Como se sabe, eu não sou dos fãs mais entusiastas da atual novela das 18 Horas. Já falei repetida vezes dos diversos problemas que atrapalham a audiência de Lado e Lado e também acaba por ser uma produção toda equivocada. Porém, é de se mencionar a qualidade de elenco que conseguiu se reunir para trabalhar numa obra assim. É possível destacar diversos nomes - como Marjorie Estiano, Patrícia Pilar, Camila Pitanga, Thiago Fragoso e Lázaro Ramos - o cast da obra é, num geral, bom. Entre os nomes de peso aparece uma exceção: Alessandra Negrini.
A atriz é experiente e dona de um talento indiscutível. Sua última participação fixa numa novela havia sido em Paraíso Tropical quando ela assumiu a vaga de protagonista e vilã interpretando as gêmeas Paula e Taís, em substituindo Cláudia Abreu que já havia sido escalada para o papel, mas declinou por conta de uma gravidez. Já na trama de Gilberto Braga e Ricardo Linhares a atriz não conseguiu o desempenho esperado, recebendo alguns elogios ao interpretar a vilã, mas sendo criticada pela mocinha.
Agora, cinco anos depois, Negrini retornou com uma personagem fixa em nova vilã - repetindo o que Patrícia Pilar fez, ao interpretar duas vilãs seguidas com Flora e Constância - e a composição de sua Catarina vem deixando bastante a desejar, destoando da qualidade do restante do elenco, principalmente se a comparação for em relação aos nomes de peso do folhetim.
Seria um equívoco colocar em pauta a capacidade de composição da atriz. Experiente, ela já se provou como grande profissional e não necessita passar pelo crivo de ninguém. Tem em seu currículo excelentes trabalhos como em A Muralha, JK e Desejos de Mulher com personagens que falam por si só. Mas é fato inegável que, em Lado a Lado, ela errou a mão.
Catarina não é necessariamente uma personagem simples de ser interpretada. É uma vilã, mas está longe de ser a principal força do mal que movimenta a trama. A personagem entrou no folhetim com a exclusiva função de criar conflito no casal de protagonista Edgar (Thiago Fragoso) e Laura (Marjorie Estiano). Dissimulada, Catarina precisa se mostrar uma mulher de atrativos, boa mãe e com ótima índole, pois quer reconquistar Edgar, todavia, mostra seu lado verdadeiro quando ele não está próximo.
Alguns tons acima do que necessita, Negrini fez da personagem uma caricatura duma vilã clássica. Enquanto Constância se mostra uma mulher sem escrúpulos, mas inteiramente real, graças ao ótimo trabalho de Patrícia Pilar, Catarina não transmite nenhuma verdade. Ao contrário, suas ameaças, seus olhares maquiavélicos e suas juras de vingança contra Laura acabam soando muito mais como fonte de comédia do que propriamente ato de vilania.
É bem verdade que o texto não ajuda, mas o texto é complicado para o restante do elenco que tem feito um trabalho muito bom. Ocorre que Alessandra Negrini decidiu conduzir sua personagem de forma teatral - talvez pensando numa metáfora pelo fato de Catarina ser uma artista - e acabou ficando completamente fora de sintonia com o que se vê dos outros personagens. Desde a empostação vocal até a expressão facial, tudo é exagerado demais.
A impressão que se dá a cada momento em que Catarina entra em cena é que Alessandra Negrini não confia na didática do texto. Aparentemente a atriz precisa utilizar elementos primários de interpretação para se mostrar enquanto vilã. O texto não é suficiente para indicar o quanto ela é má, são necessários trejeitos exagerados, placas de aviso "sou má" estão estampadas no rosto da atriz em todas as cenas. Ela é uma boa atriz, mas dessa vez, Alessandra Negrini errou.
