Continuando nossas listas sobre vários temas da TV, após realizarmos a primeira, sobre as 10 melhores novelas de todos os tempos, segundo a minha visão e de 9 amigos, vamos agora divulgar a lista com as 10 piores novelas de todos os tempos. Confira:
10 – Senhora do Destino - 2004

Novela de: Aguinaldo Silva
Direção: Wolf Maya
Protagonistas: Susana Vieira, Carolina Dieckmann, Renata Sorrah
A novela contou a saga de Maria do Carmo Ferreira da Silva (Carolina Dieckmann/Susana Vieira) que, saída de Pernambuco com seus cinco filhos, chega ao Rio de Janeiro em dezembro 1968, quando estourou o Ato Institucional N. 5. Mal chega à cidade, sofre o maior golpe de sua vida: tem sua filha caçula, Lindalva (então uma criança de poucos meses) roubada por Nazaré (Adriana Esteves/Renata Sorrah), prostituta que se passa por enfermeira e pega a criança para si como parte de um plano para enganar José Carlos Tedesco (Tarcísio Filho/Tarcísio Meira) e fazê-lo largar a família para casar com ela. Anos mais tarde, Maria do Carmo, já estabelecida na Vila de São Miguel, se dedica a localizar sua filha perdida.
É inegável que Senhora do Destino foi um sucesso em termos de Ibope, e até de crítica – tanto é que está sendo reprisada. Entretanto, foi alvo de diversas críticas que se tornaram motivo de demérito para muita gente: uns falaram do desajuste temporal [a segunda fase, teoricamente, passava aproximadamente 25 anos depois do AI-5 ou seja, entre 1993 e 1994, mas anunciava produtos dos anos 2000]. Outros acharam ruim o tom espalhafatoso da personagem Nazaré, que por alguns foi considerado caricato. Outros motivos para a novela figurar aqui em décimo lugar foram a vilã Viviane (Letícia Spiller), também considerada caricata; e o sotaque forçado de Maria do Carmo.
9 – Começar de Novo - 2004

Novela de: Antônio Calmon e Elisabeth Jihn
Direção: Marcos Paulo
Protagonistas: Marcos Paulo, Natália do Vale
A espinha dorsal da novela foi o romance impossível de Miguel Arcanjo e Letícia, que foram separados pela mãe dela, Lucrécia Borges. Miguel sofre um atentado e é dado como morto, mas na verdade foi levado incógnito para a Rússia e lá recobra a consciência, mas não a memória. Só vem a recuperá-la 30 anos depois, para desvendar mistérios de sua vida, acompanhado de seu mestre, Dmitri.
A proposta inicial era boa, mas vários problemas fizeram com que a promessa de novela decente ficasse só na... Promessa. Já de saída, o elenco era irregular, com personagens de destaque dados a atores iniciantes/fracos, como Giselle Itié. Também choveram histórias que não tinham razão de existir, como a da família Estrela – talvez uma tentativa (inútil) de trazer realismo fantástico com a personagem Marcianita; e outros personagens mal aproveitados, como o Anselmo de Werner Schünemann e a Sonya da então estreante (e bem sucedida) Fernanda Machado. E, finalmente, os protagonistas maduros pareceram simplesmente não ter acontecido. Não houve empatia com o público e o resultado foi visto em números pífios do Ibope, que custou a se reerguer. Assim, Começar de Novo ganha o nono lugar em nossa lista.
8 – Porto dos Milagres - 2001

Novela de: Aguinaldo Silva
Direção: Marcos Paulo e Roberto Naar
Protagonistas: Flávia Alessandra, Marcos Palmeira
Porto dos Milagres contou a história de amor do pescador Guma e Lívia; romance que começa na cidade que dá nome à novela e para vivenciar esse amor, os dois têm de passar por vários empecilhos: Alexandre, namorado de Lívia e filho dos grandes antagonistas Félix e Adma Guerreiro; Esmeralda, mulher que quer Guma para ela a todo custo. Ainda tem a grande rivalidade entre Guma e Félix, que chega ao campo político. Foi um grande sucesso de Aguinaldo Silva da década de 2000, mas ainda assim teve detalhes que desagradaram parte do público em cheio. Dentre elas a fraca interpretação de Marcos Palmeira em papel de destaque; e personagens caricatas como Genésia (Júlia Lemmertz), que passou de beata a ninfomaníaca. Apesar de ter sido baseada em parte da obra de Jorge Amado e ter conseguido um público fiel, também desagradou a ponto de chegar ao oitavo lugar de nossa lista.
7 – Estrela Guia - 2001

Novela de: Ana Maria Moretzohn
Direção: Denise Saraceni
Protagonistas: Sandy, Guilherme Fontes
Esta foi a história de Cristal, jovem nascida e criada em uma comunidade hippie que após a morte dos pais, vai viver com seu padrinho. Com a convivência, os dois se apaixonam.
Primeira e única novela trazendo Sandy como protagonista, pegou carona no sucesso do seriado Sandy e Júnior e foi aclamada pelos fãs da dupla, que também tiveram a oportunidade de ver Júnior Lima em um papel secundário. Apesar de trazer uma estrela do pop brasileiro como chamariz do elenco e uma proposta de trama leve, Estrela Guia deixou a desejar na história. O par formado por Sandy e Guilherme Fontes não teve a química desejada. Também não houve o que se chamasse de obstáculos de peso para o amor do casal se concretizar e no fim das contas, caiu no esquecimento. Ou no quase esquecimento, pois figura no sétimo lugar das piores novelas.
6 – Esperança - 2002

Novela de: Benedito Ruy Barbosa
Direção: Luiz Fernando Carvalho
Protagonistas: Reynaldo Gianecchinni, Priscila Fantin
Toni e Maria vivem um romance proibido na Itália e são separados pela família da moça, que engravida. Sozinho, Toni parte para o Brasil, onde vê esperanças de uma vida melhor e se envolve com a passional judia Camille, com quem se casa. Mas ele não consegue esquecer sua amada italiana e isso abala seu relacionamento com a judia desde o começo.
Poucos anos antes de Esperança estrear, o público brasileiro acompanhou Terra Nostra, novela que também enfatizava a questão da imigração italiana e foi um estrondoso sucesso, ficando de certa forma 'fresca' na memória dos telespectadores. Dessa forma, Esperança foi uma novela rejeitada desde suas chamadas; apelidada 'carinhosamente' de Terra Nostra 2 e, pior ainda, Semelhança. Não bastassem as comparações [que não eram infundadas, afinal], o texto também sofreu turbulências, boa parte causadas por problemas de saúde do autor e finalmente a substituição deste por Walcyr Carrasco, que introduziu novos personagens e deu novo fôlego à história, que terminou, de certa forma, descaracterizada. Assim, Esperança ganha o sexto lugar da lista.
5 – Bang Bang - 2005

Novela de: Mário Prata
Direção: Ricardo Waddington
Protagonistas: Bruno Garcia, Fernanda Lima
Na cidade de Albuquerque, em algum ano do Velho Oeste, Ben Silver jura vingança contra aqueles que dizimaram toda a sua família. O que ele não contava era justamente se apaixonar pela bela Diana Bullock filha do homem de quem ele deveria se vingar. Essa foi a espinha dorsal de Bang Bang, um faroeste vanguardista, trazendo um caldeirão de eras e nacionalidades.
A vontade de ousar foi muito válida e pode até se considerar louvável, em um cenário televisivo no qual muita gente reclama do 'mais do mesmo'; mas nada compreendida. Ninguém entendeu os nomes dos personagens, que tinham um pé na língua inglesa (Vegas Locomotiv, Neon Bullock...); ninguém entendeu as referências à cultura pop cruzada com a erudita; ninguém entendeu o hibridismo espaço-temporal (era Brasil ou Estados Unidos? Século 17 ou 21?) e ninguém aprovou a verde, verdíssima Fernanda Lima em um papel de protagonista logo na primeira novela. Tentaram minimizar a rejeição do público trazendo Carlos Lombardi para escrever a reta final da novela, mas o estrago já estava feito e, depois dessa, meio mundo pode reclamar da repetição folhetinesca, mas ousadia demais é algo muito perigoso e pode render o quinto lugar na lista de piores novelas.
4 – Páginas da Vida - 2006

Novela de: Manoel Carlos
Direção: Jaime Monjardim
Protagonistas: Regina Duarte, José Mayer
Helena, Leblon, crônica social, a vida como ela é. Não precisamos descrever o consagrado estilo Manoel Carlos de fazer novela. Mas em Páginas da Vida, a impressão que ficou é que erraram a mão em algum ingrediente do bolo que todo mundo sempre apreciou. Personagens em excesso (a imensa mesa da sala de jantar de Tide pode ser considerada o símbolo dos símbolos da enormidade do elenco) geraram histórias mal desenvolvidas e talentos incrivelmente mal aproveitados. Assim, foram meses de marasmo para que o grande momento da história, que era a disputa pela guarda da criança portadora de Síndrome de Down, acontecesse em menos de um mês. Tanta lentidão fez com que o folhetim ganhasse apelidos inglórios como Páginas em Branco. Além disso, o nepotismo descarado em alguns núcleos (leia-se Rafael Almeida, cunhado de Jayme Monjardim, em papel de destaque e não fazendo jus à missão recebida) irritou o público. A impressão que deu foi que as páginas da vida só se desenrolavam de fato na hora dos depoimentos finais de cada capítulo e isso não bastou para a história ser querida pelo público, mas foi suficiente para ser considerada a quarta pior novela da história.
3 – Kubanakan - 2003

Novela de: Carlos Lombardi
Direção: Wolf Maya
Protagonistas: Danielle Winits, Marcos Pasquim
“A história se passa nos anos 50, num país fictício com o nome da telenovela, supostamente localizado no Caribe e com economia fortemente baseada na exportação de produtos agrícolas como a banana. A língua oficial do país seria o Espanhol. O personagem principal, Esteban Maroto, é um homem que sofre de amnésia, e que se vê transformado em um herói contra a própria vontade, sendo envolvido inclusive na política do país. Ao longo da trama descobrimos que Esteban sofre de um distúrbio (mais tarde diagnosticado como esquizofrenia) que lhe provoca dupla personalidade e no final ele diz que veio do futuro para impedir que a Fênix matasse várias pessoas como na época dele e que as lembranças na verdade eram de seu pai Esteban, que na verdade incorporava nele e já havia morrido. Quem dizia ser Esteban era na verdade o filho dele Leon.” [créditos ao artigo sobre a novela no Wikipedia]
Kubanacan tinha um protagonista sem memória e, ao que parece, acharam que os telespectadores também não tinham memória. A novela absorveu as várias personalidades do protagonista e o resultado foi uma trama confusa [até o último capítulo foi difícil de compreender] e ganhou a medalha de bronze neste inglório pódium.
2 – América - 2005

Novela de: Glória Perez
Direção: Jayme Monjardim/Marcos Schetman
Protagonistas: Deborah Secco, Murilo Benício, Caco Ciocler
A tônica de América foi o 'sonho americano' vivenciado por Sol, que acaba se aventurando como imigrante ilegal nos EUA e largando o então amor de sua vida, o peão Tião. Em solo americano, entre mil trapalhadas para se manter e conseguir o direito de ficar lá de vez, se apaixona por Ed, que se torna seu grande amor para a vida.
A virada no destino de Sol no que dizia respeito a seu futuro amoroso foi reflexo do primeiro problema da novela: a falta de química entre Deborah Secco e Murilo Benício. Aliás, Deborah parece pecar pelos excessos: enquanto em A Próxima Vítima ela falava gritando, em América ela exagerou nos sussurros. A vilã, May, interpretada por Camila Morgado, parecia não ter sangue nas veias de tão apática; mas não havia muito para a atriz fazer, já que o texto da personagem não era lá grandes coisas.
Como esquecer dos diálogos entre o peão Tião e o Boi Bandido? Com cenas que entraram na história da TV entre as mais bizarras, Glória Perez parecia duvidar da inteligência de seu público.
Com uma espinha dorsal tão frágil (e mais fragilizada ainda pelas mudanças na equipe de direção), o resultado foi a rejeição de uma parcela expressiva do público e a medalha de prata em nossa lista.
1 – Os Mutantes - 2007, 2008 e 2009

Novela de: Tiago Santiago
Direção: Alexandre Avancini
Protagonistas: Bianca Rinaldi e Leonardo Vieira/Renata Dominguez e Luciano Szafir
Uma novela dividida em três partes? Três novelas em uma só? Isso não importa muito. Mas com a trilogia Caminhos do Coração, Os Mutantes e Promessas de Amor, Tiago Santiago trouxe os seres fantásticos à tona, como figuras centrais de suas três novelas. Um investimento pesado que atraiu crianças e adolescentes graças a seus efeitos especiais e trama misturando elementos de séries consagradas como X-Men e Heroes.
Por trás de tanto efeito, havia o texto fraco e a grande maioria das interpretações idem. O problema carro-chefe foi o excesso de didatismo do texto, cenas imensas contando histórias que soavam como se tivessem sido adaptadas de Wikipedia ou lições de moral mal contextualizadas. A maioria podia ser perfeitamente dispensada. E a insistência em valorizar o realismo fantástico deixou o folhetim em segundo (ou terceiro) plano, o que também desagradou os noveleiros. Talvez, se fosse uma série e não a imensa novela que foi, funcionasse melhor.
Texto de Evana Ribeiro
10 – Senhora do Destino - 2004
Novela de: Aguinaldo Silva
Direção: Wolf Maya
Protagonistas: Susana Vieira, Carolina Dieckmann, Renata Sorrah
A novela contou a saga de Maria do Carmo Ferreira da Silva (Carolina Dieckmann/Susana Vieira) que, saída de Pernambuco com seus cinco filhos, chega ao Rio de Janeiro em dezembro 1968, quando estourou o Ato Institucional N. 5. Mal chega à cidade, sofre o maior golpe de sua vida: tem sua filha caçula, Lindalva (então uma criança de poucos meses) roubada por Nazaré (Adriana Esteves/Renata Sorrah), prostituta que se passa por enfermeira e pega a criança para si como parte de um plano para enganar José Carlos Tedesco (Tarcísio Filho/Tarcísio Meira) e fazê-lo largar a família para casar com ela. Anos mais tarde, Maria do Carmo, já estabelecida na Vila de São Miguel, se dedica a localizar sua filha perdida.
É inegável que Senhora do Destino foi um sucesso em termos de Ibope, e até de crítica – tanto é que está sendo reprisada. Entretanto, foi alvo de diversas críticas que se tornaram motivo de demérito para muita gente: uns falaram do desajuste temporal [a segunda fase, teoricamente, passava aproximadamente 25 anos depois do AI-5 ou seja, entre 1993 e 1994, mas anunciava produtos dos anos 2000]. Outros acharam ruim o tom espalhafatoso da personagem Nazaré, que por alguns foi considerado caricato. Outros motivos para a novela figurar aqui em décimo lugar foram a vilã Viviane (Letícia Spiller), também considerada caricata; e o sotaque forçado de Maria do Carmo.
9 – Começar de Novo - 2004
Novela de: Antônio Calmon e Elisabeth Jihn
Direção: Marcos Paulo
Protagonistas: Marcos Paulo, Natália do Vale
A espinha dorsal da novela foi o romance impossível de Miguel Arcanjo e Letícia, que foram separados pela mãe dela, Lucrécia Borges. Miguel sofre um atentado e é dado como morto, mas na verdade foi levado incógnito para a Rússia e lá recobra a consciência, mas não a memória. Só vem a recuperá-la 30 anos depois, para desvendar mistérios de sua vida, acompanhado de seu mestre, Dmitri.
A proposta inicial era boa, mas vários problemas fizeram com que a promessa de novela decente ficasse só na... Promessa. Já de saída, o elenco era irregular, com personagens de destaque dados a atores iniciantes/fracos, como Giselle Itié. Também choveram histórias que não tinham razão de existir, como a da família Estrela – talvez uma tentativa (inútil) de trazer realismo fantástico com a personagem Marcianita; e outros personagens mal aproveitados, como o Anselmo de Werner Schünemann e a Sonya da então estreante (e bem sucedida) Fernanda Machado. E, finalmente, os protagonistas maduros pareceram simplesmente não ter acontecido. Não houve empatia com o público e o resultado foi visto em números pífios do Ibope, que custou a se reerguer. Assim, Começar de Novo ganha o nono lugar em nossa lista.
8 – Porto dos Milagres - 2001
Novela de: Aguinaldo Silva
Direção: Marcos Paulo e Roberto Naar
Protagonistas: Flávia Alessandra, Marcos Palmeira
Porto dos Milagres contou a história de amor do pescador Guma e Lívia; romance que começa na cidade que dá nome à novela e para vivenciar esse amor, os dois têm de passar por vários empecilhos: Alexandre, namorado de Lívia e filho dos grandes antagonistas Félix e Adma Guerreiro; Esmeralda, mulher que quer Guma para ela a todo custo. Ainda tem a grande rivalidade entre Guma e Félix, que chega ao campo político. Foi um grande sucesso de Aguinaldo Silva da década de 2000, mas ainda assim teve detalhes que desagradaram parte do público em cheio. Dentre elas a fraca interpretação de Marcos Palmeira em papel de destaque; e personagens caricatas como Genésia (Júlia Lemmertz), que passou de beata a ninfomaníaca. Apesar de ter sido baseada em parte da obra de Jorge Amado e ter conseguido um público fiel, também desagradou a ponto de chegar ao oitavo lugar de nossa lista.
7 – Estrela Guia - 2001
Novela de: Ana Maria Moretzohn
Direção: Denise Saraceni
Protagonistas: Sandy, Guilherme Fontes
Esta foi a história de Cristal, jovem nascida e criada em uma comunidade hippie que após a morte dos pais, vai viver com seu padrinho. Com a convivência, os dois se apaixonam.
Primeira e única novela trazendo Sandy como protagonista, pegou carona no sucesso do seriado Sandy e Júnior e foi aclamada pelos fãs da dupla, que também tiveram a oportunidade de ver Júnior Lima em um papel secundário. Apesar de trazer uma estrela do pop brasileiro como chamariz do elenco e uma proposta de trama leve, Estrela Guia deixou a desejar na história. O par formado por Sandy e Guilherme Fontes não teve a química desejada. Também não houve o que se chamasse de obstáculos de peso para o amor do casal se concretizar e no fim das contas, caiu no esquecimento. Ou no quase esquecimento, pois figura no sétimo lugar das piores novelas.
6 – Esperança - 2002
Novela de: Benedito Ruy Barbosa
Direção: Luiz Fernando Carvalho
Protagonistas: Reynaldo Gianecchinni, Priscila Fantin
Toni e Maria vivem um romance proibido na Itália e são separados pela família da moça, que engravida. Sozinho, Toni parte para o Brasil, onde vê esperanças de uma vida melhor e se envolve com a passional judia Camille, com quem se casa. Mas ele não consegue esquecer sua amada italiana e isso abala seu relacionamento com a judia desde o começo.
Poucos anos antes de Esperança estrear, o público brasileiro acompanhou Terra Nostra, novela que também enfatizava a questão da imigração italiana e foi um estrondoso sucesso, ficando de certa forma 'fresca' na memória dos telespectadores. Dessa forma, Esperança foi uma novela rejeitada desde suas chamadas; apelidada 'carinhosamente' de Terra Nostra 2 e, pior ainda, Semelhança. Não bastassem as comparações [que não eram infundadas, afinal], o texto também sofreu turbulências, boa parte causadas por problemas de saúde do autor e finalmente a substituição deste por Walcyr Carrasco, que introduziu novos personagens e deu novo fôlego à história, que terminou, de certa forma, descaracterizada. Assim, Esperança ganha o sexto lugar da lista.
5 – Bang Bang - 2005
Novela de: Mário Prata
Direção: Ricardo Waddington
Protagonistas: Bruno Garcia, Fernanda Lima
Na cidade de Albuquerque, em algum ano do Velho Oeste, Ben Silver jura vingança contra aqueles que dizimaram toda a sua família. O que ele não contava era justamente se apaixonar pela bela Diana Bullock filha do homem de quem ele deveria se vingar. Essa foi a espinha dorsal de Bang Bang, um faroeste vanguardista, trazendo um caldeirão de eras e nacionalidades.
A vontade de ousar foi muito válida e pode até se considerar louvável, em um cenário televisivo no qual muita gente reclama do 'mais do mesmo'; mas nada compreendida. Ninguém entendeu os nomes dos personagens, que tinham um pé na língua inglesa (Vegas Locomotiv, Neon Bullock...); ninguém entendeu as referências à cultura pop cruzada com a erudita; ninguém entendeu o hibridismo espaço-temporal (era Brasil ou Estados Unidos? Século 17 ou 21?) e ninguém aprovou a verde, verdíssima Fernanda Lima em um papel de protagonista logo na primeira novela. Tentaram minimizar a rejeição do público trazendo Carlos Lombardi para escrever a reta final da novela, mas o estrago já estava feito e, depois dessa, meio mundo pode reclamar da repetição folhetinesca, mas ousadia demais é algo muito perigoso e pode render o quinto lugar na lista de piores novelas.
4 – Páginas da Vida - 2006

Novela de: Manoel Carlos
Direção: Jaime Monjardim
Protagonistas: Regina Duarte, José Mayer
Helena, Leblon, crônica social, a vida como ela é. Não precisamos descrever o consagrado estilo Manoel Carlos de fazer novela. Mas em Páginas da Vida, a impressão que ficou é que erraram a mão em algum ingrediente do bolo que todo mundo sempre apreciou. Personagens em excesso (a imensa mesa da sala de jantar de Tide pode ser considerada o símbolo dos símbolos da enormidade do elenco) geraram histórias mal desenvolvidas e talentos incrivelmente mal aproveitados. Assim, foram meses de marasmo para que o grande momento da história, que era a disputa pela guarda da criança portadora de Síndrome de Down, acontecesse em menos de um mês. Tanta lentidão fez com que o folhetim ganhasse apelidos inglórios como Páginas em Branco. Além disso, o nepotismo descarado em alguns núcleos (leia-se Rafael Almeida, cunhado de Jayme Monjardim, em papel de destaque e não fazendo jus à missão recebida) irritou o público. A impressão que deu foi que as páginas da vida só se desenrolavam de fato na hora dos depoimentos finais de cada capítulo e isso não bastou para a história ser querida pelo público, mas foi suficiente para ser considerada a quarta pior novela da história.
3 – Kubanakan - 2003
Novela de: Carlos Lombardi
Direção: Wolf Maya
Protagonistas: Danielle Winits, Marcos Pasquim
“A história se passa nos anos 50, num país fictício com o nome da telenovela, supostamente localizado no Caribe e com economia fortemente baseada na exportação de produtos agrícolas como a banana. A língua oficial do país seria o Espanhol. O personagem principal, Esteban Maroto, é um homem que sofre de amnésia, e que se vê transformado em um herói contra a própria vontade, sendo envolvido inclusive na política do país. Ao longo da trama descobrimos que Esteban sofre de um distúrbio (mais tarde diagnosticado como esquizofrenia) que lhe provoca dupla personalidade e no final ele diz que veio do futuro para impedir que a Fênix matasse várias pessoas como na época dele e que as lembranças na verdade eram de seu pai Esteban, que na verdade incorporava nele e já havia morrido. Quem dizia ser Esteban era na verdade o filho dele Leon.” [créditos ao artigo sobre a novela no Wikipedia]
Kubanacan tinha um protagonista sem memória e, ao que parece, acharam que os telespectadores também não tinham memória. A novela absorveu as várias personalidades do protagonista e o resultado foi uma trama confusa [até o último capítulo foi difícil de compreender] e ganhou a medalha de bronze neste inglório pódium.
2 – América - 2005
Novela de: Glória Perez
Direção: Jayme Monjardim/Marcos Schetman
Protagonistas: Deborah Secco, Murilo Benício, Caco Ciocler
A tônica de América foi o 'sonho americano' vivenciado por Sol, que acaba se aventurando como imigrante ilegal nos EUA e largando o então amor de sua vida, o peão Tião. Em solo americano, entre mil trapalhadas para se manter e conseguir o direito de ficar lá de vez, se apaixona por Ed, que se torna seu grande amor para a vida.
A virada no destino de Sol no que dizia respeito a seu futuro amoroso foi reflexo do primeiro problema da novela: a falta de química entre Deborah Secco e Murilo Benício. Aliás, Deborah parece pecar pelos excessos: enquanto em A Próxima Vítima ela falava gritando, em América ela exagerou nos sussurros. A vilã, May, interpretada por Camila Morgado, parecia não ter sangue nas veias de tão apática; mas não havia muito para a atriz fazer, já que o texto da personagem não era lá grandes coisas.
Como esquecer dos diálogos entre o peão Tião e o Boi Bandido? Com cenas que entraram na história da TV entre as mais bizarras, Glória Perez parecia duvidar da inteligência de seu público.
Com uma espinha dorsal tão frágil (e mais fragilizada ainda pelas mudanças na equipe de direção), o resultado foi a rejeição de uma parcela expressiva do público e a medalha de prata em nossa lista.
1 – Os Mutantes - 2007, 2008 e 2009

Novela de: Tiago Santiago
Direção: Alexandre Avancini
Protagonistas: Bianca Rinaldi e Leonardo Vieira/Renata Dominguez e Luciano Szafir
Uma novela dividida em três partes? Três novelas em uma só? Isso não importa muito. Mas com a trilogia Caminhos do Coração, Os Mutantes e Promessas de Amor, Tiago Santiago trouxe os seres fantásticos à tona, como figuras centrais de suas três novelas. Um investimento pesado que atraiu crianças e adolescentes graças a seus efeitos especiais e trama misturando elementos de séries consagradas como X-Men e Heroes.
Por trás de tanto efeito, havia o texto fraco e a grande maioria das interpretações idem. O problema carro-chefe foi o excesso de didatismo do texto, cenas imensas contando histórias que soavam como se tivessem sido adaptadas de Wikipedia ou lições de moral mal contextualizadas. A maioria podia ser perfeitamente dispensada. E a insistência em valorizar o realismo fantástico deixou o folhetim em segundo (ou terceiro) plano, o que também desagradou os noveleiros. Talvez, se fosse uma série e não a imensa novela que foi, funcionasse melhor.
Texto de Evana Ribeiro


