrito tramas arrastadas nos últimos tempos como a morna Araguaia, ele é dono de sucessos incontestáveis, como Tropicaliente. Mas pode-se dizer que ele acerta em 90% do roteiro, o problema são os outros 10%. Algumas histórias são extremamente frágeis, como a do personagem Hélio (Raphael Viana), uma trama que poderia ser densa, mas que é tratada de forma muito supérflua. A trama dos três pilotos da aeronáutica, Amadeu, Ciro e Rodrigo envolvidos de forma, digamos, platônica, com Isabel, é das coisas mais constrangedoras dos últimos tempos. Dois núcleos que nem parecem escritas pelo mesmo autor.

A potencialidade de Flor do Caribe não é atingida no seu ápice não apenas pelos deslizes de um roteiro que parece tão bem amarrado nuns momentos e tão solto em outros. Na trama central - ponto alto do roteiro - também há problemas. Embora a história seja um grande acerto e o desenvolvimento venha ocorrendo de forma orgânica e bastante interessante, o elenco tem sido o ponto fraco e que atrapalha efetivamente a credibilidade do produto. 

Henri Castelli tem se mostrado bastante esforçado na tentativa de transmitir veracidade a este seu trabalho, mas simplesmente não consegue. Cassiano é um personagem complexo e que exige um ator com mais recursos que ele, ainda que seja elogiável seu esforço. Igor Rickli é outro esforçado. Além de demonstrar potencial para ser um bom ator, mas foi um risco a escolha de um ator inexperiente para um papel vital como o de vilão que movimenta a trama. Igor não tem recursos suficientes para garantir todas as facetas de sua personagem e acaba impedindo que ocorra grandes cenas. Já Grazi Massafera que sempre se mostrou talentosa e dona de boas composições, dessa vez errou a mão. Sua Ester que deveria ser uma mulher forte e ao mesmo tempo doce, transmite a força quando as sequências exigem, mas quando precisa ser doce, ela infantiliza a personagem em um ponto que incomoda. Além disso, Grazi está com uma dicção ruim e um tom de voz bastante equivocado que atrapalha bastante.

A grata presença de nomes consagrados como Sérgio Mamberti e Juca de Oliveira é o ponto forte da trama. Aliás, a história que gira em torno do personagem de Juca é a mais interessante e poderia ser mais aproveitada, pois pode render muito.

Contudo, o grande acerto da novela até o momento é a direção. Jayme Monjardim se acomete de um novo acerto no tom da direção - depois de ter mostrado um incrível trabalho em A Vida da Gente - e mostra-se capaz de inserir um tom interessante para um roteiro que apresentava vários caminhos e muitas propostas. Nas mãos de um diretor menos pragmático, talvez Flor do Caribe não apresentasse um ritmo tão interessante.

Em números de audiência, Flor do Caribe vem apresentando crescimento e já mostra sinais de recolocar os horários nos eixos. Ainda é cedo para afirmar que a novela conseguiu conquistar o público e que vá se tornar um sucesso, mas o crescimento parece promissor.

2 Quebraram tudo:

Bianca disse...

a parte boa de Flor do Caribe não é original. A história é uma imitação do Conde de Monte Cristo e ninguém fala a respeito...

Leonardo de Andrade disse...

Bianca, eu não diria uma imitação, mas uma inspiração. Se fosse imitação, o companheiro de cela do Cassiano não teria saído vivo. Ou Cassiano teria saído em busca de um tesouro e voltaria para casa muito rico. Mas a referência é mesmo gritante, e eu achei muito legal.

E, pra mim, a parte boa é quando aparece o pai de Ester, e falam do nazismo. Estou adorando o Juca de Oliveira nessa novela.

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