sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Avenida Brasil e a pergunta que perturba o país

Faltando exatamente uma semana para o fim de Avenida Brasil, novela das 21 Horas da Rede Globo, o público se depara com uma reta final que impressiona pela qualidade, pelo ritmo frenético e pela série de acontecimentos fortes, marca registrada do autor João Emanuel Carneiro (A Favorita). Agora, com 07 capítulos restantes para que a novela saia de cena, o público tem uma pergunta que paira sobre todos que assistem o folhetim.

João Emanuel Carneiro é um autor que sabe fazer reta final. Foi assim com Da Cor do Pecado que, mesmo no horário das 19 Horas, teve um final frenético. Foi assim com Cobras e Lagartos que também criou uma pergunta que parou o país, além de uma série de acontecimentos hilários. Foi assim com A Favorita e os inúmeros confrontos entre Flora e Donatela que as 3 semanas finais reservaram. Não seria diferente agora e o roteirista não nos decepcionou.

Desde a semana passada quando começou oficialmente a reta final, Avenida Brasil vem surpreendendo pela quantidade de acontecimentos fortes, carregados de carga dramática e também de inúmeras viradas. Em duas semanas só no núcleo principal já vimos Nina ser maltratada por todos da família Tufão, vimos Max chantagear Carminha. Vimos Tufão expulsar Max da mansão. Vimos Carminha tentando matar Max afundando o barco do amante. Vimos Max sendo salvo por Lucinda. Vimos Max desmascarando Carminha. Vimos Carminha sendo humilhada, mas dizendo verdades para a família Tufão. É tanta coisa que daria para preencher uma novela inteira.

O autor não tem medo, não se esconde por trás de seu próprio roteiro. Nessa semana, por exemplo, ele deu um ponto final à novela na segunda e na terça. Terça-feira tivemos Carminha humilhada sem ter para onde ir, Max no lixão e Nina entrando triunfante na mansão para ver a família pedindo perdão. Cenas de último capítulo. Mas na quarta-feira, o autor começou a destruir tudo isso e começar do zero com a sequência aterrorizante que terminou na quinta-feira, com a morte de Max.

A sequência toda no Lixão, começando com Max, Carminha, Lucinda e Nilo e terminando com praticamente todo o núcleo protagonista da história, foi de uma coragem impar de um autor que mostra que não está para brincadeira, mas quer fazer história. O trabalho da direção impressionou, principalmente no capítulo de quinta e na sequência da morte de Max, cena digna dos melhores filmes do Cinema Mundial.

A morte de Max levanta a questão: quem matou o vilão? Mas essa não é a pergunta que perturba o país. Com 172 capítulos exibidos, a questão que assombra todos os 80 milhões de brasileiros que vem acompanhando diariamente este fenômeno de audiência e repercussão chamada Avenida Brasil é: o que será de nós a partir do dia 19 por volta das 23 horas? Como viver sem Avenida Brasil?

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Balacobaco é remake de Kubanakan

Estreou na última quinta-feira, 04, a nova novela da Rede Record. Com assinatura de Gisele Joras (Bela, a Feia), a nova trama chegou ao ar com muita responsabilidade. Na pior crise recente da emissora, todas as fichas foram apostadas em Balacobaco na tentativa de recuperar parte da audiência perdida durante a catastrófica exibição de sua antecessora, Máscaras.

Se é difícil julgar uma obra pelo primeiro capítulo, fazer qualquer parecer neste caso se torna praticamente inviável. Uma série de fatores está em jogo e é impossível dizer se a novela irá recuperar a audiência perdida, pois isso também passa pela perda de audiência que a emissora vem sofrendo em toda a sua grade de programação. Mais do que isso, não é possível fazer qualquer prognóstico simplesmente porque a estreia não indicou absolutamente nada.

A grande aposta do mote de Balacobaco é um tiro no escuro. Não é a primeira vez que a teledramaturgia da Record segue este caminho em dar um giro na sua estrutura estilística. Com Ribeirão do Tempo o autor Marcílio Moraes tentou reviver o modelo de folhetins do horário das 18 Horas em meados dos anos 80 e o resultado não agradou, a novela passou quase despercebida pelo grande público.

O tiro do momento é focar-se no horário das 19 Horas. Não no que ele apresentou de melhor, como Cheias de Charme ou Cobras e Lagartos, mas em fenômenos de audiência que conquistava números de forma fácil. Balacobaco é a Kubanakan da Record e por isso o título deste texto brinca com o assunto. Até o título da novela - sem nenhum sentido - cumpriu este objetivo. O risco é grande, mas pode dar certo, desde que o público que assiste novelas às 19 Horas esteja disposto a assisti-la quase 11 da noite.

Nesta estreia ficou claro que o objetivo da novela é apresentar diálogos leves, divertidos e situações cômicas canastronas. Não há qualquer compromisso com a seriedade ou a profundidade e nem se quer ter. O estilo dos diálogos é direto e prático, um dos pontos altos do primeiro capítulo, inclusive. O problema diante disso, infelizmente, é o frágil elenco que o folhetim apresentou. A maioria das cenas deu-se a impressão que o elenco participava de um jogral sem vida em que o texto era quase cantado, sem transmitir nenhuma verdade. Exceção a Solange Couto que já arrasou desde o primeiro segundo que apareceu. Mas é preciso que se frise, o texto estava muito bom.

Mesmo que o diálogo tenha sido o ponto alto da história, Gisele Joras deixou claro neste primeiro momento. É provável que Balacobaco nem tenha sinopse pelo simples fato de que não há uma história. Não existe mote, não existiu apresentação de personagens, tudo foi jogado na tela como se já existisse há muito tempo, simplesmente porque não se quer contar uma história, o objetivo é apenas divertir. Cada cena da novela é quase uma esquete de humor, exatamente como algumas novelas do horário das 19 Horas e que fizeram muito sucesso.

A direção do folhetim teve altos e baixos, num primeiro momento acertou o tom com as cores, a cenografia e o figurino, mas errou a mão nos efeitos especiais e na direção das cenas, não contribuindo para que o elenco se aprofundasse. Os equívocos de interpretação de Juliana Silveira em quase todas as cenas foram desmérito de quem dirigiu as cenas que optou por um tom equivocado - a atriz também não compôs uma personagem forte o suficiente para protagonizar uma novela.

Se vai fazer sucesso só o tempo dirá, o fato é que a aposta de Balacobaco é conquistar audiência pelo humor, sem contar história alguma. Pode ser que a trama recupere a audiência perdida, mas jamais irá conseguir repercutir, pois não há como o público passar horas conversando sobre a trama, justamente porque não existe trama, existe um amontoado de personagens tentando fazer o público rir. Há quem goste.

terça-feira, 2 de outubro de 2012

Guerra dos Sexos deixa boa expectativa

Aconteceu na noite da última segunda-feira, 01, a estreia da nova novela das 19 Horas. Com o objetivo de tentar manter o sucesso de audiência e repercussão de sua antecessora Cheias de Charme, Guerra dos Sexos traz a assinatura de um dos grandes mestres da teledramaturgia e que já foi considerado o rei do horário, Sílvio de Abreu. A releitura do grande sucesso dos anos 80 estreou recheada de expectativas, tanto pela curiosidade como o tema seria tratado em pleno século XXI, com a mulher em outra posição, com relação a exibição do folhetim há quase 30 anos, e também com a receptividade do público, órfão da novela anterior.

A tirar pela estreia, as expectativas são as melhores possíveis. Apesar de um ou outro equívoco, a estreia foi acertada e cumpriu o papel que um primeiro capítulo propõe: apresentar de forma sólida o núcleo principal e os principais eixos que norteiam a história. E Sílvio de Abreu quis deixar claro desde a primeira cena qual seria o caminho de sua obra: o humor escrachado, pastelão, estilo que fez muito sucesso na década de 80 e que, nos últimos anos vinha sendo utilizado apenas pelo autor Walcyr Carrasco.

As críticas ao estilo de Walcyr são grandes - mesmo por este espaço - mas é preciso se levar em conta que o humor pastelão não é necessariamente ruim, desde que solidificado por um texto coerente e que construa uma história envolvente. Sílvio de Abreu, mestre nisso, já mostrou-se afiado nesta estreia com um delicioso texto, cheio de referências e citações, além de conseguir narrar um paralelo entre as duas versões da novela que impressionou.

Apesar disso, fica registrado como baixa a tentativa de expor as diferenças e rivalidade entre homens e mulheres. É evidente que este é o tema da obra e não poderia ser ignorado, mas com todos os núcleos falando disso praticamente o tempo todo, a discussão acabou sendo diminuída, pois tudo soou falso e muito exagerado. Ainda assim, acertando o tom desta proposta, é possível que esta discussão seja revista no país todo, de acordo com o sucesso da novela.

O elenco foi um acerto em cheio e nem poderia deixar de ser. Com os anos de bagagem, o autor conseguiu reunir um elenco digno de novela das 21 Horas e todos parecem ter abraçado a causa. Tony Ramos e Irene Ravache, mesmo não tendo suas histórias desenvolvidas neste primeiro capítulo, mostraram que conseguirão sair da sombra de Fernanda Montenegro e Paulo Autran. Mariana Ximenes e Drica Moraes também apareceram pouco, mas mostraram o impacto de duas grandes atrizes com boas personagens nas mãos. Reynaldo Giannecchini, em seu primeiro trabalho pós doença, deixou uma pulga atrás da orelha. Com uma composição que lembrou muito a de Pascoal, seu personagem em Belíssima, o ator incomodou em alguns momentos e fica a torcida para ele encontrar o tom, assim como Edson Celulari que enfeitou tanto seu personagem que deu um ar diferente do que precisava. Glória Pires, 200 tons acima, em uma interpretação selvagem, teatral e cheia de furor foi o grande destaque desta estreia. A atriz se despiu de tudo que já fez na TV e mergulhou de cabeça nesta obra, de longe já foi a melhor e tomou conta do folhetim.

O destaque negativo de uma estreia que contou até com uma abertura simpática - apesar da animação lembrar o tempo todo alguns elementos do infantil Castelo Rá-Tim-bum - foi a direção. Jorge Fernando coloriu tanto o primeiro capítulo que, ao invés de dirigir, causou enjoo. O diretor que acertou tanto a mão em Tititi justamente por saber dosar o exagero com a simpatia das cores, não teve a mesma felicidade neste primeiro capítulo.

Embora tenha tido um ou outro equívoco, é inegável que a estreia de Guerra dos Sexos foi acertada e deixou boas expectativas. É seguro dizer, inclusive, que superou a estreia de sua antecessora que havia apresentado um elenco inseguro e completamente fora do tom. Se crescer tal qual Cheias de Charme fez, vem coisa boa por aí.

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Cheias de Charme sai de cena como um marco na Teledramaturgia

Chega ao fim nesta sexta-feira, 28, a novela que mostrou a todos - críticos, público e emissoras - que ainda é possível ir contra a maré de share baixo e audiência em queda que assombra a TV aberta nos últimos anos. Com a assinatura dos novatos Filipe Miguez e Izabel de Oliveira, Cheias de Charme sai de cena não apenas para ser lembrada como uma boa obra, mas para tornar-se um marco na história da teledramaturgia nacional.

Uma crítica é pouco para expressar tudo que o folhetim das 19 Horas representou para as telenovelas do país, mas vamos tentar resumir. O primeiro ponto alto trata-se, obviamente, da renovação de autores que a Rede Globo necessitava há tempos. Sempre com os mesmos novelistas por décadas, a emissora vislumbro a necessidade de renovação por conta da idade avançada de seus profissionais e, claro, porque com os mesmos roteiristas, havia sempre a repetição de estilo. E Filipe Miguez e Izabel de Oliveira não decepcionaram, logo em seu primeiro trabalho a dupla mostrou do que é capaz.

Um segundo ponto de análise e vital para lembrança futura foi a coragem do roteiro e a capacidade de produção que coloca Cheias de Charme como a primeira trama da TV brasileira a usar todos os benefícios que a interatividade entre TV, público e Internet poderia proporcionar. A ideia de vazar o clipe Vida de Empreguete na internet antes de levá-lo ao ar num capítulo foi muito boa e executada com cuidado e de forma correta. A internet, aliás, sempre serviu como braço da obra e conseguiu ser muito bem aceita pelo telespectador, pois transmitiu verossimilhança necessária para que, quem assiste em casa, comprasse a ideia.

O tema desta novela já era inovador. Transformar três empregadas domésticas em protagonistas de novela foi muito corajoso, pois isso ainda é tabu na TV brasileiras. Mais coragem ainda foi produzir uma trama musical num horário delicado. O horário das 19 Horas sofre com fracassos retumbantes - o mais recente foi Tempos Modernos - que tentaram inovar a linguagem ou o jeito de se produzir. Os próprios autores consideram este o pior horário, pois ninguém sabe ao certo o tipo de público que está diante da TV. Mas a dupla de autores mostraram que a receita do sucesso é simples: uma trama interessante, popular e de qualidade sempre vai atrair o público.

Mais do que moderna, mais do que ousada, Cheias de Charme foi uma ótima produção. O maior acerto da emissora no horário das 19 Horas neste milênio. A repercussão que a novela conquistou longe da TV foi algo sem precedentes, com as músicas das personagens ultrapassando a barreira da ficção e ganhando vida em festas, baladas e afins, além da trama tornar-se assunto constante em rodas de discussão. É muito difícil mensurar o tamanho do sucesso do folhetim no país todo, pois a repercussão foi sem precedente, mas o sucesso dos números é a comprovação de que o público brasileiro abraçou a história das empreguetes (a novela sai do ar com incríveis 34 pontos de média no PNT, maior audiência desde Cobras e Lagartos, quando a contagem era diferente).

O que falar do roteiro? Excepcional. Uma novela razoavelmente curta que permitiu com que os autores brincassem e divertissem o público com histórias interessantes, rápidas e muito bem construídas, sem deixar barriga. A direção acertada pelas mãos de Denise Saraceni também contribuiu e muito para o sucesso, pois ela soube enxergar as cores e os tons corretos que o texto pedia. Um elenco praticamente impecável que soube como poucos interpretar e dar vida às personagens criadas. Destaque para Cláudia Abreu e Taís Araújo que desempenharam os melhores papéis de suas carreiras.

É indiscutível que Cheias de Charme foi um sucesso retumbante - a trama fecha com 30 pontos de média em SP, sofrendo uma pequena queda por conta da mudança de horário no período de Horário Eleitoral - a discussão, talvez, seja outra. Novelas com menor repercussão e menor sucesso - Caras e Bocas é o exemplo mais recente - foram esticadas pela emissora que viram a possibilidade de manter uma audiência estável no horário e está claro que as Empreguetes poderiam ficar mais tempo no ar. Os motivos que levaram a Rede Globo a decidir não esticar Cheias de Charme é um mistério e, certamente, motivo de tristeza para os fãs de teledramaturgia. A novela vai deixar saudades. E muita.

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

The Voice Brasil acerta e faz bela estreia

Depois de muitos anos sem se aventurar pelo terreno dos Realities musicais - após a exibição discreta do Fama - a Rede Globo voltou a apostar neste tipo de filão que arrebata milhões de fãs nos EUA e ao redor do mundo com a estreia da versão brasileira do mais recente sucesso neste formato: The Voice.

Os fãs do Reality americano estavam ansiosos e ao mesmo tempo temerosos com a estreia, uma vez que a experiência com as adaptações brasileiras do formato não tem sido das mais felizes - American Idol viu seu formato destruído pela Rede Record com a exibição do Ídolos. Porém, bastou a apresentação dos técnicos e a abertura para ficar claro que a Globo investia alto na produção e a ideia era levar ao ar um programa de altíssima qualidade, quando comparado a outros do mesmo estilo no país.

Ao contrário da concorrência, a direção do programa, sob os cuidados de Boninho, investiu exclusivamente nos candidatos de qualidade, eliminando as bizarrices que o brasileiro está acostumado a ver em Realities. É bem verdade que o formato do The Voice é assim em praticamente todos os lugares, portanto, não chegou a ser uma grande surpresa esta decisão, porém, como a TV brasileira sempre investe no diferente e estranho, havia expectativas sobre essa decisão.

O alto nível dos concorrentes foi o que chamou a atenção num primeiro momento. A pré-seleção certamente foi bastante rígida, pois apenas candidatos de muita qualidade subiram ao palco do programa para se apresentarem para os técnicos. Isso é uma demonstração clara de que a disputa será acirrada e de que, ao menos musicalmente, pode-se esperar um grande programa.

A edição também merece elogios. Com cortes de câmera interessantes e sem tempo para muito rodeio, o telespectador teve a chance de ver um programa leve e muito ágil, graças ao trabalho dos editores que separaram um ótimo material para levar ao ar. Com direção firme e edição de qualidade, ficou claro que, tecnicamente, a estreia foi bem acima do esperado.

O cenário foi um dos poucos senões desta estreia. Tímido e muito pequeno, acabou dando a impressão que todos - técnicos, concorrentes e públicos - estavam encolhidos para caber naquele espaço que acabava por se parecer com um cubículo. Por conta do espaço, provavelmente, a presença do público acabou sendo bastante discreta e incomodou em alguns momentos, pois não parecia uma apresentação ao vivo com presença de plateia.

Os técnicos, por sua vez, chamaram a atenção por tentar demonstrar tranquilidade e estarem à vontade no formato. Lulu Santos e Carlinhos Brown se esforçaram para demonstrar técnica na avaliação dos candidatos  e conseguiram apresentar muito conhecido, porém, em alguns momentos, as análises ficaram modorrentas. Daniel, num esforço hercúleo para ser leve e divertido, acabou fazendo piadas sem graça e se tornando o jurado mais deslocado. O grande destaque, contudo, foi Cláudia Leitte. Extremamente à vontade, a cantora fez caras e bocas durante as apresentações e comentários hilários, além de praticamente implorar para candidatos fazerem parte de seu time.

O grande equívoco dos técnicos, talvez, tenham sido os comentários dos reprovados - e também dos aprovados. A preocupação em elogiar todos para que ninguém desanimasse incomodou bastante, pois faltou o tom ácido que este tipo de formato tanto agrada. Talvez por ser a estreia ninguém se sentiu seguro para fazer críticas mais duras, esperemos os próximos programas.

Tiago Leifert enquanto apresentador surpreendeu bastante. Ao mostrar que fez o dever de casa, o jornalista optou por um caminho discreto, bem diferente do que o telespectador se acostumou a ver quando ele apresentava o Globo Esporte e o Central da Copa. Com poucas falas, entrevistas rápidas e perguntas diretas, ele não teve grande destaque, mas soube tornar-se praticamente invisível, deixando com que os candidatos e os técnicos brilhassem. Difícil dizer se o caminho da discrição seja o melhor para ele, num primeiro momento surtiu efeito, mas é preciso aguardar as outras fases.

A estreia do The Voice Brasil surpreendeu pela qualidade técnica e, mesmo apresentando alto nível de seus concorrentes, serviu para divertir em muitos momentos. A Globo acertou em cheio nesta estreia e a expectativa agora é que a produção mantenha a qualidade e vá deixando todos os envolvidos cada vez mais à vontade nos próximos programas.

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

A diferença do real e do verossímil

A minha intenção era não falar sob nenhuma circunstância com referência às críticas que Avenida Brasil vem sofrendo nos últimos dias. Para algumas pessoas, a trama do horário das 21 Horas, em sua penúltima grande virada - ocorrida nesta semana - sofreu com um grande furo. O fato de Nina (Débora Falabella) ter apenas cópias impressas das fotos comprometedoras contra Carminha (Adriana Esteves) e não tê-las de forma digitalizada está gerando grande polêmica entre os críticos e o próprio público nas redes sociais.

A decisão em falar do assunto, contudo, veio ao perceber que tanto telespectadores quanto críticos para esquecerem-se que um dos alicerces de uma obra de dramaturgia não é sentar-se sob o que é real, mas sob o que é verossímil. A diferença fundamental entre ambos é que o real é aquilo que estamos acostumados no nosso cotidiano e o verossímil é a realidade dentro do contexto da história e não no contexto "do mundo real".

Evidente que Nina foi ingênua. Evidente que o correto seria ela ter muito mais do que apenas 04 cópias destas fotos. Mas é preciso compreender a mente humana da personagem para tentar fazer quaisquer tipos de críticas do ponto de vista do roteiro da obra. Veja que Nina, ainda enquanto Rita (Mel Maia) viveu de rompantes. Fazia tudo para desafiar a madrasta no primeiro capítulo da novela e de forma proposital. Assim que soube que o pai seria enganado, não pensou duas vezes e correu pelas ruas do bairro para localizar Genésio (Tony Ramos) e salvá-lo do golpe que a esposa e o amante Max (Marcelo Novais) planejavam.

Ao perder o pai e ser jogada no lixão, a menina continuou em rompantes. Tentou avisar Tufão (Murilo Benício) que ele seria vítima de Carminha, indo até o estádio novamente sozinha. Adotada por argentinos, a menina continuou obsessiva em seu desejo de justiça e vingança. Nina voltou para o Brasil para se vingar de Carminha, mas não planejou o que faria, não arquitetou, não pensou em nada. Apenas se infiltrou na mansão e começou um estranho relacionamento de amor e ódio com a ex-madrasta.

Veja que a personagem é de rompantes. Decidiu e faz. Foi exatamente isso. Ao ser dona das fotos, Nina jamais teve a intenção de mostrá-las para Tufão, primeiro porque queria mesmo era se divertir às custas do sofrimento da rival. em seguida, porque se envolveu demais com a família e não queria que ninguém sofresse. Uma pessoa de rompantes jamais se preocuparia com cada detalhe de um plano. Para ela, era simples: como Carminha descobriria que as fotos estavam com Betânia? Porque eram amigas, mas daí a recuperar, outra história. Como Carminha descobriria que as fotos estavam com Begônia? Porque eram irmãs, mas como chegar até a irmã argentina de Nina? Como Carminha descobriria que as fotos estavam com Débora se ambas se detestavam? Ainda assim, havia uma outra cópia, num cofre de banco. Impossível que Carminha recuperasse todas as cópias.

Não havia necessidade, na cabeça da personagem, em colocar fotos digitalizadas, que, aliás, seria um perigo, visto que poderia cair na Rede, como já vimos em casos reais. Nina não abandonou a tecnologia, ela apenas moveu-se pelo rompante e não se precaveu por todos os lados. Não foi a primeira vez que a personagem fez isso, faz parte do jeito dela. 

Os acontecimentos da virada, portanto, foram extremamente verossímeis porque, dentro do contexto de Avenida Brasil, a personagem nunca se preocupou em manter o senso lógico ao tomar uma decisão para se vingar da rival. O autor João Emanuel Carneiro seguiu a coerência baseando-se na personalidade criada para sua mocinha. Simples assim.

terça-feira, 18 de setembro de 2012

4º Troféu TVxTV - Começa a Votação

Conforme divulgamos na semana passada, chegou o momento de se iniciar a votação popular para eleger os melhores do ano na TV brasileira por este espaço. É o 4º ano consecutivo que o TVxTV realiza esta premiação e a participação dos leitores tem aumentado ano após ano e, por conta disso, nos sentimos na obrigação de mais uma vez realizar o Troféu.

Como já explicamos, este ano mudamos um pouco o formato e, neste momento, iremos votar apenas na parte de Dramaturgia, deixando o Entretenimento/Notícias para os próximos meses. Os leitores terão até a primeira semana de Outubro para votar quantas vezes quiser e escolher seus prediletos entre os indicados, o resultado sai em seguida. 

Ainda haverá a votação do Júri Técnico, em que o TVxTV já está escolhendo as pessoas que irão compor este júri e votar na escolha dos melhores, o resultado sai no dia seguinte à divulgação do resultado do voto popular.

Twitter Facebook Adicionar aos Favoritos Mais

 
Tecnologia do Blogger | por João Pedro Ferreira